Escola de Redes

Pessoal, gostaria que pudéssemos compartilhar um pouco de idéias e experiências com iniciativas que nos permitam sobreviver de netweaving, mas sob um ponto de vista específico.

De certa forma, todos buscamos articular e animar redes, nos comportando de modo evitar centralizações onde atuamos, permitindo a livre construção bolhas de interação ocorra, criando pequenos impactos que visem desarticular hierarquias nestas bolhas etc. Enfim, devem ser inúmeras as maneiras, de acordo com a rede de pessoas que cada um de nós interage.

Uma das questões fundamentais na articulação de redes está na topologia dela, a qual deve ser mais distribuída que centralizada, evitando que se criem hierarquizações e todos os comportamentos decorrentes. Porém, vivemos em uma sociedade que age, sente e pensa ainda, em sua maioria, de forma centralizadora e hierarquizante, trazendo com isso toda uma escala de valores e reconhecimento.

Muitas pessoas não sabem o que é netweaving, não conhecem redes sociais e toda sua fenomenologia, porém, tem interesse em conhecer e saber mais. Estas pessoas, de alguma forma identificaram a matrix em que vivem, e procuram alternativas que podem convergir na nova ciência das redes que estudamos e comentamos aqui na e=r.

Então chegamos ao ponto da questão. Como seria uma forma de remuneração para disponibilizar, trocar, entregar, fornecer este conteúdo sobre redes, porém, já articulando o netweaving, ou seja, sem continuar transmitindo um conhecimento da mesma maneira que estruturas hierarquizantes o fazem (o que me parece ser uma contradição).

Por exemplo, somos convidados a falar sobre redes. Naturalmente, pensamos em palestras ou cursos sobre os temas de interesse. Dar uma palestra ou um curso (na maioria das vezes, também palestrando), na base de alguém transmitindo um conhecimento a outro, isso não seria uma contradição ao realizar netweaving? E isso, seja pelo modelo de transmissão de conhecimento, seja pelo fato de que o que a pessoa conhece ou aprende não cria mudança na rede, mas sim, sua topologia? Assim, questiono se ao buscarmos articular redes, se o fato de compartilhar conhecimento (ainda mais na forma tradicional de palestras ou cursos) até onde isso é contraproducente ao netweaving. E ainda, entendendo que esta forma de palestras e cursos é aceita, reconhecida e valorizada pela matrix, se não existiria outra forma que permitisse que um netweaver seja remunerado quando houverem pessoas interessadas em conhecer, saber, aprender, trocar idéias a respeito de redes. Gostaria de saber o pensam a respeito e se possuem alguma experiência de remuneração que seja afinizada com o que entendo estar na base fundamental do netweaving: a topologia articulada, e não o conhecimento transmitido.

Um fraternal abraço a todos!

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Respostas a este tópico

Caro Augusto, ótima lembrança este link postado. Concordo plenamente quando diz que "o fundamental é fazer redes e não encontrar uma maneira de sobreviver com tal ocupação."

Mas gostaria de puxar um pouco a conversa aqui para a maneira do netweaver atuar quando contratado por organizações hierárquicas. A experiência da Vivianne, que lembra que isso depende muito do meio, das condições de contratação etc, são válidas e, claro, nos adaptamos a elas. Mas e se isso fosse livre? Se nos dessem liberdade para atuar da forma como quisermos para com o tema NETWEAVING, por exemplo. A maneira comum de se fazer, é com as palestras e cursos, sim. Mas penso que concordamos que não é a melhor maneira, tanto pela razão de ser um formato broadcast, quanto pela razão de que temos fortes indícios de que a sabedoria ou convicção de uma pessoa não articula ou fortalece o netweaving, mas sim, seu comportamento, a topologia que se possa formar a partir daí, o small bang.

Eu não sou um especialista em palestras, em workshops, cursos e nada do tipo. Mas creio que aqui na e=r há. E neste sentido, pensei se estas pessoas não teriam, ou a experiência, ou o background necessário para pensar uma idéia ou método diferente que venha de encontro com a própria natureza do netweaving.

