Escola de Redes

Na reunião do nodo SP em 12/2, coloquei uma visão que eu gostaria de deixar registrada e compartilhar com todos vocês.
Vejo redes sociais sem romantismo (tipo "lugar para fazer amigos"), e sim como uma matriz de modelos organizacionais que podem ser poderosos instrumentos de transformação social. Não são necessariamente "do bem". Os malfeitores as sabem utilizar muito bem (Al Qaeda, PCC, traficantes de drogas, armas e pessoas etc.). Estão por aí, em todo canto.
Nós, cidadãos e organizações privadas e públicas, é que estamos atrasados na apropriação desses conceitos para objetivos legítimos, e em grande parte esse atraso se deve à hegemonia da sabedoria convencional das teorias de administração que se aprende nas escolas. Só um exemplo: o ensino mais "moderno" que se faz hoje sobre gestão de projetos nas escolas de maior reputação é fortemente permeado por um neotaylorismo reducionista (o famoso PMBOK - Project Management Book of Knowledge é um caso extremo). Ou seja, os operadores da gestão empresarial na faixa dos 30 a 50 anos estão sendo formados, premiados e certificados com conceitos retardados, enquanto as máfias, incluindo as do nosso Legislativo, operam em redes de autocomplacência e levam ao descrédito a idéia de democracia e cidadania.

Dito isso, a proposta que pretendo explorar nos fóruns em que puder participar é a de que redes sociais fazem sentido para dar eficácia e eficiência a processos organizacionais e societais. E que, tais processos, se forem embasados em redes sociais e não em processos clássicos de divisão de trabalho, podem merecer ser chamados de processos inteligentes.

Exemplo na sociedade: processo de controle social da qualidade de atendimento dado pelos médicos de um convênio. Vejam o modelo "Patient Opinion" criado na Inglaterra., que transforma a humilhação individual em um rugido coletivo através de indicadores que servem para que cada um escolha seu médico. Vejo um desafio enorme pela frente na criação de tais processos na segurança pública, na gestão ambiental etc., com papéis a serem desempenhados por síndicos de condomínios, taxistas etc. Ou seja, a criação de uma governança democrática baseada em redes sociais.

Exemplo na empresa: processo de venda de cartões de crédito. Milhares de pessoas espalhadas cada uma numa agência de uma rede bancária podem estar unidas, aprendendo umas com as outras, através de uma rede social. No jargão das empresas, isso se chama comunidade de prática, e nesse caso tem uma coisa muito prática por trás: o desenvolvimento de competências para vender cartão de crédito.

Gostaria muito de discutir aqui essas especulações, e obter subsídios teóricos para torná-las mais robustas. Na vida profissional, estou priorizando casos em que eu possa por em prática essas idéias, e porisso estou buscando mais conhecimento sobre análise e gestão de redes sociais. Acredito que minha ênfase em gestão entre em choque com aqueles que apostam na emergência espontânea. Eu não aposto que ela seja suficiente, e sim que ela tenha uma grande energia potencial, mas que precisa de governança para se transformar em energia cinética.

Vou parar por aí.
Gostaria muito de ouvir vocês.
Aos poucos, neste ano, vou acrescentando aqui casos práticos nos quais estiver envolvido.
E no KM-SP, em agosto, provavelmente teremos uma mesa sobre isso.

Um forte abraço a todos
Sérgio Storch

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Respostas a este tópico

Hola Lia
Muito bom você ter colocado a diferença entre "liderança" e "facilitação".
Isso me facilita comentar especificamente um ponto que me parece ser onde estamos divergindo: para mim a facilitação não resolve os problemas que requerem liderança de fato.
Talvez seja nesse ponto que estou tendo também problemas em aceitar a tese do Augusto de que na rede não há hierarquias. Foi ótimo ele ter também separado a ideia de hierarquias de outro tipo.

Quero, portanto, defender meu entendimento:
Creio que sim, liderança é necessária na organização em rede, e não se trata de facilitação. É liderança mesmo, no sentido de: trazer novas visões e propor prioridades, conquistar corações e mentes para essas novas visões, agregar energias da rede para perseguir as novas visões, e até mesmo investir por conta própria mais energias do que os outros investem para que a visão se materialize. Caso concreto aqui é o próprio Augusto. Denominar isso como facilitação é, a meu ver, empobrecer o conceito de liderança, desnecessariamente. Além disso, há toda uma tradição de pesquisa e pensamento sobre liderança que não temos motivo para não aproveitar. Uma contribuição bem recente, que ainda não li mas quero ler com mais quem estiver interessado é Vejam Howard Gardner, LEADING MINDS: ANATOMY OF LEADERSHIP.

