Escola de Redes

Sob a ótica da ciência das redes a eliminação do Osama promove qual efeito dinâmico na Al Qaeda e demais redes terroristas ?

 

Na grande-velha-mídia-broadcaster-global a discussão gira em torno dos métodos empregados, das versões (a la guerra fria) e da isca de ameaça de contra-ataque terrorista plantada pela Casa Branca no dia do anúncio da captura-morte do Osama.

No escasso amiúde das críticas jornalísticas relativamente lúdicas como a do Sérgio Abranches (  http://bit.ly/iilmAG ) o mesmo considera que a Al Qaedacom esse golpe vai se fragmentar ainda mais e perder força ".

 

Minha leitura é a de que estamos diante de um fenômeno que a ciência das redes tem muito o que discutir, analisar e/ou opinar, ainda mais próximos que estamos da CIRS2

 

Neste sentido julguei oportuno propor uma discussão que não só ilumine um assunto que é tratado com total distanciamento, obscuridade pela grande mídia, mas também que nos faça lembrar que quando de se trata da complexa fauna de redes sociais, mais que todas as esclarecedoras teorias que temos o privilégio de conhecer, não falta matéria-prima logo ali na sua esquina com o aviãozinho do tráfico de drogas.

 

Posto isso, dou aqui o pontapé inicial >

 

Ao contrário da dinâmica convencional de redes centralizadas, a fragmentação descentralizada da Al Qaeda não irá enfraquecê-la muito pelo contrário pode vir a multiplicá-la distribuidamente mesmo que em muitas outras bases do modo de operação.

Sob a ótica do netweaving muitas dessas redes terroristas nascem descentralizadas sem um comando político central - ou seja, na historiografia destes movimentos, todos derivados da "filosofia religiosa jihadista" não existe um elo geopolítico capaz de nortear/alimentar a obediência a um planejamento hierárquico-organizacional de curto, médio e longo prazo.

Neste sentido, Osama Bin laden foi uma fulgurante exceção à regra que só fez reforçar no plano religioso a fé jihadista, mas foi incapaz de se materializar como um movimento político capaz de catalizar todos os demais.

Portanto, no meu hipotético entendimento, o efeito da eliminação política do Osama nesses movimentos fundamentalistas, pode vir a torná-los cada vez mais redes sociais caracterizadamente distribuídas ( dificultando ainda mais o rastreamento) perdendo gradativamente a outrora descentralização que os caracterizou.

Exibições: 98

Respostas a este tópico

Concordo em gênero, número e grau...

 

Uma das hipóteses levantada pela "old media" é a de que o próprio segurança de Osama o teria matado, impedindo assim que forças americanas detivessem o corpo.

 

Não tenho qualquer subsídio para afirmar se isto é verdadeiro ou falso... no entanto, falando em "ciência das redes" esta hipótese vai ao encontro da descentralizada Al Qaeda, deixando-a mais fortalecida ainda frente ao "inimigo" americano > "Al Qaeda é forte do que Osama"

 

@mariliaborges

Vinicius, a morte de Osama significa para os jihadistas o nascimento de um martir. O modo como a mídia mostra o ódio e as demonstrações extremadas dos americanos é como um combustivel para que os nós se reunam. E com a distribuição maior ( de nós e de idéias) citada por você, a AlQaeda tende a renascer. 

 

Acho que antes de pensarmos na forma de distribuição das redes e dos grupos temos que pensar se a organização real de uma célula terrorista como a da Al Qaeda exige ser hierárquica e centralizada. Acho que Bin Laden era o chefe e centralizava todas as ações, como todo bom chefe terrorista faz, e que usava a internet e as redes sociais para recrutar e doutrinar os membros. Acredito que outro chefe terrorista vai substituí-lo na Al Qaeda e comandar as ações de forma autoritária e centralizada.

Concordo com Marília e Daniel...ou seja, de muitas forma os americanos estão dando um tiro no próprio pé. Imagine quanto netweaving deve estar neste exato momento criando nodos, redes...

Realmente impressiona a absoluta cegueira da tecnocracia hierárquica-institucional do Estado,  incapaz de perceber as infinitas " conexões de hifas que ocorrem no espaço-tempo dos fluxos " para ficar só na correlação da vida biológica com a de redes que o Augusto de Franco realizou a partir da análise do excepcional trabalho da bióloga americana Lynn Margulis http://bit.ly/mvkgQj

@VRSS

Jaime entendo sua colocações, mas se você acompanhar os informes da Al Jazeera fica nítido como cristal a consubstanciação religiosa jihadista que Osama já havia tomado - os atuais " líderes" estão fracionados em inúmeras células ( nodos) descentralizados.....e até o presente momento, mesmo que a grande mídia ( com o apoio não-oficial-institucional da Casa Branca) force a mão para apontar um sucessor ( afinal ter uma nova "liderança" ajuda a dar uma cara ao inimigo terrorista e facilita o lobby da da indústria armamentista no congresso americano) a dinâmica destas redes não é movida diretamemte por causas políticas objetivas e sim religiosas que são sempre mais subjetivas.

@VRSS

 

 

 

 

Afinal, mesmo muito antes da morte de Bin Laden, a Al Qaeda já não era mais o que foi quando "a base" foi fundada. Havia uma base social com interesses objetivos que ensejaram a sua fundação. Havia um sentimento anti-globalização de caciques locais que temiam - e ainda temem - perder seu poder nas estruturas centralizadas locais. Esse poder incluía a função judicial, econômica, política e, inclusive, açambarcava funções estatais (desde casamentos até, em alguns casos, cobrança de impostos). Tudo isso baseado numa ideologia religiosa. Sim, foi o localismo conservador dos chefes políticos em povoamentos árabes que forneceu a base social para a Al Qaeda.

Não acredito que Bin Laden fosse adepto das redes distribuídas. A Al Qaeda mesmo, nunca foi uma rede distribuída. Virou uma rede descentralizada, isso sim, mas por contingência. Se falamos de células, mesmo autônomas, estamos falando de descentralização (multicentralização), não de distribuição. Celulas têm membranas. Mas as tais "células" da Al Qaeda são fechadas, não permeáveis ao fluxo com o meio.

Depois continuo este comentário. Enquanto isso, leiam o livrinho 11M - Redes para ganar una guerra de David de Ugarte (2004).

Vinícius, eu sempre acabo me confundindo com redes sociais reais e redes sociais na internet mas em termos de configuração, motivação e condições para criar relações sociais acho que tanto as reais como as da internet funcionam da mesma forma e podem ser compreendidas de acordo com os mesmos conceitos. O Augusto, na mensagem anterior explicou a configuração, a motivação e as condições sociais que formaram a organização Al Qaeda. Esperamos ele continuar o comentário enquanto lemos o livrinho 11M - Redes para ganar una guerra de David de Ugarte (2004)? Com certeza você compreende a consubstanciação religiosa jihadista do Osama, que é fundamental  para entender  o que pode acontecer com o terrorismo e as suas redes, e talvez possa ilustrá-la melhor para nós. Abraços!

RSS

© 2019   Criado por Augusto de Franco.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço