Escola de Redes

O Índice de Distribuição de Rede, proposto por mim em 2008 no livro Novas Visões e resumido no texto O Poder nas Redes Sociais (2009), está gerando um debate interessante com o Ericsson Marin. Transferi para cá. A conversa continua. No campo de comentários.

 

A CONVERSA COM ERICSSON SANTANA MARIN

Augusto, como havia mencionado anteriormente, estou estudando o índice de distribuição sugerido por você, para que o algoritmo que estou implementando na Plataforma Fluzz, consiga de forma inteligente sugerir conexões estratégicas para uma melhor distribuição da rede.

Fiz algumas análises sobre as matrizes topológicas da rede de 5 elementos que você menciona no artigo Cartas Rede Social - Topologias de rede.

Bem, primeiro gostaria que você verificasse o porquê da colocação de que existem 5 configurações com 6 conexões das quais 2 são impossíveis, totalizando somente 3 configurações possíveis com 6 conexões. Veja nas ilustrações abaixo que consegui apresentar 4 configurações diferentes possíveis para um grafo de 5 elementos, utilizando 6 conexões. Tem alguma coisa errada com os grafos, ou realmente são possíveis tais configurações?

 

I = 30%  I = 48%I = 40%

Creio que estas foram as 3 configurações previstas!!!

Agora, surpreendentemente existe uma 4ª configuração, onde acontece toda uma problemática que está sendo crucial para o cerne do algoritmo!!!!

 

I = 24% ???? Neste caso estamos esfacelando a rede, criando duas redes separadas. Quando retiramos o nó mais bem conectado, surgem então duas redes desconectadas? Devemos considerar que este nó não desconecta ninguém? Ou olhamos sempre para o maior componente resultante?


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Interessante, Ericsson,

Bem, em primeiro lugar veja que a Índice de Distribuição proposto por mim em 2008 tem mais propósito demonstrativo-heurístico do que poder analítico. Não testei adequadamente a equação para todas as situações possíveis. O Gabriel Silva andou fazendo isso (veja na página dele). E veja aqui também e nas imagens seguintes = aqui com a tag 'grafo'.

Em segundo lugar, para o caso aparentemente singular que você apresenta, o cálculo do Índice de Distribuição dá 36% (salvo erro meu) e não 24%. Pois se I = (C - D).C/E, então temos C = (6 - 0).6/4 ou seja I = 9. Mas como numa rede com cinco nodos, o Imax = 25 <=> 100%, I = 9 representa 36% da distribuição máxima, correto?

Em terceiro lugar, se o caso fosse de saber o que ocorre com a rede com a eliminação de um nodo específico, você teria razão. A eliminação do nodo mais conectado, neste caso apontado por você, implicaria a separação da rede em duas redes de dois nodos cada (o que, em termos matemáticos, é correto, um dipolo é rede, mas em termos conceituais, considerando que redes são múltiplos caminhos, redes só se configuram com no mínimo três nodos, por motivos óbvios). Entretanto... quem disse que é o caso?

A variável D (número de nodos desconectados com a eliminação do nodo mais conectado, sem contar este último, é claro) representa apenas o que a define. No caso, nenhum nodo ficou realmente desconectado (entendendo-se por isso não-conectado a qualquer outro nodo). Na verdade isso não chega a ser uma singularidade e pode acontecer com qualquer número de nodos. Ou seja, D sempre pode ser igual a zero para N (número de nodos) maior ou igual a 3. Ou melhor, o singular aqui é que não restou (uma) rede e sim dois dipolos (que matematicamente são duas redes). Mas a minha pergunta é: qual a importância disso para o cálculo do Índice de Distribuição?

Numa rede com seis nodos (N=6) uma situação análoga levaria também a duas redes, uma com dois nodos e uma com três nodos. (Não tenho neste momento como desenhar o grafo, mas você imaginará facilmente). Para N = 7 teríamos duas redes de três nodos. E assim por diante.

Se a rede vai virar duas redes com a eliminação do nodo mais conectado não me parece relevante para avaliar demonstrativamente o grau de distribuição (que é somente o que faz o índice proposto). Este índice não pretende dizer o que acontecerá com a eliminação do nodo mais conectado. Mas é bom pensar nisso, concordo, se quisermos aplicar o índice para a construção de algoritmos, dependendo, é claro, do que queremos com o algoritmo. E isso eu não sei, porque você não me disse.