2. Hierarquia dentro de redes humanas distribuídas. Vejo isso como tema relacionado ao anterior. Por que? Tento fundamentar essa convicção teórica com o seguinte: lembro-me de ter lido há 30 anos um debate entre Chomsky e Skinner no jornal Opinião, sobre a importância da cognição humana, e o reducionismo que é analisar o indivíduo apenas no nível do comportamento. Hierarquia, para mim, se faz necessária, e é natural, em vista das diferenças em conhecimentos, habilidades e atitudes inerentes a nossa espécie. Creio que os modelos biológicos explicam parte de nossos fenômenos sociais, mas apenas parte. A psique individual e a psique coletiva não podem ser explicadas apenas pelo biológico. Os modelos de inteligência coletiva trazem muitas luzes para nosso entendimento, mas não suficientes.

Creio que mesmo no campo de estudos da complexidade existam essas sutilezas. Preciso estudar mais sobre isso para poder fundamentar, mas creio que haja diferenças básicas nesse aspecto entre as visões de Maturana e de Morin. Para avançar nesse ponto, convidarei para essa discussão a Neli Mengalli, que uma vez me fez ver algumas dessas diferenças.

3. Acho que o Boyle traz essa questão de forma clara, quando se refere a "concorrência" versus hierarquia. "¿Qué diferencia habría entonces entre concurrencia y jerarquía? Le dimos muchas vueltas a la cosa y creo tener la respuesta. La diferencia es la alternancia. La concurrencia es variable, la jerarquía es estática, inamovible.". Mas eu quero ainda assim argumentar o seguinte: se nominarmos como não sendo hierarquia, podemos deixar passar a oportunidade de contribuirmos para uma visão transformadora da hierarquia e da liderança, com base em todo o legado que temos de pesquisas nesses temas.

Eu chamaria de hierarquias dinâmicas e múltiplas, ou algo assim, para caracterizar que as necessidades de hierarquia existem dentro das redes humanas, diferentemente talvez dos outros animais sociais.

PS: quero enfatizar aqui a minha gratidão a todos, e especialmente ao Augusto. Este é o momento em que mais me sinto participando de fato de uma Escola.

Um abraço a todos

Sérgio
De acuerdo Sergio, la estatizacín de la jerarqía entonces se consetituye en poder

Sergio Storch disse:
Hola Lia
Muito bom você ter colocado a diferença entre "liderança" e "facilitação".
Isso me facilita comentar especificamente um ponto que me parece ser onde estamos divergindo: para mim a facilitação não resolve os problemas que requerem liderança de fato.
Talvez seja nesse ponto que estou tendo também problemas em aceitar a tese do Augusto de que na rede não há hierarquias. Foi ótimo ele ter também separado a ideia de hierarquias de outro tipo.

Quero, portanto, defender meu entendimento:
Creio que sim, liderança é necessária na organização em rede, e não se trata de facilitação. É liderança mesmo, no sentido de: trazer novas visões e propor prioridades, conquistar corações e mentes para essas novas visões, agregar energias da rede para perseguir as novas visões, e até mesmo investir por conta própria mais energias do que os outros investem para que a visão se materialize. Caso concreto aqui é o próprio Augusto. Denominar isso como facilitação é, a meu ver, empobrecer o conceito de liderança, desnecessariamente. Além disso, há toda uma tradição de pesquisa e pensamento sobre liderança que não temos motivo para não aproveitar. Uma contribuição bem recente, que ainda não li mas quero ler com mais quem estiver interessado é Vejam Howard Gardner, LEADING MINDS: ANATOMY OF LEADERSHIP.

