Escola de Redes

Estou escrevendo um artigo (que depois vou postar aqui) sobre redes sociais e globalização. Pesquisando sobre esse segundo ponto, encontrei a seguinte afirmação de Néstor Canclini: "a globalização não consiste na disponibilidade de tudo para todos,
nem da disponibilidade generalizada de entrar em todos os lugares. É impossível entendê-la sem as chamas da interculturalidade e da exclusão, sem as defesas cruéis do racismo e das disputas, amplificadas em escala mundial, para marcar a diferença entre o outro que escolhemos e o vizinho compulsório. Globalização sem a interculturalidade é o que se chama de “OCNI” – objeto cultural não identificado".
Ai, temos o Augusto de Franco que afirma serem as redes distribuídas altamente democráticas, igualitárias e includentes. E, pra ajudar a embaralhar tudo, temos Martín Barbero alegando estarmos vivendo as contradições de uma modernização compulsória, que atribui papel expressivo aos meios de comunicação de massa, ao mesmo tempo em que perpetua desigualdades sociais gritantes. Redes sociais são as pessoas. Internet e seus aplicativos são ferramentas que muitas vezes não estão disponívies para todos e são entendidas por muitos como as redes sociais em si. Qual seria a resposta para a afirmação de que as redes sociais corroboram para a perpetuação das desigualdades?

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Respostas a este tópico

Prezada Juliana! Conheces o autor: Milton Santos, Geógrafo??? Caso não conheças ainda, vale apena dar uma conferida nas publicações dele!!! Ele fala muito sobre redes, globalziação, além de outros temas pertinentes e, sob uma perspectiva singular... Te envio em anexo algumas sugestões... Espero ter ajudado, Abraços!
Anexos
Oi, Ivete. Eu conhecia o livro do Milton Santos, Por uma outra globalização - do pensamento único à consciência universal. O outro que você mandou eu não conhecia. Muito obrigada!!
Juliana, não vou fazer nenhuma reflexão teórica, apesar da minha opinião ter sido formada a partir de pesquisas, leituras, e conversas acadêmicas também. Mas parto também do meu conhecimento comum, que vem da observação da vida e das minhas concepções...
As redes são um projeto filosófico, ideológico e político, baseado em uma forma de organização social revolucionária. Ao mesmo tempo, para se formarem as redes é preciso resgatar princípios tradicionais de comunidade e buscar também mais conexão com os princípios sobre os quais se organiza a vida, os ecossistemas, o planeta, o cosmos.
Acho que a liberdade proposta pelas redes é sobretudo a liberdade de pensar e fazer diferente. Uma liberdade de questionar a "matrix" e perceber que o mundo não "é" assim, mas "está" assim, e nossa ação pode reproduzir ou transformar essa realidade.
As redes criam campo para uma ação política dialógica, crítica, revolucionária, democrática e libertadora. Mas isso não significa que experimentaremos isso num primeiro momento, de forma global. Estamos agindo como vírus, que se infiltram na estrutura padrão e criam, a partir dela, sua forma peculiar de vida. Mas se nos mantivermos abertos e ativos, podemos contaminar muitas células, e quem sabe, formar um corpo próprio. Agimos sem quebrar de uma vez a globalização capitalista massificadora... (Ela vai quebrar por si). Mas construímos, paralelamente e no interior dela uma possilibilidade nova, criativa...
Enfim. Numa estrutura mareada por desigualdades, que as redes sejam perpetuadoras de diversidades e de conexões entre os que querem a LIBERDADE!
Olá, acabei de postar um tópico de discussão que nao se distancia muito da sua questão, por isso, tentarei dar minha contribuição.

Castells diz que a Internet é uma extensão da vida como ela é, em todas as suas dimensões e sob todas as suas modalidades (2003, pg100). Concordo com ele, nao vejo diferença entre o grupo que se reúne para debater um tema, online, como nós estamos fazendo neste momento e outro que se reúne num condomínio para um encontro informal de amigos. Da mesma forma que nós estamos "excluindo" da nossa discussão a possibilidade de participação de outras pessoas, porque eles não têm acesso à Internet, o grupo que se encontra para o churrasco também exclui aqueles que estão do outro lado do muro... Não são as redes sociais que corroboram para a perpetuação das desigualdades, essas são frutos de outros fatores, como as diferenças sociais e culturais, que sempre permearam nossas sociedades.

No entanto, ao contrário do grupo do condomínio (em geral formado por brancos e bem sucedidos) que jamais irá abrir seus pesados portões para o acesso daqueles que vivem do outro lado da rua, quase sempre marginalizados e mal vistos, as redes sociais nao fazem esse tipo de distinção, e sim estão unidas por afinidades que dizem mais que valores materiais, como o nosso interesse em dialogar sobre o problema que voce aborda.

