Escola de Redes

Na reunião do nodo SP em 12/2, coloquei uma visão que eu gostaria de deixar registrada e compartilhar com todos vocês.
Vejo redes sociais sem romantismo (tipo "lugar para fazer amigos"), e sim como uma matriz de modelos organizacionais que podem ser poderosos instrumentos de transformação social. Não são necessariamente "do bem". Os malfeitores as sabem utilizar muito bem (Al Qaeda, PCC, traficantes de drogas, armas e pessoas etc.). Estão por aí, em todo canto.
Nós, cidadãos e organizações privadas e públicas, é que estamos atrasados na apropriação desses conceitos para objetivos legítimos, e em grande parte esse atraso se deve à hegemonia da sabedoria convencional das teorias de administração que se aprende nas escolas. Só um exemplo: o ensino mais "moderno" que se faz hoje sobre gestão de projetos nas escolas de maior reputação é fortemente permeado por um neotaylorismo reducionista (o famoso PMBOK - Project Management Book of Knowledge é um caso extremo). Ou seja, os operadores da gestão empresarial na faixa dos 30 a 50 anos estão sendo formados, premiados e certificados com conceitos retardados, enquanto as máfias, incluindo as do nosso Legislativo, operam em redes de autocomplacência e levam ao descrédito a idéia de democracia e cidadania.

Dito isso, a proposta que pretendo explorar nos fóruns em que puder participar é a de que redes sociais fazem sentido para dar eficácia e eficiência a processos organizacionais e societais. E que, tais processos, se forem embasados em redes sociais e não em processos clássicos de divisão de trabalho, podem merecer ser chamados de processos inteligentes.

Exemplo na sociedade: processo de controle social da qualidade de atendimento dado pelos médicos de um convênio. Vejam o modelo "Patient Opinion" criado na Inglaterra., que transforma a humilhação individual em um rugido coletivo através de indicadores que servem para que cada um escolha seu médico. Vejo um desafio enorme pela frente na criação de tais processos na segurança pública, na gestão ambiental etc., com papéis a serem desempenhados por síndicos de condomínios, taxistas etc. Ou seja, a criação de uma governança democrática baseada em redes sociais.

Exemplo na empresa: processo de venda de cartões de crédito. Milhares de pessoas espalhadas cada uma numa agência de uma rede bancária podem estar unidas, aprendendo umas com as outras, através de uma rede social. No jargão das empresas, isso se chama comunidade de prática, e nesse caso tem uma coisa muito prática por trás: o desenvolvimento de competências para vender cartão de crédito.

Gostaria muito de discutir aqui essas especulações, e obter subsídios teóricos para torná-las mais robustas. Na vida profissional, estou priorizando casos em que eu possa por em prática essas idéias, e porisso estou buscando mais conhecimento sobre análise e gestão de redes sociais. Acredito que minha ênfase em gestão entre em choque com aqueles que apostam na emergência espontânea. Eu não aposto que ela seja suficiente, e sim que ela tenha uma grande energia potencial, mas que precisa de governança para se transformar em energia cinética.

Vou parar por aí.
Gostaria muito de ouvir vocês.
Aos poucos, neste ano, vou acrescentando aqui casos práticos nos quais estiver envolvido.
E no KM-SP, em agosto, provavelmente teremos uma mesa sobre isso.

Um forte abraço a todos
Sérgio Storch

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Há um critério prático que funciona sempre nessa história de ver se estamos ou não (ou, a rigor, em que medida estamos) em uma hierarquia. É um teorema: se você não pode obstruir, separar ou excluir então não há estrutura de poder (hierarquia). A rigor, a formulação desse teorema deveria ser assim: quanto menos você pode obstruir (fluxos), separar (clusters) ou excluir (nodos), mais distribuída (ou menos centralizada) é a rede social. Daqui podem sair corolários que podem ser validados pela lógica formal.

Na versão menos precisa: se há estrutura de poder (hierarquia) então você pode obstruir, separar e excluir. Na versão mais precisa: quanto mais centralizada (ou menos distribuída) for a rede social, mais você pode obstruir (fluxos), separar (clusters) ou excluir (nodos).

Como dizia meu velho Plinio Sussekind Rocha (fiz parte da última geração de seus discípulos em filosofia da ciência nos idos da década de 70) "o resto é literatura".
Queridos
Tenho a oportunidade de retribuir à Escola de Redes o muito que aprendi com vocês nesses dois anos, e que continuarei a aprender no futuro. Estendo a todos o convite abaixo:
____________________________

Caros amigos
Fui o articulador da vinda da Verna Allee para o KM Brasil, onde ela será keynote speaker. Depois do evento ela fará uma tournée que estou coordenando, passando pela Volvo, Petrobras e IPEA.

Temos a oportunidade de tê-la em SP conosco no próximo sábado. Gostaria de convidar todos vocês para um workshop, que certamente contribuirá para o desenvolvimento de novas competências, na aplicação da metodologia Análise de Redes de Valor, na qual ela é pioneira. A análise de redes de valor incorpora a Análise de Redes Sociais, mas se estende à identificação dos fluxos de valores intangíveis nas redes e à sua mensuração. É importante instrumento para o planejamento estratégico, para o desenvolvimento de clusters de empresas em rede (e, portanto, também para desenvolvimento regional), e para a avaliação de ativos intangíveis (que hoje passa a ser requerida pela CVM e pelas instituições do mercado de capitais). De minha parte, estou especialmente interessado no desenvolvimento de processos inteligentes.(vejam nesse link a discussão que trouxe importantes contribuições dos amigos na Escola de Redes um ano atrás).

O espaço nos foi gentilmente concedido pela Olhar Sistêmico, do amigo Almir Nahas, que também participará do workshop.

As inscrições são pela ordem de confirmação (limite 25, dos quais estou reservando 10 para os co-aprendizes da E=R). Portanto, confirme rapidamente para assegurar sua vaga. Peço o seguinte: se você vê interesse em se capacitar nessa metodologia, inscreva-se. Se é apenas curiosidade, não se inscreva, para permitir que o limite de 25 sirva para que plantemos uma semente efetiva para capacitação de uma massa crítica de pessoas interessadas no negócio de desenvolver projetos com essa metodologia.

Se você é de SP, manifeste seu interesse por email para sergiostorch@gmail.com, com referência "Verna Allee - SP", e eu confirmarei sua inscrição (dependendo do limite) até 5a feira.

Se você é de Curitiba, Porto Alegre, Rio ou Brasília, faça o mesmo, mas com "Verna Allee - Porto Alegre", "Verna Allee - Curitiba", "Verna Allee - Rio" ou "Verna Allee - Brasília", onde também haverá atividades com ela. Porto Alegre (3/11 no KM Brasil - inscreva-se lá , e 4/11 em local a ser definido, se tivermos massa crítica) , Curitiba em 5/11, Rio em 8/11, Brasília em 9/11), e mandarei para vocês a programação em cada um desses locais.

* Sábado, 6/11, 9:00-13:00
* Local: Olhar Sistêmico - Rua Oscar Porto, 670 (próx. esq. Sampaio Vidal, 10min Metrô Paraíso)
* Saiba mais sobre Verna Allee e a Análise de Redes de Valor:
* ou um aperitivo em 5 minutos no youtube:Business Process Networks


PS: só poderemos nos comunicar no workshop em inglês, portanto se você não tem proficiência, não vale a pena participar.

Um abraço a todos

Sérgio Storch
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