2. Hierarquia dentro de redes humanas distribuídas. Vejo isso como tema relacionado ao anterior. Por que? Tento fundamentar essa convicção teórica com o seguinte: lembro-me de ter lido há 30 anos um debate entre Chomsky e Skinner no jornal Opinião, sobre a importância da cognição humana, e o reducionismo que é analisar o indivíduo apenas no nível do comportamento. Hierarquia, para mim, se faz necessária, e é natural, em vista das diferenças em conhecimentos, habilidades e atitudes inerentes a nossa espécie. Creio que os modelos biológicos explicam parte de nossos fenômenos sociais, mas apenas parte. A psique individual e a psique coletiva não podem ser explicadas apenas pelo biológico. Os modelos de inteligência coletiva trazem muitas luzes para nosso entendimento, mas não suficientes.

Creio que mesmo no campo de estudos da complexidade existam essas sutilezas. Preciso estudar mais sobre isso para poder fundamentar, mas creio que haja diferenças básicas nesse aspecto entre as visões de Maturana e de Morin. Para avançar nesse ponto, convidarei para essa discussão a Neli Mengalli, que uma vez me fez ver algumas dessas diferenças.

3. Acho que o Boyle traz essa questão de forma clara, quando se refere a "concorrência" versus hierarquia. "¿Qué diferencia habría entonces entre concurrencia y jerarquía? Le dimos muchas vueltas a la cosa y creo tener la respuesta. La diferencia es la alternancia. La concurrencia es variable, la jerarquía es estática, inamovible.". Mas eu quero ainda assim argumentar o seguinte: se nominarmos como não sendo hierarquia, podemos deixar passar a oportunidade de contribuirmos para uma visão transformadora da hierarquia e da liderança, com base em todo o legado que temos de pesquisas nesses temas.

Eu chamaria de hierarquias dinâmicas e múltiplas, ou algo assim, para caracterizar que as necessidades de hierarquia existem dentro das redes humanas, diferentemente talvez dos outros animais sociais.

PS: quero enfatizar aqui a minha gratidão a todos, e especialmente ao Augusto. Este é o momento em que mais me sinto participando de fato de uma Escola.

Um abraço a todos

Sérgio

Tonteras (ou tonterías?) inspiradas pela Lía, aqui e ali. Obrigado Lía!

Car@s tod@s.
Que falta nos faz os tais "óculos de ver rede", não é mesmo? Acredito que teríamos uma grande surpresa com o que veríamos ao usá-los...

Teorias, conceitos, gráficos e modelos matemáticos só podem "ver" aquilo que, primariamente, permitimos que pudessem perceber. Sempre estará em questão a percepção/concepção original de pessoa/sociedade/universo que o concebedor já tinha sobre o concebido. E sobre o que o motiva.
Como agravo, os conceitos e instrumentos não são utilizados só por quem os cria. Pelo contrário, são apropriados por todos que deles tomam conhecimento e vêem nele "valor", mas cada um com suas próprias percepções/concepções e motivações. Não se trata, é claro, de não se criar conceitos ou modelos. Trata-se de não perder de vista de que não são "reais" e de que são, invariavelmente, instrumentais (possuem, na sua origem, concepções de universo e motivações).

Correndo o risco de ser demasiado simplista, cito a resposta de Matisse ao observador que ria do cachorro azul na sua obra: "Senhor, isto não é um cachorro, é um quadro!"

E insistindo no simplismo: Dificilmente encontraremos hoje um físico (Augusto?) que discorde da afirmação de que o átomo "não existe". Mas a bomba atômica "existe"!

Não podemos atribuir nossa incapacidade em nos livrármos de tais "amarras antropocêntricas" a falta de insights libertadores, por exemplo:
"So'Ham" (Eu Sou) - dos Vedas
"Tudo que está em cima, está em baixo também" (Alquimistas)
"O Cosmo é fractal, o fractal é o Cosmo" (Mandelbrot ?)
"A pessoa é a rede" (Augusto)
...

"De qualquer forma gostaria de entender como fenômenos de qualidades diferentes se relacionam num mesmo sistema." (Viviane). A pergunta que me ocorre é "para que"? (não pergunto ao Sérgio, pois creio que deixou claro no texto de introdução deste fórum) Acredito que a(s) resposta(s) a essa pergunta é fator determinante para o resultado da investigação em curso.

"Falamos, falamos, falamos sobre redes, mas - naquilo que julgamos fundamental para a nossa sobrevivência e para nossa carreira - ainda nos organizamos hierarquicamente." (Augusto)

"Você é o inimigo" (Idem)

Fraternais abraços a tod@s.