Por exemplo, se alguém me contrata para passar a experiência sobre netweaving, e tivesse liberdade para sair dos moldes palestra, curso etc, eu não poderia sugerir uma situação ou de certa forma encadear algo que proporcionasse às pessoas presentes interagirem, se comportarem, de modo que ali possa ocorrer algo da fenomenologia da rede (ainda que conduzido para o fim proposto)? E que depois cada um compartilhasse como entendeu que se deu aquele comportamento, e a minha opinião a respeito do tema, ilustrando o fato, fosse colocada como mais uma dentre todas, que poderia ser usada como referência (ou não) pelos presentes? E na soma dos entendimentos não poderíamos ampliar a compreensão do tema entre todos?

Enfim, me desculpem se o exemplo foi tosco, como disse, não tenho expertise nisso, mas usei pra ilustrar o sentido de falar sobre netweaving se aproximando, de alguma forma possível, do fazer netweaving.

Paulo, que pena que não tem o botão curtir. Então tenho que escrever "Curti"...

Paulo Vargas de Oliveira Jr disse:

Viver de netweaving é profissão de fé.

Tecer redes é o que se faz incessantemente, mesmo que não distribuidas, afinal um organograma é uma rede topológicamente articulada para organizar o poder do dono em seu  próprio beneficio. Ser esta pessoa, ou participar do "negócio" dele, é o que deixa de nos atrair e nos impulsiona a procurar novas formas de nos relacionar mais sintonizadas com nossas transformações pessoais.

Transparência nas relações produtivas, liberdade de comunicação,  conhecimento compartilhado, sustentabilidade, proteção ecológica, relacionamento cordial com parceiros são condições  básicas necessárias  para que o trabalho perca seu aspecto de castigo divino. Pelo contrário, quantos aqui na escola de rede podem dizer que não desconsideraram as dificuldades (geralmente baixa remuneração) de um trabalho que tocava ao coração.

O que quero dizer é que viver de tecer redes se aplica ao seu ambiente. As redes que criamos para garantir nossa sustentação econômica precisam absorver estes parâmetros. Pensar um novo modelo de empreendimento fundado, criado, plasmado ou seja lá o verbo mais adequado para dar vida esta "empresa" é a tarefa a ser realizada.

Em todas as áreas de atividade existe espaço para, se reconectar às pessoas a sua volta. Se você é o patrão, ou  chefe, pode distribuir suas responsabilidades, mas terá também de redistribuir o poder e falando objetivamente do dinheiro. Isto destravaria boa parte dos conflitos. Seria fácil já que estamos todos convencidos de este é a nova forma

Entretanto, este encontro entre a formulação teórica e gestão descentralizada de nosso ambiente ainda não ocorreu. Quem encontrar o caminho das pedras inicia uma  real transformação em nosso modo de viver

Car@s:

 Tenho pensado neste aspecto de “valor”, e ainda não cheguei a uma conclusão. Hoje existem determinadas situações que podemos ilustrar como esta forma não hierarquizada pode ser remunerada alternativamente:

 Acredito que dentro do patrão hierárquico, o valor existe a partir de quem possui algo, e o determina para a outra parte interessada, que se dispõe a remunerar pela troca da posse ou distribuição.

 Assim, hoje existem situações onde quem atribui valor a algo é quem tem o interesse, e este valor pode sim ser variável, de acordo com o uso e possibilidade os quais  quem tem o interesse percebe.

 Isso acontece com ONG’s onde existem empresas que querem apoiar projetos e iniciativas, mas algumas organizações sociais não aceitam o apoio, pois acham que são compatíveis com o valor que elas representam.

 Enfim, acredito que a remuneração possa ser da forma que cada um consegue realizar, dentro do conceito de valor percebido, como um tipo de “doação”.

 Espero ter contribuído.

 Um abraço.

Aqui na Escola-de-Redes essa discussão que você coloca é recorrente, Josué. Esse, aliás, foi o motivo que me levou a escrever o livrinho Hierarquia: Explorações na Matrix Realmente Existente. Nos 4 anos da E=R essa conversa vai e volta, intermitentemente. Existem nesta plataforma várias dezenas de threadsmuito semelhantes.  Evidentemente, cada um deve acreditar no que quiser e isso não inviabiliza, pelo contrário, enseja a conversação.

