Escola de Redes

O ARTIGO DO PROFESSOR AUGUSTO DE FRANCO. DESOBEDECA.

Quero colocar aqui para conhecimento de todos do Grupo um Artigo do Grande Filosofo e Sociologo Frances, Edgar Morin que é meio paraecido com o Desobedeca, so que ele fala da necessidade de uma Metamorfose Humana, vejam abaixo.

 

 

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Não veio o link...mas eu procurei e trascrevo:

Elogio da Metamorfose – Edgad Morin
Artigo publicado no jornal francês Le Monde, 9-01-2010



Quando o sistema é um incapaz de tratar os seus problemas vitais, degrada-se, desintegra-se ou então é capaz de suscitar um meta-sistema capaz tratar os seus problemas: metamorfoseia-se. O sistema Terra é incapaz de se organizar para tratar os seus problemas vitais: perigos nucleares que se agravam com a disseminação e talvez a privatização da arma atómica; degradação da biosfera; economia mundial desregulada; volta das fomes; conflitos etno-politico-religiosos que tendem a se tornarem guerras de civilização. A amplificação e aceleração de todos os processos pode ser considerada como o desencadeamento de um formidável feedback negativo, processos pelos quais se desintegra irremediavelmente um sistema. O provável é a desintegração. O improvável mas possível é a metamorfose.
O que é uma metamorfose?
Vemos inúmeros exemplos no reino animal. A lagarta rastejante que se fecha em chrisalide começa então um processo ao mesmo tempo de auto-destruição e de auto-reconstrução, de acordo com uma organização em forma de borboleta, não mais uma lagarta rastejante, ao mesmo tempo a mesma. O nascimento da vida pode ser concebido como a metamorfose de uma organização físico-química, que, chegada um ponto de saturação, criou a meta-organização viva, a qual, comporta ao mesmo tempo os mesmos elementos físico-químicos, produz novas qualidades. A formação histórica das sociedades, no Oriente Médio , na Índia, na China, no México, no Peru constitui uma metamorfose a partir de um agregado de sociedades arcaicas caçador-coletores, que deu origem as cidades, o Estado, as classes sociais, a especialização do trabalho, as grandes religiões, a arquitectura, as artes, a literatura, a filosofia. O mesmo para a guerra, a escravidão.
A partir do século XXI se presencia o problema da metamorfose das sociedades históricas em um novo tipo de sociedade-mundo, que englobou os Estados-nações sem os suprimir. Porque a continuação da história, quer dizer das guerras, por Estados que dispõem das armas de destruição, conduziu à quase destruição da humanidade. Enquanto que, para Fukuyama, as capacidades criadoras da evolução humana estariam esgotadas com a democracia representativa e a economia liberal, devemos pensar que pelo contrário que a história que está esgotada e não as capacidades criadoras da humanidade. A ideia de metamorfose, mais rica que a ideia de revolução, guarda o radicalismo transformador, mas a vincula à conservação (da vida, da herança das culturas).
Para ir em direção a metamorfose, como alterar o caminho?
Mas se parece possível corrigir certos males, é impossível ao mesmo modo travar desenfreio tecno-cientifico-econômico-civilisacional que conduz o planeta aos desastres. E no entanto a História humana frequentemente alterou seu caminho. Tudo começa, sempre, por uma inovação, uma nova mensagem desviante, marginal, modesta, frequentemente invisível aos contemporâneos. Assim começaram as grandes religiões: budismo, cristianismo, Islamismo. O capitalismo desenvolveu-se de maneira parasita nas sociedades feudais para o desenvolvimento finalmente se sobressair e, com ajuda das realezas, se desintegrar. A ciência moderna se formou a partir de alguns dispersos espíritos desviantes, Galileu, Bacon, Descartes, em seguida criou as suas redes e as suas associações, se introduziu nas universidades no século XIX, em seguida no século XX nas economias e nos Estados para se tornar um dos quatro potentes motores da embarcação espacial Terra. O socialismo nasceu dentre alguns espíritos autodidatas marginalizados no XIX século para se tornar um formidável força histórica no século XX.
Hoje, tudo deve ser repensado. Tudo deve ser recomeçado. Tudo recomeçou, mas sem que o sabermos. Estamos no estagio dos começos, modestos, invisíveis, marginais, dispersados. Pois já existe em todos os continentes, um fervilhamento criativo, uma multidão de iniciativas locais, no sentido de uma regeneração económica, social, política, cognitiva, educacional, ética ou de reforma da própria vida. Estas iniciativas não se conhecem entre si, nenhuma administração as enumeras, nenhum partido toma conhecimento. Mas são o viver do futuro. Trata-se de às reconhecer, às contar, às cortejar, às posicionar, e às conjugar numa pluralidade de caminhos reformadores. São estas vias múltiplas que poderão, se desenvolvendo conjuntamente, conjugar-se para formar uma nova possibilidade, a qual irá nos conduzir em direção da ainda invisível e inconcebível metamorfose.