Oi Sérgio. Creio que vamos retroceder em relação ao que já avançamos se deformarmos as premissas. Estamos discutindo isso desde que apareceu esta escola. Minha posição já estava expressa no texto FRANCO, Augusto (2008): É possível sem um mínimo de hierarquia?. Depois, quando já se articulava esta Escola-de-Redes, publiquei um texto mais rigoroso sobre o tema: FRANCO, Augusto (2009): O poder nas redes sociais

Então vamos lá.

Não sustento a tese de que "na rede não há hierarquias". O que digo é que nas redes sociais distribuídas (por convenção: mais distribuídas do que centralizadas) a hierarquia vai sendo desconstituída (em prol da distribuição). Do ponto de vista topológico hierarquização é sinônimo de centralização. Distribuição é o antônimo de hierarquização.

Também não sou contra a liderança nas redes sociais. Sou tão a favor da liderança que constato que nas redes sociais distribuídas (por convenção: mais distribuídas do que centralizadas), manifesta-se o fenômeno da emersão de multiliderança. O problema não é a liderança e sim a monoliderança, a liderança em qualquer assunto e a qualquer tempo. Quanto mais centralizada for uma rede social, maior será a probabilidade de nela se manifestar a praga (ou a chaga?) da monoliderança. Quanto mais distribuída for uma rede social, maior será a probabilidade de nela se manifestar a benção (ou a graça?) da multiliderança!

Perdão, Sérgio, mas acho que você não tem uma opinião diferente da minha (o que seria normal e até desejável). Você, pelo que diz, ainda não teve a oportunidade de conhecer a minha opinião. Quando tiver um tempinho, leia, por favor, o texto O poder nas redes sociais.

A discussão simplificada nesses termos que você coloca - se nas redes tem ou não tem hierarquia ou liderança - fica reduzidamente opinativa. Aqui não é bom desprezar a força dos argumentos. Ou seja, conquanto a doxa (opinião), para efeitos de regulação política, não deva se subordinar a espisteme (conhecimento), posto que essa é a essência da democracia, em ciência (que presumimos fazer) tal deslizamento acentuado para o opinativo pode levar a uma indesejável ideologização do debate.

As teorias da liderança - sobretudo aquelas voltadas para o meio empresarial - não são, via de regra, teorias científicas sobre a fenomenologia da liderança que logrem desvendar relações com a topologia da rede social, e sim discursos ideológicos sobre a necessidade da monoliderança. Boa parte desses discursos são falsificadores (por exemplo, quando tentam tomar exemplos do mundo natural que, aliás, já foram desmascarados pela ciência, para tentar aplicá-los ao mundo social - o que, além de indevido de um ponto de vista epistemológico, é também condenável de um ponto de vista ético, de uma ética da ciência, por assim dizer). Por que? Ora, é óbvio: porque a monoliderança é uma legitimação da hierarquia. E não adianta para nada tentarmos alterar ex post o meaning do conceito, reinterpretando benevolamente hierarquia como capacidade de antenar tendências (dos innovators), entroncar conexões (dos hubs) e articular e animar redes (dos netweavers). Porque do que se trata aqui é do poder de mandar nos outros mesmo.
Oi Augusto
Agradeço muito mesmo a indicação destes textos, que lerei com grande interesse. Não me leve a mal por não tê-los lido. Coloco-me aqui na posição de um aprendente angustiado por não dar conta de todos os conteúdos disponíveis, e não conseguir fazer sua trilha de aprendizagem.
Concordo com você em que estamos de acordo :-), e a leitura dos seus textos será a prova dos nove.

Faço uma metaobservação:
Assim como eu, muitos de nós não leram os textos certos para assegurar que não retrocedam a discussão.
Do ponto de vista da educomunicação, penso assim: conteúdos não educam, a não ser que sejam utilizados na hora em que respondem a uma pergunta ou necessidade. O que faz, cada vez mais, que conteúdos sejam utilizados é a DICA - o que vc acabou de fazer. A sua dica fez que eu lesse um texto do Boyle, e que agora leia os seus dois textos. Asseguro: mesmo que eu os tivesse lido, não teria me lembrado deles neste momento. Foi preciso vc me lembrar.
Para mim, isto é a essência das comunidades de aprendizagem e de prática: quem traz o conteúdo à tona é a relação entre pessoas. Porisso precisamos uns dos outros para ler e aprender. Porisso a abertura de Open Coursewares não irá eliminar a necessidade das Escolas. Porisso a natureza das Escolas precisa mudar. E aqui aquilo que vc me censura é exatamente, a meu ver, algo que tem dois lados opostos: atrasa a discussão, mas oportuniza a aprendizagem de ciclo duplo, sobre o que estamos fazendo aqui.