Quem acredita em deus, você diz, "tem uma facilidade maior de lidar com a hierarquia como algo natural". Sua frase diz tudo. Isso vale, por certo, para quem acredita em deuses criados pelas religiões hierárquicas. Não vejo qualquer problema com os deuses, apenas com os deuses hierárquicos (que são programas verticalizadores). Não vejo qualquer problema em um deus sem sacerdotes (um deus como o que foi chamado de Espírito Santo, por exemplo). Um capítulo de Fluzz (2011), publicado de forma independente em 2012, trata desse assunto. Se você tiver curiosidade, ele está disponível aqui: Sem religião e sem igreja (Série FLUZZ Volume 5).

Mas... voltando ao nosso assunto. Sagrado é geneticamente separado na medida em que se estabelece a separação entre sagrado e profano. Assim como na hierarquia, a separação é o problema. Não há problema, porém, em alguém acreditar nisso. O problema só aparece quando alguém se comporta assim: separando... E então erige um poder sagrado, quer dizer, separado.

Explicando de outra maneira. Você pode aceitar como natural a hierarquia e achar que ela veio de alguma instância superior, de um deus qualquer, das Plêiades ou dos Incas Venusianos. Na verdade a hierarquia não é o poder do topo e sim o poder da intermediação (um poder sacerdotal, stricto sensu). É um padrão descentralizado de organização (como naquele diagrama B de Paul Baran). A deformação no campo social só acontece quando você erige uma hierarquia. Ou seja, se você abrir mão de mandar nos outros ou de obedecer a alguém, tudo bem. Estamos de acordo?

Queria aproveitar essa thread para voltar a um ponto, mencionado pelo Marcelo no post acima e tratado no Small Bangs. Ensaios de desconstituição de hierarquia são sempre bolhas espaço-temporais. Acontecem em algum lugar durante algum tempo. Portanto, em um mundo hierárquico, não pode haver coerência continuada do sujeito (o netweaver). Num determinado mundo que se abre, redes distribuídas (mais distribuídas do que centralizadas) podem acontecer. Mas esse mundo, mais cedo ou mais tarde, se fechará. E outro mundo então poderá ser aberto. Antes isso era muito difícil. Agora é possível, com a emergência dos Highly Connected Worlds.

Duas imagens para concluir:

Mas poderá ser assim:


A cocriação é isso, Marcelo. Estamos praticando semanalmente a cocriação livre, aberta e interativa. Não resolve o problema da sobrevivência do netweaver, mas mostra que é possível. Veja o quadro abaixo:



Marcelo Maceo disse:

Caro Augusto, ótima lembrança este link postado. Concordo plenamente quando diz que "o fundamental é fazer redes e não encontrar uma maneira de sobreviver com tal ocupação."

Mas gostaria de puxar um pouco a conversa aqui para a maneira do netweaver atuar quando contratado por organizações hierárquicas. A experiência da Vivianne, que lembra que isso depende muito do meio, das condições de contratação etc, são válidas e, claro, nos adaptamos a elas. Mas e se isso fosse livre? Se nos dessem liberdade para atuar da forma como quisermos para com o tema NETWEAVING, por exemplo. A maneira comum de se fazer, é com as palestras e cursos, sim. Mas penso que concordamos que não é a melhor maneira, tanto pela razão de ser um formato broadcast, quanto pela razão de que temos fortes indícios de que a sabedoria ou convicção de uma pessoa não articula ou fortalece o netweaving, mas sim, seu comportamento, a topologia que se possa formar a partir daí, o small bang.

Eu não sou um especialista em palestras, em workshops, cursos e nada do tipo. Mas creio que aqui na e=r há. E neste sentido, pensei se estas pessoas não teriam, ou a experiência, ou o background necessário para pensar uma idéia ou método diferente que venha de encontro com a própria natureza do netweaving.