Para elaborar as vias que irão se juntar a Via, devemos nos libertar das alternativas limitadas, às quais nos forçam a um mundo do conhecimento e pensamento hegemónico. Assim é necessário ao mesmo tempo mundializar e desmundializar, crescer e diminuir, desenvolver e envolver. A orientação mundialização/desmundialização significa que, se for necessário multiplicar os processos de comunicação e planetarização culturais, se for necessário que se constitua uma consciência de " Terra-pátria" , é necessário também promover, de maneira desmundializante, a alimentação da proximidade, os artesanatos da proximidade, os comércios da proximidade, territorio suburbano, as comunidades locais e regionais.
A orientação " crescimento/decréscimo " significa que é necessário fazer crescer os serviços, as bio-energias, os transportes públicos, a economia plural dentre a qual a economia social e solidária, a organização da humanização das megalópoles, das agriculturas, criações agrícolas e biológicas, mas diminuir as intoxicações consumistas, o alimento industrializado, a produção de objetos descartáveis e não reparáveis, o tráfego automóvel, o tráfego de caminhões (em prol dos caminhos d ferro). A orientação desenvolvimento/regressão significa que o objetivo não é mais fundamentalmente o desenvolvimento dos bens materiais, da eficácia, da rentabilidade, do calculável, é também o retorno as suas necessidades internas, o grande retorno à vida interna e o primaz da compreensão do outro, do amor e da amizade.
Não é suficiente mais denunciar. Devemos agora enunciar. Não é suficiente recordar a urgência. É necessário saber também começar por definir quais as vias que conduziriam à Via. Este para a qual tentamos contribuir. Quais são as razões para esperar? Podemos formular cinco princípios da esperança. 1. O aparecimento do improvável. Assim como a resistência duas vezes vitoriosa da pequena Atenas à formidável potência persa, cinco séculos antes da nossa era, foi altamente improvável e permitiu o nascimento da democracia e da filosofia. Do mesmo modo foi inesperado o congelamento da ofensiva alemã frente a Moscovo em Outono 1941, seguidamente improvável a contra-ofensiva vitoriosa de Joukov começada em 5 de Dezembro, e seguida no 8 de Dezembro pelo ataque a Pearl Harbor que fez entrar os Estados Unidos na guerra mundial. 2. As virtudes geradoras/criadoras inerentes à humanidade. Do mesmo modo que existe em qualquer organismo humano adulto células tronco dotadas de habilidades polivalentes (totipotentes) próprias das células embrionárias, mas inativadas, do mesmo modo existe em qualquer ser humano, qualquer sociedade humana virtudes regenerativas, geradoras, criadoras à estado dormente ou inibido. 3. As virtudes da crise. Ao mesmo tempo que forças regressivas ou desintegradoras, as forças geradoras criadoras se despertam na crise planetária da humanidade. 4. Este à qual se combinam as virtudes do perigo: " Onde cresce o perigo cresce também o que salva." A possibilidade suprema é inseparável do risco supremo. 5. A aspiração multimilenaria da humanidade à harmonia (paraíso, seguidamente utopias, ideologias libertárias /socialistas/comunistas, seguidamente aspirações e revoltas juvenis dos anos 1960).
Esta aspiração reaparece no fervilhamento das múltiplas iniciativas dispersas que poderão alimentar as vias reformadoras, destinadas a se juntar na via nova. A esperança tinha morrido. As velhas gerações estão fartas das falsas esperanças. As jovens gerações se queixam de não existirem mais causas como a da resistência durante a segunda guerra mundial. Mas a nossa causa carregava em si o seu contrário. Como dizia Vassili Grossman de Stalingrad, a maior vitória da humanidade está ao mesmo tempo em sua maior derrota, dado que o totalitarismo staliniano saía vencedor. A vitória das democracias reestabelecia ao mesmo tempo o seu colonialismo. Hoje, a causa é inequívoca, sublime: trata-se de salvar a humanidade. A verdadeira esperança sabe que ela não é certeza. A esperança não faz o melhor do mundo, mas num mundo melhor. O começo está a nossa frente, dizia Heidegger. A metamorfose seria certamente uma nova origem.



"Alma Nova"


A única maneira de teres sensações novas é construíres-te uma alma nova.

Baldado esforço o teu de querer sentir outras coisas sem sentires de outra maneira, e sentires de outra maneira sem mudares de alma.

Porque as coisas são como nós as sentimos.

Há quanto tempo sabes tu isto sem o saberes?

E o único modo de haver coisas novas, de sentir coisas novas é haver novidade no senti-las.

Muda de alma.

Como?

Descobre-o tu.

(Fernando Pessoa)

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