Trago isso não como defesa, nem como mais uma polêmica, e sim como observação para enxergarmos coletivamente o valor do método que de certa forma estamos construindo aqui.

Um grande abraço
Sérgio
Tudo bem, Sérgio. Não estava censurando você por não ter lido algum texto. Estava apenas observando que não avançamos no debate se atribuímos ao interlocutor posições que não são as dele. A discussão sobre se nas redes tem ou não tem hierarquia, tem ou não tem liderança é uma caricatura improdutiva e estiolante. Mas creio que o substrato prático referencial desta discussão é aquele que deixei na minha última frase: queremos mandar nos outros? Queremos adotar o discurso de redes mas nos organizar no nosso quadradinho? Abraços.
No quiero agregar mucho más a lo que Augusto comenta, puesto que, como dice, agregaría un debate de ideas que quizás dispersa tiempo y energía útil para sumergirnos en los textos.
Una sola cosa me surge de la frase: "as necessidades de hierarquia existem dentro das redes humanas" y dejo la pregunta ¿De donde o qué nos hace creer que las redes humanas tienen necesidad de jerarquías?
Lo único que yo podría decir es que prácticamente no tenemos experiencia de vivir sin jerarquías y esa circunstancia nos hace naturalizar esa experiencia, nos hace pensar que "la vida es así".
En el libro de Augusto "Nuevas visiones" que me estoy tomando el tiempo de leer con detenimiento hay un buen indicio de como estos procesos acontecen al estar institucinalmente inscritos.

En cuanto a lo propiamente educativo, como dice Francisco Varela, la mente no está en la cabeza.
Les paso el link de 2 videos de Francisco Varela, socio en pensamiento y trayectoria profesional de Humberto Maturana. (No sé como van a aparecer desde aquí, quizás los suba también al espacio de general)
Me parece útil poder ir más allá del contenido de lo que dice Varela (o más acá, o por fuera, tenemos poco lenguaje para describir cierto tipo de experiencias), y evitar una escucha "analítica" dedicada ir contrastando todo el tiempo en donde lo que Varela dice "calza" o "no calza" con lo que creo que se, o no lo que creo que es el conocimiento. Lo interesante como experiencia de aprendizaje, para mí, es primero dejarse sumergir en el modo como Varela piensa y cómo opera sobre la experiencia. Aprender una manera de aprehender el conocimiento, que eso es, me parece, lo que mejor muestran estos dos videos.
Espero que los disfruten.



Luis, eu gostaria de entender isto pois são fenômenos que constato trabalhando com redes, na abordagem que faço delas como sistemas abertos e complexos, e meu jeito de viver as coisas que vivo é procurar compreendê-las, mesmo sabendo que isto é uma construção pessoal que tem mais ver comigo do quem a realidade. Parece que disso não escapamos, não é mesmo? Não tenho posição religiosa com nenhuma teoria. Estou estudando abordagens sistêmicas e esta questão surge na teoria e na prática. Por último, mas não de fato como última motivação, pelo prazer do conhecimento que de fato esta presente em todas as outras razões da minha curiosidade. Meu interesse pelas abordagens sistêmicas está ligado inicialmente ao meu vínculo com questões ambientais e ecológicas.

abraços
Vivianne

Luiz de Campos Jr disse:

Tonteras (ou tonterías?) inspiradas pela Lía, aqui e ali. Obrigado Lía!

Car@s tod@s.
Que falta nos faz os tais "óculos de ver rede", não é mesmo? Acredito que teríamos uma grande surpresa com o que veríamos ao usá-los...

