Escola de Redes

UMA VISÃO INTERATIVISTA DA APRENDIZAGEM

Abstract

A aprendizagem é um processo interativo. Somente redes podem aprender. A aprendizagem ocorre em seres vivos (organismos, partes de organismos e ecossistemas) e em redes de seres vivos (conjuntos de seres vivos em interação), em redes de seres não-vivos (capazes de interagir) e em seres sociais (pessoas ou redes de pessoas). O animal humano (o indivíduo da espécie homo sapiens) pode aprender por meio de processos que são comuns aos seres vivos. Esses processos são interativos (não-instrutivos). Os seres humanos podem aprender por meio de processos que não são comuns aos seres vivos, mas que ocorrem apenas entre humanos: esta é a aprendizagem tipicamente humana. Na aprendizagem tipicamente humana quem aprende é a pessoa. Quando aprende, a pessoa se modifica. A pessoa se modifica quando muda de comportamento no relacionamento com outras pessoas (alostase social). Quando a pessoa se modifica, modificam-se necessariamente a topologia e a dinâmica do emaranhado (a rede) onde ela está e é (quer dizer, existe como pessoa). Quando a pessoa se modifica, criam-se novos mundos sociais (novos emaranhados, novas redes). Toda aprendizagem tipicamente humana é criativa, não reprodutiva. O único fundamento da aprendizagem tipicamente humana é a liberdade (que depende da livre-interação entre pessoas). Toda aprendizagem tipicamente humana é livre-aprendizagem. A livre-aprendizagem é criativa: é uma criação-entre (alterpoiese).

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ALGUMAS REFERÊNCIAS TEÓRICAS

Está em curso, nos últimos cinco anos, o desenvolvimento de uma nova visão da aprendizagem que chamamos de Teoria Interativista da Aprendizagem e que é, mais precisamente, uma teoria da aprendizagem (tipicamente) humana. 

Claro que nenhuma teoria surge do zero e todas as ideias são clones de outras ideias. As principais referências dos investigadores conectados à Escola-de-Redes que estão trabalhando essa nova visão são as recentes descobertas da Nova Ciência das Redes. Ou melhor, existe um conjunto de pessoas que escreveram sobre educação cujas visões foram relidas à luz das descobertas da Nova Ciência das Redes. Dentre estas, valem ser citadas agora pelo menos algumas:

TOLSTOI, Leon (1862). Da Instrução Popular in Obras Pedagógicas. Moscou: Edições Progresso, 1988.

NIETZSCHE, Friedrich (1888). Os "melhoradores" da humanidade, Parte 2 e O que falta aos alemães, Parte 5 in O crepúsculo dos ídolos, ou Como filosofar com o martelo. Disponível no link:http://goo.gl/RXudb3

KRISHNAMURTI, Jiddu (1964). A mente sem medo. São Paulo: Cultrix, s/d.

KRISHNAMURTI, Jiddu (1972) em "A única revolução" (originalmente intitulado "A outra margem do caminho", organizado por Mary Lutyens). São Paulo: Terra Sem Caminho, 2002.

ILLICH, Ivan (1970). Sociedade sem escolas. Petrópolis: Vozes, 1985.

FOUCAULT, Michel (1975). Os recursos para o bom adestramento in Vigiar e punir. Petrópolis: Vozes, 1999.

ROGERS, Carl (1952). Reflexões pessoais sobre ensinar e aprender in Tornar-se pessoa (1961), Capítulo XI. São Paulo: Martins Fontes, 1976.

ROGERS, Carl (1980). Para além do divisor de águas: onde agora? in Um jeito de ser. São Paulo: EPU, 1987.

MATURANA, Humberto (1982). Aprendizaje o deriva ontogénica. Disponível no link: http://goo.gl/ehFPcz

HOLT, John (1989). Aprendendo o tempo todo. Campinas: Versus, 2006.

VARELA, Francisco (1991). Organism: a meshwork of selfness selves. In TAUBER, F. (ed.), Organism and the origin of self. Dordrecht: Kluwer Assoc., 1991.

MATURANA, Humberto (1992). Vinte Anos Depois (Prefácio de Humberto Maturana Romesin à segunda edição). In MATURANA, Humberto e VARELA, Francisco (1992). De máquinas e seres vivos. Autopoiese: a organização do vivo. Artes Médicas: Porto Alegre, 1997.

VARELA, Francisco (1992). Prefácio de Francisco J. García Varela à segunda edição. In MATURANA, Humberto e VARELA, Francisco (1992). Op. cit.

MATURANA, Humberto (1993). Conversações matrísticas e patriarcais in Amar e Brincar: fundamentos esquecidos do humano (com Gerda Verden-Zoeller). São Paulo: Palas Athena, 2009.

SIEMENS, George (2004): Conectivismo: una teoría de la aprendizage para la era digital. Disponível no link https://drive.google.com/folderview?ddrp=1&id=0B-YLV8egGwSuN2Zv...#

SIEMENS, George (2008): Uma breve história da aprendizagem em rede. Disponível no link http://pt.slideshare.net/augustodefranco/uma-breve-historia-da-apre...

É claro que isso não é tudo. Todos os que estão investigando o tema têm sido muito influenciados também: por Jean Vigo (1933), no filme Zero de Conduta; por Isaac Asimov (1988), na entrevista que concedeu a Bill Moyers; pela fala de Logan LaPlante no TEDx University of Nevada; por François Truffaut (1959), no filme Os incompreendidos; pela magistral apresentação de Ken Robinson (2006) no TED; por Michael Haneke (2009), no filme A Fita Branca; por Renata Meirelles e David Reeks (2012) no curta Capitão Menino; por Sugata Mitra (2013), na sua fala no TED intitulada Construa uma escola na nuvem; por German Doin (2012), no documentário A educação proibida; por Alexandre Basso e Lia Mattos (2013) em Mitã; e por muitos, muitos outros. 

Isso para não falar da literatura específica sobre redes e temas correlatos (cuja lista é muito extensa para ser reproduzida aqui).

Como produção própria temos ainda as seguintes referências principais:

FRANCO, Augusto & LESSA, Nilton (2012). Multiversidade: da universidade dos anos 1000 à multiversidade nos anos 2000. São Paulo: Escola-de-Redes, 2012.

FRANCO, Augusto (2012). Cocriação: reinventando o conceito. Disponível no link http://escoladeredes.net/group/co-criacao/forum/attachment/download...

FRANCO, Augusto (2014). Sete aprendizagens sobre inovação na sociedade-em-rede. Disponível no link: http://pt.slideshare.net/augustodefranco/sete-aprendizagens-sobre-i...

FRANCO, Augusto (2014). OpenScience. Roteiro para uma investigação aberta. São Paulo: Escola-de-Redes, 2014.

FRANCO, Augusto (2015): A livre-aprendizagem na sociedade-em-rede. No prelo.

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