Abraços.

 

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Obrigado pela resposta Augusto ... Já li todos os Posts do Gabriel aqui na E_R, inclusive vou entrar em contato com ele, pois os estudos são bastante interessantes, e podem me ajudar. Nada como ressucitar tópicos antigos para o bem da humanidade. rsrs

Sobre a nossa discussão, entendi a sua colocação, mas veja como calculei este índice de 24%, que na verdade verifiquei que calculei alguma coisa errada, pois o resultado correto da conta seria 19,2%, e o porquê de minha indagação.

Bem, eu percebi uma estrutura comum em todos os modelos(grafos) existentes aqui na E_R, para o cálculo do Índice de Distribuição. Todos são grafos conexos, pois sempre conseguimos ir de um nó até outro nó qualquer da rede. Watts, no livro Seis Graus de Separação, nos chama a atenção para o Componente Gigante dos Grafos, que representa extamente o que seria este grafo conexo. Ele aponta a dificuldade de se calcular a distância entre dois nós que não fazem parte da mesma rede. Nos modelos aprsentados por Barabási, também podemos sempre observar esta mesma característica de grafos conexos, penso eu pela mesma problemática. Sendo assim, peguei por base sempre o maior componente resultante, e fiz os seguintes cálculos:

I = (C - D).C/E

                                  C=6

                                  D=2 e não 0. Ao eliminarmos o nó central, o componente gigante resultante (maior componente conectado) seria um grafo com 2 nós, pois este nó central levaria consigo outros 2 nós.

                                  E =5, e não 4. Ao eliminarmos o nó central, ele levaria consigo suas 4 conexões diretas, mais uma conexão indireta.

                                  I = (6-2).6/5=19,2 % 

Ou seja, a resposta a pergunta animada abaixo seria a 2ª opção?

Bem, na prática em qualquer rede social, é certo que as duas redes irão se constituir, sem a possibilidade de comunicação, portanto eu não poderia assumir que este nó central levaria consigo outros dois nós e mais uma conexão indireta. Desta forma parece que a resposta a pergunta acima animada seria a 1ª opção.

Mas qual o objetivo disso tudo? É que me parece que se tomarmos como referência, que o valor construído por uma rede, seria proporcional a quantidade de conexões existentes, ou a taxa de interação entre as pessoas, aquela fórmula do cálculo de conexões em um grafo Cmax=N(N-1)/2, então parece ser razoável para que acreditemos na seguinte possibilidade:

Traduzindo: É melhor termos uma rede com 3 elementos totalmente conectados do que duas redes isoladas de 2 elementos. É neste ponto que está meu interesse para a construção do agente inteligente de software, que irá sugerir conexões na plataforma. Para isso, tenho que estudar melhor esta medida da centralidade de um nó no grafo, pois parece que podemos olhar para outras características, além do grau de conexão.

Neste exemplo, qual seria o nó mais central?

O nó 4 cria duas redes desconectadas de 3 elementos, o nó 5 cria uma rede de 4 elementos conectados, ambas com cmax final =6, portanto parece ser mais interessante manter o nó 4 do que o 5, e por ai vai...

O índice de distribuição achei genial, o problema para mim está na localização do nó mais conectado da rede... O que o Sr. acha?

abs

 

 

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O "Sr." não acha nada, Ericsson! Hehe.

Acho o seguinte. O Índice de Distribuição que aventei não tem o mesmo status dos conceitos da SNA. Como disse no meu último comentário, não é bem um construct de análise e sim demonstrativo.

Centralidade é um conceito definido pela teoria dos grafos. Se você diz que D=2 e não D=0 para o caso que examinamos, aí sim tem que levar em conta conceitos como este, é verdade. O meu ponto, porém, é o seguinte: isso é relevante para compreender o que significa distribuição (o objetivo precípuo da minha "fórmula" demonstrativa)?