Teorias, conceitos, gráficos e modelos matemáticos só podem "ver" aquilo que, primariamente, permitimos que pudessem perceber. Sempre estará em questão a percepção/concepção original de pessoa/sociedade/universo que o concebedor já tinha sobre o concebido. E sobre o que o motiva.
Como agravo, os conceitos e instrumentos não são utilizados só por quem os cria. Pelo contrário, são apropriados por todos que deles tomam conhecimento e vêem nele "valor", mas cada um com suas próprias percepções/concepções e motivações. Não se trata, é claro, de não se criar conceitos ou modelos. Trata-se de não perder de vista de que não são "reais" e de que são, invariavelmente, instrumentais (possuem, na sua origem, concepções de universo e motivações).

Correndo o risco de ser demasiado simplista, cito a resposta de Matisse ao observador que ria do cachorro azul na sua obra: "Senhor, isto não é um cachorro, é um quadro!"

E insistindo no simplismo: Dificilmente encontraremos hoje um físico (Augusto?) que discorde da afirmação de que o átomo "não existe". Mas a bomba atômica "existe"!

Não podemos atribuir nossa incapacidade em nos livrármos de tais "amarras antropocêntricas" a falta de insights libertadores, por exemplo:
"So'Ham" (Eu Sou) - dos Vedas
"Tudo que está em cima, está em baixo também" (Alquimistas)
"O Cosmo é fractal, o fractal é o Cosmo" (Mandelbrot ?)
"A pessoa é a rede" (Augusto)
...

"De qualquer forma gostaria de entender como fenômenos de qualidades diferentes se relacionam num mesmo sistema." (Viviane). A pergunta que me ocorre é "para que"? (não pergunto ao Sérgio, pois creio que deixou claro no texto de introdução deste fórum) Acredito que a(s) resposta(s) a essa pergunta é fator determinante para o resultado da investigação em curso.

"Falamos, falamos, falamos sobre redes, mas - naquilo que julgamos fundamental para a nossa sobrevivência e para nossa carreira - ainda nos organizamos hierarquicamente." (Augusto)

"Você é o inimigo" (Idem)

Fraternais abraços a tod@s.

Vi después tu intervención Viviane
Gracias por el link. Estuve repasando la presentación y es mucha la información que tiene.
El pensar teórico no es mi fuerte a la hora de traducirlo en palabras, comprendo más de lo que puedo explicar.
Lo que alcanzo a ver es que para el caso de este espacio, donde tratamos de redes sociales, el fenómeno sobre el que pondría el eje es el fenómeno de lo vivo. Es como cuando se hace una distinción entre la comunicación mecánica y la comunicación humana, donde el receptor nunca interpretará el mensaje con el mismo sentido que trató de transmitir emisor (en otro espacio así andábamos con Sergio y Augusto, jaja).
Yo veo un problema inicial que radica en el hecho de ponernos a "analizar" el fenómeno, porque el fenómeno es un hecho puntual, situacional que cobra su sentido en ese presente desde el cual emerge. Cuando lo miramos retrospectivamente siempre terminamos congelando o deteniendo algo que en realidad es un momento dado de un proceso en transcurso.
En esa presentación habla de sistema estable o dinámico. Los sistemas vivos, en tanto vivos, son necesariamente dinámicos, nunca estables y las redes sociales necesitan, a mi criterio, ser interpretadas desde la perspectiva de lo que está vivo. (para los que saben más no hay "no vivo", todo el universo es un grans sitema vital).
Para abordar la complejidad desde el punto de vista "humano" me ayudo mucho este artículo de Denise Najmanovich publicado en la revista andamios que se puede localizar aquí:
http://dialnet.unirioja.es/servlet/listaarticulos?tipo_busqueda=EJE... (Por si no consigo subir el archivo)
Saludos

Una ayuda:
Veo que ni aun con el tutorial clarísimo de Luiz pude cargar los videos (copié el código que aparece en embebidos pero no veo nada) No sé que cosa se me escapa.
Les dejo los links de entrada para que alguien más inteligente que yo (jaja) colabore en esta tarea

Un video está en
http://video.google.com/videoplay?docid=-1491157396277280739&hl...