Por isso somos "melhores" que o grupo o condomínio? Não, se estamos falando sobre Canclini, Martin Barbero e Manuel Castells, somos parte de uma "elite cultural" e isso por si só já significa exclusão de muitos outros, mesmo que tenham acesso à rede.

Não há uma resposta única, há sim tentativas de compreensão do fenômeno, que comporta múltiplas visões, que passa pelas mais intrincadas teorias, mas que também podem ser compreendidas com simplicidade: a Internet (e as redes sociais que ela comporta) é uma evolução, fruto da inteligencia humana, uma ferramenta poderosa e que reflete nossa "realidade"...


CRISTINA VALÉRIA FLAUSINO disse:
Olá, acabei de postar um tópico de discussão que nao se distancia muito da sua questão, por isso, tentarei dar minha contribuição.

Castells diz que a Internet é uma extensão da vida como ela é, em todas as suas dimensões e sob todas as suas modalidades (2003, pg100). Concordo com ele, nao vejo diferença entre o grupo que se reúne para debater um tema, online, como nós estamos fazendo neste momento e outro que se reúne num condomínio para um encontro informal de amigos. Da mesma forma que nós estamos "excluindo" da nossa discussão a possibilidade de participação de outras pessoas, porque eles não têm acesso à Internet, o grupo que se encontra para o churrasco também exclui aqueles que estão do outro lado do muro... Não são as redes sociais que corroboram para a perpetuação das desigualdades, essas são frutos de outros fatores, como as diferenças sociais e culturais, que sempre permearam nossas sociedades.

No entanto, ao contrário do grupo do condomínio (em geral formado por brancos e bem sucedidos) que jamais irá abrir seus pesados portões para o acesso daqueles que vivem do outro lado da rua, quase sempre marginalizados e mal vistos, as redes sociais nao fazem esse tipo de distinção, e sim estão unidas por afinidades que dizem mais que valores materiais, como o nosso interesse em dialogar sobre o problema que voce aborda.

Por isso somos "melhores" que o grupo o condomínio? Não, se estamos falando sobre Canclini, Martin Barbero e Manuel Castells (e claro, Augusto), somos parte de uma "elite cultural" e isso por si só já significa exclusão de muitos outros, mesmo que tenham acesso à rede.

Não há uma resposta única, há sim tentativas de compreensão do fenômeno, que comporta múltiplas visões, que passa pelas mais intrincadas teorias, mas que também podem ser compreendidas com simplicidade: a Internet (e as redes sociais que ela comporta) é uma evolução, fruto da inteligencia humana, uma ferramenta poderosa e que reflete nossa "realidade"...

As redes sociais de hoje causam uma grande preocupação, ou pertubação para o Estado. Hoje vivemos na sociedade do imediatismo, e é o que as redes sociais e a internet que faz, uma sociedade mais arogante, onde tudo o que se quer tem que ser para agora, vivemos atrasados, mais não toleramos atrasos dos outros para com níe.

Mais voltando para a globalização, é uma questão de "assombro" hoje para o Estado, a maior preocupação que se tem vem devido as redes sociais e internet, que corrompe a sociedade na visão estatal, pois o jogo dele é a grande controlação de massas, a toda hora nós como indivíduos estamos sendo rastreado, 24 horas por dia, a anos atrás se discutia a possibilidade de implantar chip nas pessoas para saber onde estão, e tanto que hoje temos algo que nos preende ao Estado a internet, o celular eles pode nos rastrear a qualquer hora, mais o jogo de hoje é a sociedade de controle de "gerenciamento" onde um indivíduo é quem cuida do outro, principalmente se ele não gosta de você.

O Estado manda, organiza, controla tudo. E a preocupação de hoje são as redes sociais, por que contolar indivíduos é fácil demais, tanto que a toda hora estamos sendo vigilados, "pnóptico" um olhar está sempre todos nós. Mas não tem como controlar o sociedade Globalizada com as redes sociais, hoje milhões de indivíduos estão conectados, e a todo tempo armam passeatas, revoltas contra o Estado, Grandes Greves, divulgam assasinatos, crimes que irão cometer no dia seguinte, emfim, milhares de possibilidades de pessoas que tem a "livre liberdade" para expor suas opiniões nas redes sociais.

Não pense que para o governo a internet é boa. Ela é um dos grandes motivos de dor de cabeça.

Marcelo Marques.. Acadêmico de Filosofia Faculdade São Luiz Brusque.

Olá Juliana, escrevi sobre o tema neste artigo: Comunidades imaginadas e classificações folcsonômicas como manifest.... Em geral, a argumentação é de que as ferramentas/mídias para redes sociais dão um suporte especial para os sujeitos interculturais (segundo a concepção de interculturalidade do Canclini).

Mas acho muito interessante o seu ponto. Acredito que é um reposicionamento das desigualdades, justamente porque aproxima pessoas antes desconectadas -- mas que também afasta os que antes eram próximos.

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