Por exemplo, se alguém me contrata para passar a experiência sobre netweaving, e tivesse liberdade para sair dos moldes palestra, curso etc, eu não poderia sugerir uma situação ou de certa forma encadear algo que proporcionasse às pessoas presentes interagirem, se comportarem, de modo que ali possa ocorrer algo da fenomenologia da rede (ainda que conduzido para o fim proposto)? E que depois cada um compartilhasse como entendeu que se deu aquele comportamento, e a minha opinião a respeito do tema, ilustrando o fato, fosse colocada como mais uma dentre todas, que poderia ser usada como referência (ou não) pelos presentes? E na soma dos entendimentos não poderíamos ampliar a compreensão do tema entre todos?

Enfim, me desculpem se o exemplo foi tosco, como disse, não tenho expertise nisso, mas usei pra ilustrar o sentido de falar sobre netweaving se aproximando, de alguma forma possível, do fazer netweaving.

Legal essa conversa... essa troca constante de experiências e ideias sobre questões práticas que nos permitem continuar sendo netweavers... e acho curioso que frequentemente surjam junto algumas conversas e debates sobre princípios fundamentais (as vezes com termos muito curiosos: me intrigou a expressão "gestor netweaver"... fiquei me perguntando o que exatamente seria isso... seria alguém que algumas vezes restringe fluxos e outras vezes libera fluxos??... será que é realmente necessária a tão frequente "restrição de fluxos - nossos ou dos outros - no presente para liberar fluxos no futuro"??... ou será que essa é uma prática que faz cada vez menos sentido - e acaba restringindo os nossos próprios fluxos no presente e no futuro - a medida em que o mundo fica exponencialmente mais conectado?... tenho a impressão de que isso ainda depende muito do contexto no qual escolhemos estar e de nossas percepções sobre o que necessitamos para sobreviver ou viver, ou seja, o quanto estamos concretamente e psicologicamente presos numa subexistência caracterizada pela escassez).

Compartilhando minhas experiências práticas, nos últimos anos tenho vivido uma boa parte do tempo como "peregrino, nômade, viajante dos interworlds"... estou no momento viajando pela península balcânica e me percebo bastante inspirado quando encontro construções que um dia foram caravanserais (elas estão por todo lado!!)... isso tem me feito pensar que a sobrevivência (ou vivência) do netweaver está intimamente ligada à atuação como polinizador... percebo que quando estou me movendo e transportando relatos de vivências de um local para outro a minha capacidade de ajudar a liberar fluxos aumenta drasticamente, assim como a percepção das pessoas com as quais trabalho sobre o valor de minha dedicação e a disposição delas em retribuir e me remunerar... também tenho percebido que acabo encontrando mais oportunidades e pessoas com as quais trabalhar quando estou me movendo. E o interessante é que hoje em dia o "mover-se" não é mais tão exclusivamente físico... ele passa a assumir também outras diferentes formas que são tão concretas como a física.

Sobre a remuneração, tem me ficado cada vez mais claro que não faz sentido o netweaver esperar ser remunerado da mesma maneira que um executivo ou um gerente, tanto em quantidade como em forma... o executivo e o gerente se acostumaram a receber sua remuneração quase que exclusivamente em dinheiro e gastam boa parte desse dinheiro para comprar coisas não-materiais, como por exemplo informação, conhecimento/educação, status, aprovação, sensações, conveniências, algumas vezes até amor, e etc. (ou seja, coisas que não pertencem intrinsicamente à realidade material e nem ao mundo da escassez e costumam ser extremamente caras, não-sustentáveis e pouco eficientes quando adquiridas por meio do dinheiro)... em última instância, acho que sobreviver mandando nos outros ou manipulando os outros (de maneira declarada ou de maneira sutil) é uma escolha pessoal. Acho que quando o netweaver revê suas necessidades e reorganiza suas expectativas sobre quantidades e formas de remuneração ele passa do dilema da sobrevivência para a situação de vivência... ele se preocupa menos em estar rico em dinheiro e se regozija mais em estar rico em inter-realização e bem-estar... e me parece que esse passo precisa ser um tanto radical para que realmente ocorra a transição.