El otro video está en
http://video.google.com/videoplay?docid=-2243451187817239740
Anexos
Obrigada , vou ver os vídeos. abraços

Lía Goren disse:
Vi después tu intervención Viviane
Gracias por el link. Estuve repasando la presentación y es mucha la información que tiene.
El pensar teórico no es mi fuerte a la hora de traducirlo en palabras, comprendo más de lo que puedo explicar.
Lo que alcanzo a ver es que para el caso de este espacio, donde tratamos de redes sociales, el fenómeno sobre el que pondría el eje es el fenómeno de lo vivo. Es como cuando se hace una distinción entre la comunicación mecánica y la comunicación humana, donde el receptor nunca interpretará el mensaje con el mismo sentido que trató de transmitir emisor (en otro espacio así andábamos con Sergio y Augusto, jaja).
Yo veo un problema inicial que radica en el hecho de ponernos a "analizar" el fenómeno, porque el fenómeno es un hecho puntual, situacional que cobra su sentido en ese presente desde el cual emerge. Cuando lo miramos retrospectivamente siempre terminamos congelando o deteniendo algo que en realidad es un momento dado de un proceso en transcurso.
En esa presentación habla de sistema estable o dinámico. Los sistemas vivos, en tanto vivos, son necesariamente dinámicos, nunca estables y las redes sociales necesitan, a mi criterio, ser interpretadas desde la perspectiva de lo que está vivo. (para los que saben más no hay "no vivo", todo el universo es un grans sitema vital).
Para abordar la complejidad desde el punto de vista "humano" me ayudo mucho este artículo de Denise Najmanovich publicado en la revista andamios que se puede localizar aquí:
http://dialnet.unirioja.es/servlet/listaarticulos?tipo_busqueda=EJE... (Por si no consigo subir el archivo)
Saludos

Una ayuda:
Veo que ni aun con el tutorial clarísimo de Luiz pude cargar los videos (copié el código que aparece en embebidos pero no veo nada) No sé que cosa se me escapa.
Les dejo los links de entrada para que alguien más inteligente que yo (jaja) colabore en esta tarea

Un video está en
http://video.google.com/videoplay?docid=-1491157396277280739&hl...

El otro video está en
http://video.google.com/videoplay?docid=-2243451187817239740

Lía, nada escapa a usted :-)
O Ning não está mais aceitando (já aceitou) os vídeos do GoogleVideo. Encontrei as mesmas entrevistas referidas no YouTube, seguem abaixo.
Abraços, Luiz.

Francisco Varela e Fernando Flores - Parte 1


Francisco Varela e Fernando Flores - Parte 2


Francisco Varela em "La Belleza de Pensar"


Lía Goren disse:
Una ayuda:
Veo que ni aun con el tutorial clarísimo de Luiz pude cargar los videos (copié el código que aparece en embebidos pero no veo nada) No sé que cosa se me escapa.
Les dejo los links de entrada para que alguien más inteligente que yo (jaja) colabore en esta tarea

Un video está en
http://video.google.com/videoplay?docid=-1491157396277280739&hl...

El otro video está en
http://video.google.com/videoplay?docid=-2243451187817239740


Oi Viviane, é mesmo difícil de escaparmos! :-)
Sei que a pergunta pareceu dirigida a você, mas foi apenas pela minha inabilidade na redação. A minha intenção era ser genérico e impessoal (ainda que usando o exemplo do seu questionamento pessoal).

Entretanto, farei apenas uma observação sobre o que chamei de "amarras antropocêntricas" - que melhor seria ter denominado de "antropomórficas". Podemos reconhecer abordagens sistêmicas, processos complexos, fenômenos de interdependência, dinâmicas não lineares e até os rudimentos da teoria do caos. Contudo, quando modelamos a realidade e criamos categorias para melhor compreendê-la (escalas, conjuntos, níveis), tendemos a confundir suas "grandezas" (classificações comparativas de tamanho, posição, ordem, etc) com "valores" (o que é mais importante do que). Creio que esse é um dos viéses que nos impulsionam a ver hierarquia em tudo, como um fenômeno natural e não humano.

Baixei a palestra do professor Ferrara e irei ouví-la assim que possível, obrigado.

Abraços, Luiz.

Vivianne Amaral disse:
Luis, eu gostaria de entender isto pois são fenômenos que constato trabalhando com redes, na abordagem que faço delas como sistemas abertos e complexos, e meu jeito de viver as coisas que vivo é procurar compreendê-las, mesmo sabendo que isto é uma construção pessoal que tem mais ver comigo do quem a realidade. Parece que disso não escapamos, não é mesmo?...

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