Não discuto que possa ser relevante para os objetivos que você quer alcançar e que você só explicitou agora: "sugerir conexões na plataforma". Imagino que sim. E isso fica mais claro quando você diz que "é melhor termos uma rede com 3 elementos totalmente conectados do que duas redes isoladas de 2 elementos". Parece que sim. Mas... melhor para quê? Eu não pensava em construir (voluntariamente) uma rede usando uma plataforma e sim em avaliar para efeitos demonstrativos (de compreensão) a distribuição de redes (realmente) existentes. Para este fim, a velha análise de redes sociais não era muito boa (no sentido de compreensiva), pois não lançava mão de conceitos como 'D' e 'E' (que elaborei a partir da reflexão sobre os diagramas de Baran).

Agora temos um desafio novo pela frente. Fazer uma ponte entre as duas coisas. Não pensei nisso ainda. Acho que você está num bom caminho de investigação. Vamos conversando.

 

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Entendi Augusto ... Realmente o que estou trazendo não vai modificar o conceito que você nos repassou de distribuição, muito bem diga-se por sinal, através dos profundos estudos de Paul Baran. Entendi o índice que você propôs, e acho que ele foi totalmente idealizado em cima destes conceitos, permitindo realmente que as pessoas consigam mensurar a distribuição de uma rede, desde a mais centralizada com 100% de centralização, até a mais distribuída com 100% de distribuição. O problema como nós já sabemos, é o que acontece nesse meio, onde praticamente todo tipo de rede acaba se constituindo. Vou tentar responder suas indagações. Confesso que a certeza nesse momento não está sendo a melhor de minhas virtudes, mas talvez para quem pensa em inovar (palavrinha que já ficou chata né, mas vamos fazer uma homenagem à Steve Jobs), esta não seja verdadeiramente uma barreira.

Bom, já tendo em mente o significado de distribuição, e diante das problemáticas que levantamos aqui na E_R e mais especificamente no Simpósio de Campos do Jordão, fiquei convicto de que a plataforma em que estava trabalhando, deveria possuir em suas entranhas algoritmos que respeitassem ou aproveitassem de um índice como esse. Mas como respeitar ou aproveitar? Recursos como sugestão de conexões, animações automáticas, sugestões de temas, avisos de experimentos ou ideias afins, ligação de informações, enfim, tudo que poderia de certa forma ser interessante para uma pessoa, promover interações (plataforma i-based) e ao mesmo tempo pudesse contribuir para uma melhor distribuição da rede. Mas por que uma melhor distribuição da rede? Lembra-se das borboletas e abelhas, ou dos misteriosos 1 ou 10%, ou das curvas de interação na rede, mapeadas em leis de potência? Então, na minha opinião, se houvesse um trabalho mais motivador com essa imensa maioria, talvez pudéssemos transformar algumas borboletas em abelhas, e algumas abelhas em flores, mesmo que seja devagar! Bem, este de fato é um tema bastante complexo, mas em linhas gerais, e até pretendo fazer uma experiência prática sobre isso durante o mestrado, me parece ser verdade que quanto mais distribuída uma rede for, mais produtiva ela acaba sendo, ou seja, em média teríamos uma relação de proporcionalidade direta, mas não linear. E este efeito acontece pelo motivo mais fundamental de todos, que aprendi também através de sua pessoa, o de que redes são múltiplos caminhos. Reescrevendo, boas soluções passam por muitas mentes, amadurecem, falham, recontextualizam-se, e só aí se constituem de fato. Conceito também bastante utilizado por Steven Johnson, quando ele menciona itens comoserendipidadepalpite lentoexaptação, e principalmente redes líquidas no livro Where Good Ideas Come From. E até nosso ilustre exemplo Steve Jobs, onde quer que esteja agora, sabe do que estamos falando. Ele foi um dos maiores exemplos de mente líquida da nossa sociedade, pois era capaz de rearranjar ideias como ninguém. Mas nunca criou nada sozinho. A Apple foi para Jobs uma verdadeira rede distribuída, onde algumas dezenas de pessoas eram capazes de competir com milhares de sua primeira concorrente IBM. Tem uma frase que eu li no outro livro do Johnson, Emergence: The Connected Lives of Ants, Brains, Cities, and Software, e que me parece ser recorrente em outras leituras sobre redes e sistemas complexos: o todo é maior do que a soma de suas partes. Veja só que curioso, Robert Metcalfe propôs uma lei que estabelecia o seguinte: O valor de um sistema de comunicação cresce na razão do quadrado do número de usuários do sistema, o que como sabemos pode ser reproduzido como n(n-1)/2. Exatamente a mesma fórmula para o cálculo do número máximo de conexões de um grafo. Portanto, mesmo que a fórmula não seja exatamente essa, mas uma outra como propuseram Andrew Odlyzko e Benjamin Tilly: nlogn, ou enfim qualquer outra que estabeleça uma relação entre o valor criado por uma rede de pessoas, estou convicto de que este valor será sempre superlinear. Está aí então o objeto de meu interesse. Mecanismos que desbloqueiem caminhos, conectem margens isoladas, motivem o protagonismo, enfim, promovam vida na rede, criando um ambiente propício à conexões inteligentes. Bom no próximo post, volto ao assunto dos grafos ... 