Talvez possamos conversar, elaborar, trocar mais experiências e co-criar sobre diferentes formas de ser remunerado como netweaver, enfatizando as não-monetárias e até mesmo a remuneração por meio de moedas alternativas (aquelas que não estão submetidas a um controle centralizado estatal). Abraços!!

Legal Augusto! 

Se uma empresa qualquer lhe contratasse para um evento sobre netweaving, e vc tivesse liberdade para atuar como desejasse, você enxerga possibilidade em fazer este evento na forma de co-criação? Ou vc acredita que a maneira com que foi estabelecida esta relação de remuneração com vc impediria esta liberdade ou um evento seguindo tais princípios? Veja que, independente do que as pessoas estaria esperando normalmente, vc é que teria liberdade para fazer o encontro que lhe contrataram da maneira como achasse melhor.


Augusto de Franco disse:

A cocriação é isso, Marcelo. Estamos praticando semanalmente a cocriação livre, aberta e interativa. Não resolve o problema da sobrevivência do netweaver, mas mostra que é possível. Veja o quadro abaixo:



Marcelo Maceo disse:

Caro Augusto, ótima lembrança este link postado. Concordo plenamente quando diz que "o fundamental é fazer redes e não encontrar uma maneira de sobreviver com tal ocupação."

Mas gostaria de puxar um pouco a conversa aqui para a maneira do netweaver atuar quando contratado por organizações hierárquicas. A experiência da Vivianne, que lembra que isso depende muito do meio, das condições de contratação etc, são válidas e, claro, nos adaptamos a elas. Mas e se isso fosse livre? Se nos dessem liberdade para atuar da forma como quisermos para com o tema NETWEAVING, por exemplo. A maneira comum de se fazer, é com as palestras e cursos, sim. Mas penso que concordamos que não é a melhor maneira, tanto pela razão de ser um formato broadcast, quanto pela razão de que temos fortes indícios de que a sabedoria ou convicção de uma pessoa não articula ou fortalece o netweaving, mas sim, seu comportamento, a topologia que se possa formar a partir daí, o small bang.

Eu não sou um especialista em palestras, em workshops, cursos e nada do tipo. Mas creio que aqui na e=r há. E neste sentido, pensei se estas pessoas não teriam, ou a experiência, ou o background necessário para pensar uma idéia ou método diferente que venha de encontro com a própria natureza do netweaving.

Por exemplo, se alguém me contrata para passar a experiência sobre netweaving, e tivesse liberdade para sair dos moldes palestra, curso etc, eu não poderia sugerir uma situação ou de certa forma encadear algo que proporcionasse às pessoas presentes interagirem, se comportarem, de modo que ali possa ocorrer algo da fenomenologia da rede (ainda que conduzido para o fim proposto)? E que depois cada um compartilhasse como entendeu que se deu aquele comportamento, e a minha opinião a respeito do tema, ilustrando o fato, fosse colocada como mais uma dentre todas, que poderia ser usada como referência (ou não) pelos presentes? E na soma dos entendimentos não poderíamos ampliar a compreensão do tema entre todos?

Enfim, me desculpem se o exemplo foi tosco, como disse, não tenho expertise nisso, mas usei pra ilustrar o sentido de falar sobre netweaving se aproximando, de alguma forma possível, do fazer netweaving.

Pessoal, devo dizer que esta discussão aqui está ficando muito rica, não esperava que um questionamento tão simples pudesse atingir aspectos tão amplos, despertando interesse em aprofundamento em vários outros pontos que esbarramos por aqui. Viva a dinâmica da rede! :-)

Olá a todos...

Gostaria de comentar Fernando Cesar Pires Baptista em 2 pontos básicos

1) "...seria alguém que algumas vezes restringe fluxos e outras vezes libera fluxos??... será que é realmente necessária a tão frequente "restrição de fluxos - nossos ou dos outros - no presente para liberar fluxos no futuro"??... ou será que essa é uma prática que faz cada vez menos sentido..."

