Escola de Redes

Uma proposta

Vou começar a compartilhar um percurso de investigação a partir da minha própria experiência - sobretudo no último quarto de século - de exploração de novas visões sobre alguns temas que são chaves nas narrativas correntes sobre a humanidade, a história, a civilização, a cultura, a sociedade, a comunidade, a política, a sabedoria, a inteligência humana, a criatividade e a inovação, a educação, a filosofia e a ciência.

Depois de tratar de muitos assuntos específicos, em milhares de artigos e dezenas de livros, cheguei à conclusão de que era hora de me dedicar a um programa mais genérico, que tivesse a ver com os modos de pensar e com os padrões de interpretação que se replicam (como que automaticamente) em todo lugar (nas famílias, nas escolas e universidades, nas igrejas, nas organizações da sociedade civil, nas corporações e partidos, nas empresas hierárquicas e nos órgãos estatais). Ou seja, concluí que não adianta tratar de temas específicos se não questionarmos as referências usuais que as pessoas têm para compreender o que está sendo dito. Essas referências compõem uma espécie de "sistema tradutor". Então, se você fala uma coisa e a pessoa entende (traduz) como outra coisa, estabelece-se um desentendimento que dificulta ou até inviabiliza a comunicação.

Por isso, o programa desse esforço reflexivo compartilhado começa pela análise desses desentendimentos. Por exemplo, se você fala comunicação e a pessoa entende transmissão de informação, já se instala um ruído que é capaz de destruir, na base, a possibilidade de entendimento mútuo, inviabilizando a cocriação de novas ideias. O mesmo ocorre que se você fala padrão e a pessoa entende modelo. Ou se você fala interação e a pessoa entende participação. Ou, ainda, se você fala transição e a pessoa entende substituição. Tudo isso gera múltiplas desinteligências.

As consequências dessas desinteligências podem ser muito prejudiciais para a inovação e para as possibilidades de colaboração em iniciativas conjuntas. Se não há sintonia (ou se há dessintonia), certamente não poderá haver sinergia. Talvez por isso temos tanta dificuldade de empreender conjuntamente e criativamente em qualquer campo: social, político ou empresarial. Se você fala pessoa e a pessoa entende indivíduo, se você fala social e a pessoa entende conjunto de indivíduos, se você fala sociedade e a pessoa entende país (ou Estado-nação), ou se você fala humanidade e a pessoa entende população de seres humanos do planeta, então já teremos aí uma dificuldade quase incontornável de entendimento e, portanto, de interação criativa. O mesmo acontece se você não confunde, mas a pessoa com quem você interage confunde, aprendizagem com ensino, acha que aprender é adquirir mais conhecimento ou toma espiritualidade por religião.

Por isso, afinal, entendi que não se pode deixar de lado, como se não existissem, as diferenças entre alguns significantes básicos, que têm a ver com padrões de interpretação. Esta foi a razão principal para a iniciativa que chamei de novos pensadores. Pensamos sempre com nossos pensamentos sobre os pensamentos dos outros, mas se queremos estimular a interação criativa entre pensamentos, é necessário alguma sintonia entre os sentidos que atribuímos às palavras que expressam tais pensamentos (e que surgem como conceitos). Pensadores criam conceitos. Novos pensadores criam novos conceitos. Criar conceitos é a atividade do pensar sistemático e não há possibilidade de filosofia se as construções de pensamentos não puderem tornar esses conceitos claros e definidos para uma determinada comunidade de interagentes.

Bom, este é o objetivo geral da proposta. Mas para fazer isso é necessário também entrar em contato com os pensamentos de novos pensadores, que estiveram ou estão sondando as fronteiras do conhecimento e que trabalharam ou estão trabalhando os grandes temas gerais presentes nas narrativas que expressam as visões de mundo habituais, com uma abordagem, vamos dizer, heterodoxa e inovadora. Esse esforço vai incluir diversos autores que, nas suas respectivas épocas e lugares, foram novos pensadores, não apenas no sentido de que tiveram novas ideias e sim que pensaram o que pensaram (e sobre o que pensaram) de uma nova maneira, rompendo a repetição de passado conhecida como tradição. Assim, vamos ter de visitar ou revisitar pesquisadores mais jovens da nova ciência das redes, como Duncan Watts e Pierre Lèvy, pioneiros da reflexão sobre o genos da democracia, como Baruch Spinoza e Hannah Arendt, autores de distopias como Arthur Koestler e George Orwell e mentes inquisitivas como Ivan Illich e Ralph Abraham.

Para realizar uma aventura intelectual desse tipo, terei de dedicar uma parte considerável do meu tempo. É um novo projeto de vida. E precisarei contar com o apoio dos que querem se associar à iniciativa. Sinceramente quero dizer que, como este é um empreendimento coletivo e não uma reflexão individual, não será possível fazer isso sem a sua ajuda. Por isso peço a você, que de alguma forma se sintoniza com as investigações que venho fazendo nos últimos 25 anos, de reler as tentativas de observação-investigação-explicação dos eventos do ponto de vista das redes, que examine a proposta dos novos pensadores e, se tiver desejo se associe a ela.

Clique no link para ler http://novospensadores.com

Um grande abraço e muito obrigado por sua atenção,

Augusto de Franco

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Olá, Augusto

Muito interessante a sua reflexão. Pessoalmente, sinto-me incomodada com esta dificuldade que encontro na nossa jornada atualMente... Observo que precisamos estudar mais e que às vezes nos degladiamos no raso do nosso pequeno conhecimento. Acredito que o seu programa possa realmente trazer uma Luz para esta situação. Gostaria de me inscrever, mas atualmente estou com outros cursos em andamento e com não quero inscrever-me só porque conheço alguns destes pensadores e outros nunca ouvi falar e me despertam a curiosidade... rs... Se é para estudar, que seja de verdade. Um abraço. Cecilia Souza

PS: Vou continuar seguindo suas reflexões.... 

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