Voltando ao exemplo anterior: A primeira investigação que proponho é:

 

Caso 1:

Se estipulássemos que o nó 5 é o mais conectado, pelo seu grau de conexão = 3, então teríamos o seguinte índice de distribuição:

I = (C-D)C/E => I=(6-2)6/3 => I=8

Imax = (21-0).21/6 = 73,5

Portanto I = 10,88 % de distribuição

 

Caso 2:

Se estipulássemos que o nó 4 é o mais conectado, pelo seu maior grau de proximidade (ele está a 1,83 graus de separação de todos os demais) , então teríamos o seguinte índice de distribuição:

I = (C-D)C/E => I=(6-0)6/2 => I=18

Imax = (21-0).21/6 = 73,5

Portanto I = 24,48 % de distribuição

 

O fato é que se retirarmos o nó 4 (caso 2), produziríamos uma divisão da rede, pois teríamos dois componentes de 3 nós isolados um do outro. Já se retirarmos o nó 5 (caso 1), manteríamos um componente gigante de 4 nós, onde a informação pode percolar toda a rede. Voltamos a pergunta:         É mais interessante do ponto de vista da rede, retirarmos o nó 4 ou 5, caso isto seja uma necessidade (eliminar um nó)? Este hiato entre duas redes é que como mencionei anteriormente, Watts classifica como custosa a mensuração, e Barabási coloca como esfacelamento da rede em fragmentos isolados, sem comunicação entre si.

Se nossa investigação pender para que o (caso 2) seja pior para a topologia da rede do que o (caso1) (O que diria Baran?), então teríamos que atribuir um coeficiente α ao índice de distribuição, para que ele se ajuste ao fato negativo do esfacelamento da rede, produzindo então um valor de distribuição não de 24,48%, mas logicamente menor do que os 10,88% do (caso 1). Resumindo, o índice reconheceria a vulnerabilidade ou instabilidade do nó 4, pelo princípio de que é melhor termos poucos grupos com alta clusterização (componente gigante maior), do que muitos grupos com baixa clusterização (pequenos grupos isolados). O problema é ... Como encontrar esse α?

Ou não, talvez o raciocínio é por outro lado. O que VOCÊ acha Augusto? E obrigado por atender a esta discussão. rsrs...

abs

 

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Bem, eu ainda vou achar (ou não) daqui a pouco. Enquanto isso, convoco o pessoal interessado para que leia esta troca de mensagens entre nós e contribua também.

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Respostas a este tópico

Transcrevo para cá parte do diálogo entre o Ericsson, o Gabriel e a minha intervenção (com um pedido: não discutir mais os assuntos em caixas de recado, pois fica difícil os demais acompanharem).

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1) Início do Ericsson, não localizado.

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2) Às 14:02 em 14 janeiro 2012,  Gabriel R. de Andrade Silva disse...

Opa, certamente Ericsson, será um prazer.

Fico feliz que vc também tenha se interessado por esse conceito chave da proposta do Augusto.

Eu não vou me recordar exatamente tudo que eu fiz pq já faz certo tempo, mas até onde lembro também tinha notado alguns problemas nos algoritmos que elaborei para o cálculo do índice, assim como na própria definição.