2) "...passa do dilema da sobrevivência para a situação de vivência... ele se preocupa menos em estar rico em dinheiro e se regozija mais em estar rico em inter-realização e bem-estar..."

 

A princípio, depois de ler todos até este ponto fiquei temerosa em comentar... me senti "leiga". Mas ao chegar no Fernando Cesar Pires Baptista apesar de "leiga" senti-me prática.

Explico:

Quando entrei aqui pela primeira vez (faz tempão), me encantei. Disse para mim mesma, esta é a minha praia. Parti logo para a ação e fui "decepada". Foi muito doloroso. Eu tinha certeza absoluta de que estava falando e propondo uma discussão em total sintonia com a proposta. Não fui interpretada assim e o fluxo que se iniciava foi bloqueado. Assimilei o ocorrido como uma reação de medo a ameaça de algo. Me calei e permaneci nos bastidores só olhando e assimilando até o dia em que li a primeira versão do  livrinho Hierarquia: Explorações na Matrix Realmente Existente . Neste momento senti-me plena. A conversa havia chegado onde eu propus anos atrás.

Essa ocorrência me faz crer que realmente o ponto 1 da questão deve ser profundamente analisado.

 

Em relação ao ponto 2 posso dar meu testemunho vivencial familiar. Venho "experenciando" a vida por esta "nova" ótica de remuneração não quantitativa, não monetária, nos últimos 10 anos (pelo menos).

Tem sido algo tão "esquisito" e maravilhoso ao mesmo tempo, tão inverosímel e passível de inveja que costumo dizer aos amigos com alguma frequência: nossas verdades são tão cabeludas que uma mentira mal contada convence mais. 

Poderia tentar traduzir minha explicação deste fato usando o dito popular "amor não enche barriga" e garantir aos senhores que enche não só a barriga.  Enche de saúde, de paz, de alegria, de coragem e, porque não dizer de fé. Fé de que é possível sim fazer interações sem remuneração/retorno calculado, sem hierarquia, sem ordem, restrições de nenhum tipo e ainda permanecer vivo neste planeta, neste tempo e espaço, com dignidade e bem estar.

Desculpem por mais uma verdade tão cabeluda. Não sei mentir. 

Há certo tempo estou querendo entrar em uma conversa assim, porque nos bastidores fico lendo e sentindo que há uma coincidência de vivências, pensamentos, sentimentos e experiências. No acompanhar da conversa o comentário do Fernando Baptista foi muito bom de se ler pelos dois pontos que a Sisi abordou.. e toca no fator "tempo", algo que venho refletindo. Vou falar do que todo mundo já sabe, uma fruta precisa de tempo pra amadurecer, uma semente quando é plantada precisa de tempo para que revele o que ela é em toda sua potencialidade.. os novos modos de trabalho irão surgir em meio ao cenário obsoleto, para tanto, este modo de pensar e viver tem que ser vivenciado/experimentado por mais pessoas, muitas vezes experimentando de dentro das estruturas hierárquicas, sim, mas o que me parece é que com a ampliação das redes e a maior conexão entre pessoas a "membrana" institucional - ou seja, aquilo que diz a todos que o que ali está, sob tais símbolos, cores, naquele lugar, com aquelas características é a empresa X - das organizações torna-se cada vez mais permeável.

Ao passo em que inovar é cada vez mais uma necessidade maior, a descoberta de que uma organização pode recorrer à mentes externas a sua "membrana" (só pra citar um exemplo) através de processos de cocriação e que isso potencializa a geração de inovações para ela será mais um modo em que redes, netweavers e as pessoas terão cada vez mais valor, até que as "membranas" cheguem a se dissolver. 

Então pessoalmente acho que quanto mais falarmos disso, quanto mais escrevermos, e quanto mais vivenciarmos/experimentarmos as atividades com a intenção de fazer o melhor possível no sentido de fazer bem, dar um bom exemplo, mais estaremos contribuindo pra disseminar essa cultura. Estar em uma hierarquia será inevitável pra alguns, mas sempre teremos margem para atuar com certa liberdade, por mais "aprisionado" que você esteja, há sempre um modo de pensar diferente e agir em rede. O grande desafio é enxergar e se ligar nessas oportunidades para não desperdiçá-las.