Talvez a definiçao ainda seja pouco rigorosa matematicamente, por isso podem ocorrer casos ambíguos.

Acho que distribuição tem relação com problema de sincronização em redes, que foi recentemente resolvido por um brasileiro através de uma espécie de desvio padrão dos autovalores da matriz adjacência. Curiosamente me ocorre que um desvio padrão também é bom indicador quando se fala em "distribuição de renda", por exemplo.

As topologias ótimas para conectar nodos a fim de obter sincronia ou "agendas compartilhadas" (como diz Augusto) só ocorrem em certos graus de conexão bem definidos, dado o número de nodos. Isso é quase como uma espécie de ressonância ou "solução quantizada". Entre essas topologias distinguem-se bem dois casos extremos: as que são centralizadas (todos nodos obedecem o comando de um "mestre") e as que são distribuídas (funcionam por auto-organização , possibilitando espontâneo "enxameamento").

O que eu fiz não chegou nesse nível de sofisticação. Estava longe de chegar nisso, mas acredito que estava no caminho. Recorria sempre aos grafos de Baran. Pensando fisicamente as conexões, sem dúvida ele queria uma topologia otimizada, com máxima distribuição usando o mínimo de cabo. Acho que cheguei a escrever algo sobre isso aqui.

Se vc quiser, posso disponibilizar alguns códigos-fonte. Utilizei Matlab, não sei se conhece. É um software de computação científica proprietário, mas existem versões livres compatíveis, como o Scilab e o Octave.

Essa empreitada de construir uma plataforma i-based sem dúvida é um desafio e tanto. Eu não sou nenhum especialista em nada disso, apenas quis dar um suporte científico para a E=R, mas talvez possa expressar algo de minha experiência e opinião.

Para citar os casos mais populares, poderíamos comparar o facebook com o orkut. O primeiro nasceu mais i-based que o último. Tive muito sucesso quando, através do Orkut, me propus a sensibilizar pessoas em relação a políticas de Educacão há alguns anos. A comunidade virtual formada soube fazer ecoar algumas propostas no mundo real. No entanto, acredito que tal abordagem atualmente seria impossível pela mesma plataforma, pois, no fim, a forma egocêntrica de participação do facebook acabou contaminando a proposta mais comunitária vinda do orkut. As interações ficaram travadas quando o orkut passou a adotar os bloqueios e controles que o face criou.

Tenho um amigo que diz essas plataformas servirem na realidade mais à vigilância, fofoca e intriga do que qualquer outra coisa. O fato do face se tornar popular não foi tão espontâneo. Sem dúvida, o facebook cresceu mais pelo "broadcasting" promocional de um controle centralizado, do que pela espontaneidade. E, em se tratando de negócios, trata-se da boa, velha e insaciável ganância. Então o tal Zuchenberg (nem sei se é assim que se escreve), juntamente com a grande mídia, incentiva a escravidão quando promove mais e mais sua plataforma com fins comercias escusos, de exploração e uso de informação alheia, à revelia, e mesmo CONTRA os usuários. Sem dúvida qualquer luta contra esse monstro é inglória. Essa indústria não quer e não pode abrir espaço para mais nada. E nisso vemos a grande mídia brasileira igualmente empenhada, pois fala muito mais sobre twitter e facebook do que jamais falou sobre aquela plataforma que espalhou espontaneamente pelo território nacional em primeiro lugar, visando eclipsar as manifestações que nela se engendravam. Houve vários swarming através do orkut. E talvez a única jornalista que ouvi falar algo sobre isso foi a Lúcia Hipólito, da rádio CBN.

Apesar de tudo, sua proposta chegou ao lugar correto. Talvez não haja lugar mais adequado. Estudiosos de redes sociais certamente se interessariam em conhecer algo assim.

Desejo-lhe sorte, espero que possa ser feliz em seu trabalho acadêmico.

II

3) Às 14:40 em 14 janeiro 2012, Augusto de Franco  disse...

Como já disse ao Ericsson várias vezes, Gabriel, minha equação tinha propósitos mais demonstrativos do que analíticos. Os problemas detectados pelo Ericsson (e outros, por mim e por mais alguns) são reais. Mesmo assim, as distorções devem ser bem pequenas, se adotarmos o índice de distribuição que propus (o que chega a ser incrível, dado que não se trata de um teorema e sim de uma definição (convenção). Para os propósitos do Ericsson, creio que não fará diferença ponderável. A questão é o conceito: e o conceito está basicamente correto (a resiliência da rede depende da continuidade do fluxo quando nodos e conexões são eliminados), conquanto a fórmula matemática não esteja. Mas tal conceito é bem mais avançado do que os constructs da SNA, a despeito de suas fórmulas serem matematicamente corretas para o que se propõem (o problema é que das variáveis que escolhe não se pode derivar nada tão esclarecedor das relações entre distribuição, conectividade e interatividade).

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Esta conversa importantíssima, infelizmente estava numa Caixa de Recados...

Realmente Augusto, fica mais apropriado discutirmos por aqui...

Muito obrigado pela resposta Gabriel, e pela oferta de suporte. É como penso também, muito graças à todo o suporte que recebi aqui na E_R. Me enveredar pela construção de uma plataforma i-based foi um caminho natural que adotei após as discussões e importantes leituras realizadas durante a minha pesquisa, principalmente por aqui. É engraçado como através de um laço fraco, pelas definições de Granovetter, acabei chegando até a Raquel Recuero, depois à Maria Thereza do Amaral, e finalmente pesquisando no cluster de laços fortes dessa última, acabei chegando até o Augusto, que tanto vem se esforçando para desvendar as redes e seus padrões ocultos. Essa questão da emergência de sincronização dos elementos de uma rede, que não são em qualquer hipótese controlados por um centro ditador, também é algo que me deixa exaltado. Lutar contra estes verdadeiros alçapões como Facebook, é uma filosofia digamos, open mind, que pretendo continuar percorrendo durante e após minha pesquisa acadêmica. Na verdade o projeto em si é bastante grande, envolve técnicas de inteligência artificial, estudos sobre web semântica, algoritmos genéticos, redes neurais, mas o que me deixa verdadeiramente fascinado, são os simples conceitos matemáticos que estamos descobrindo por de trás de todos esses padrões naturais organizacionais, e que de fato podem sim serem usados a favor de uma plataforma que promova adaptação, sincronização, exaptação e swarming intelligence. Bem, com disse em outro post, apesar de já ter entendido os propósitos demonstrativos do índice de distribuição, são duas as questões que levantei para melhorar o cálculo do mesmo,  proposto pelo Augusto. Minha ideia foi fazer com que o mesmo pudesse ser utilizado em qualquer tipo de rede, e refletisse em seus resultados qualquer mudança de topologia considerável. 

As questões foram:

01 - Como utilizar o índice para uma rede que quando perde determinado nó, se fragmenta em duas ou mais redes isoladas? Ou seja, como analisar o todo, se o mesmo for composto de várias partes desconectadas, e não somente de um componente gigante?

02 - Como utilizar o índice para uma rede que quando muda sua topologia, sem modificar as conexões diretas do nó central utilizado no cálculo do índice, mantém este mesmo inalterado? Ou seja, como sensibilizar o índice à mínima modificação das conexões em qualquer cluster da rede?

Estou trabalhando com o índice para verificação de pontos vulneráveis na rede, e cheguei em alguns impasses como esses. Qualquer insight, por favor dá um toque. Qualquer coisa, dê uma lida nos tópicos anteriores para um melhor entendimento.

grande abraço...

Ericsson

Estive pensando, Ericsson. A equação que propus tem mesmo esse problema que você detectou (embora isso não retire seu poder demonstrativo). Mas acho que você não precisa para nada de um índice (matemático) e sim do conceito (ou melhor da relação distributividade => conectividade => interatividade). Não assuma como sua tarefa facilitar ou estimular as interações. Simplesmente tente não obstruí-las e deixe que a interação faça o resto! :)