Exato, André! Tenho pensado muito nisso, conversado e experimentado nos últimos anos. Um exemplo do que vários de nós concluímos segue abaixo:



Acho que quando vc conhece  (intelectualmente, pelo estudo) e entende (quando vivência os fenômenos da interação distribuída), vive um processo de aprendizagem (só há aprendizagem quando há mudança - Pichon-Rivière, Maturana e imagino que muitos outros)  que transforma sua forma de fazer tudo o que faz, de ver a vida. Se vc passou por isso, independentemente de estar sendo contratado para fazer netweaving, quando vc faz as coisas de sua vida , esta aprendizagem estará presente no teu fazer. Os contextos onde atua, as pessoas que encontra, as composições que faz serão oportunidades maiores ou menores disso se desenvolver. Os papeis  que desenvolvemos nas interações são dinâmicos, instáveis, circulam. Não dependem só de nós. O estado de transição não é só dos ambientes, da organizações,  é interno tb, subjetivo. 

Um risco é achar que ser um netweaver te coloca  numa situação especial, diferenciada, em relação as outras pessoas, que vc tem algo muito singular para mostrar para elas.

Nas atividades de co-criação, world cafe e open space  que tenho vivenciado descobri que isso flui muito naturalmente desde que se crie um ambiente  favorável à interação aberta e não se incomode as pessoas presentes com metodologias e regras. Quanto menos vc estiver presente como netweaver e mais como pessoa, que tem informações e conhecimentos que podem se úteis e interessantes para as pessoas com quem está interagindo e os compartilha na conversa que está acontecendo, naturalmente, parece ser melhor. Tenho a impressão que netweaving como profissão só tem lugar em estruturas/processos verticalizados.

abraço

Caro Augusto, ótima lembrança este link postado. Concordo plenamente quando diz que "o fundamental é fazer redes e não encontrar uma maneira de sobreviver com tal ocupação."

Mas gostaria de puxar um pouco a conversa aqui para a maneira do netweaver atuar quando contratado por organizações hierárquicas. A experiência da Vivianne, que lembra que isso depende muito do meio, das condições de contratação etc, são válidas e, claro, nos adaptamos a elas. Mas e se isso fosse livre? Se nos dessem liberdade para atuar da forma como quisermos para com o tema NETWEAVING, por exemplo. A maneira comum de se fazer, é com as palestras e cursos, sim. Mas penso que concordamos que não é a melhor maneira, tanto pela razão de ser um formato broadcast, quanto pela razão de que temos fortes indícios de que a sabedoria ou convicção de uma pessoa não articula ou fortalece o netweaving, mas sim, seu comportamento, a topologia que se possa formar a partir daí, o small bang.

Eu não sou um especialista em palestras, em workshops, cursos e nada do tipo. Mas creio que aqui na e=r há. E neste sentido, pensei se estas pessoas não teriam, ou a experiência, ou o background necessário para pensar uma idéia ou método diferente que venha de encontro com a própria natureza do netweaving.

Por exemplo, se alguém me contrata para passar a experiência sobre netweaving, e tivesse liberdade para sair dos moldes palestra, curso etc, eu não poderia sugerir uma situação ou de certa forma encadear algo que proporcionasse às pessoas presentes interagirem, se comportarem, de modo que ali possa ocorrer algo da fenomenologia da rede (ainda que conduzido para o fim proposto)? E que depois cada um compartilhasse como entendeu que se deu aquele comportamento, e a minha opinião a respeito do tema, ilustrando o fato, fosse colocada como mais uma dentre todas, que poderia ser usada como referência (ou não) pelos presentes? E na soma dos entendimentos não poderíamos ampliar a compreensão do tema entre todos?

Enfim, me desculpem se o exemplo foi tosco, como disse, não tenho expertise nisso, mas usei pra ilustrar o sentido de falar sobre netweaving se aproximando, de alguma forma possível, do fazer netweaving.

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