Concordo plenamente Augusto. O índice de distribuição que você propôs, acabou se tornando um norte para mim, assim como os estudos de Rapoport, Erdõs, Granovetter e Milgram foram para Watts. Realmente me debrucei para estudá-lo, e para isso foi fundamental entender o seu poder demosntrativo. Foram vários os modelos que já criei aqui, e parece que estou me aproximando de alguma coisa ainda incerta, e esse é o legal da pesquisa, diga-se de passagem. Acho que o que mais nos confunde nesse âmbito, é essa ideia de encontrar um centro, ou um nó na rede de maior "importância", que sirva de alguma forma como referência. Pesquisando em alguns trabalhos do Watts eu percebi que ele também inferiu algo similar. Temos que pensar no todo, no componente maior que a rede forma, e analisar se os caminhos estão distribuídos de tal forma, que permita que propriedades como busca e robustez sejam intrínsecas à rede. Como você disse uma vez, nem lembro onde, pensar mais nas moléculas e não nos átomos. Mas enfim, de qualquer forma, não obstruir interações é a característica inicial do modelo. Isso eu não poderia errar mesmo, depois de tudo que conversamos. Obrigado pela ajuda Augusto. E vamos que vamos, nesta ciência que é jovem, mas que promete...

 

abs

 

Augusto e Ericsson,

Toda vez que vejo este tópico sobre indicadores para redes sociais, para medir a interatividade, identificar fenômenos e compreender o comportamento humano que é um sistema nebuloso, através de um ferramental matemático, me vem um pensamento de que a melhor abordagem seria por fuzzy! Faz uns 20 anos que não tenho contato com o tema, mas vou dar uma atualizada.

Uma introdução/revisão!

[]s

PGC
 


Augusto de Franco disse:

Estive pensando, Ericsson. A equação que propus tem mesmo esse problema que você detectou (embora isso não retire seu poder demonstrativo). Mas acho que você não precisa para nada de um índice (matemático) e sim do conceito (ou melhor da relação distributividade => conectividade => interatividade). Não assuma como sua tarefa facilitar ou estimular as interações. Simplesmente tente não obstruí-las e deixe que a interação faça o resto! :)

Augusto, talvez aqui n seja o local mais apropriado para levantar essa questão, mas.... se eu quisesse visualizar o fluxo de uma rede qualquer por uma simulação, um vídeo, como poderia evitar considerar a natureza do que flui?

Se fosse um fluído real saberia de antemao que segue a equação de Navier-Stokes. Se fosse um campo eletromagnético saberia de antemão que segue as equações de Maxwell.

Acho que seria obrigado a estabelecer de antemão o que poderia acontecer quando um "pacote" de fluzz atinge um nodo. Ele pode se multiplicar, morrer, ser repassado aos outros com menos "intensidade"... Quais seriam as probabilidades de cada processo desses...? Qual é o divergente, o gradiente e o rotacional do fluzz sobre cada nodo da rede?


Gabriel R. de Andrade Silva disse:
Acho que seria obrigado a estabelecer de antemão o que poderia acontecer quando um "pacote" de fluzz atinge um nodo. Ele pode se multiplicar, morrer, ser repassado aos outros com menos "intensidade"... ?

Outras possibilidades: o pacote ser repassado com um "delay", o pacote ser distorcido (efeito "telefone s/ fio"), combinações varias entre todas essas possibilidades, dentre outras q ainda n consegui imaginar....

Questões muito interessantes, Gabriel. E acho que aqui pode ser o lugar mesmo de conversar sobre elas. No entanto, não estou bem certo de se funciona assim. O que determina a fluição não são as características intrínsecas de cada nodo (como se ele fosse um processador com input e output) e sim a maneira como ele está conectado a outros nodos. Independentemente das características intrínsecas de um nodo, se este nodo estiver conectado a todos os outros nodos (rede com 100% de distribuíção), não há como direcionar, condicionar, desviar, aprisionar ou atrasar o fluxo.

Fluzz não é bem um pacote (como se fosse um pacote de informação). Fluzz é o fluxo interativo que só existe quando ocorre interação. Fluzz não pode ser armazenado por um nodo ainda que possa ser aprisionado por um cluster (quando isso acontece dá origem a coisas inusitadas como, por exemplo, as que chamamos de instituições hehe).

Na verdade, o que chamamos de nodos são apenas "remoinhos num rio de água sempre a correr" (para usar a bela imagem de Norbert Wiener). Quer dizer, são sinfularidades em um tecido, em um campo...

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