Escola de Redes

Algumas pessoas conectadas à Escola-de-Redes, interagindo no LABE=R no âmbito do NEXT do NEXT, resolveram começar a articular um cluster de inteligência colaborativa em uma cidade à 200 Km da capital de São Paulo. Não será uma empresa, uma ONG ou qualquer outro tipo de organização hierárquica ou burocrática e nem, muito menos, um grupo proprietário que exija concordância com uma visão de mundo ou com uma narrativa para aceitar aderentes e sim um FÓRUM DE INOVAÇÃO PERMANENTE, aberto a quem quiser se conectar e colaborar e trabalhar, presencialmente ou a distância. 

A ideia geral é desenvolver atividades e programas para ajudar empresas, entidades e cidades a desenhar novos projetos de sustentabilidade e configurar novos ambientes de inovação, capacitar articuladores e animadores de redes (netweavers, que serão demandados crescentemente pelo mercado) e iniciar processos de transição para padrões mais distribuídos de organização e modos mais democráticos de gestão e relacionamento. Em suma, basicamente, esse aglomerado em rede vai tratar dos temas do NEXT.

Para entrar nessa iniciativa as pessoas não precisam morar necessariamente na localidade escolhida. Poderão morar onde quiserem e ir para lá durante os eventos e outras atividades que serão realizadas. Mas podem morar lá também, integrando-se a uma vizinhança colaborativa que funcionará em rede e não pretende repetir as experiências das comunidades alternativas - de caráter adesivo ou participativo - que já foram tantas vezes intentadas em vários países e no Brasil na segunda metade do século passado.

A migração é uma mudança de lugar. O objetivo é chegar em outro lugar. Mas o que é, socialmente falando, chegar em um lugar senão interagir com as pessoas desse lugar? Em algumas circunstâncias, porém, para chegar em um lugar temos que sair desse lugar, não para fugir e sim para voltar ao ligá-lo a outro lugar por uma espécie de "buraco de minhoca". E aí, nesse outro lugar, interagir com as pessoas daquele lugar e de outros lugares. O fundamental não é o lugar. Se não for o lugar da interação, o lugar não é nada em termos sociais. Quem enseja a criação - e a criação é tudo, inovação e realização, restauração e cura - é o lugar da interação.

Não é propriamente para fugir de São Paulo (ou de outra cidade qualquer onde estamos agora). É, de certo modo, sair para entrar... Por que? Quando os acessos muito percorridos aos ambientes de um lugar estão configurados de modo a impedir ou dificultar a livre-interação criadora, porque se formaram sulcos no espaço-tempo dos fluxos, que passam a funcionar como creodos, não temos que fugir desse lugar, mas entrar nele por outros caminhos, às vezes por novos atalhos impercorridos. Quando os campos sociais estão fortemente perturbados pela hierarquia e pela competição, a única maneira de abrir espaços horizontais de colaboração é por meio de small bangs, explosões gama jorrando novas ramadas de neurônios..

Migração é um pretexto para mudar padrões recorrentes que se instalam nos fluxos interativos da convivência social. São viagens. Viagens são um modo de quebrar as circularidades inerentes às conversações que conservam determinados modos-de-vida ao reproduzir os mesmos comportamentos.

 

E AÍ?

Haverá um evento presencial para conversar sobre a Migração no LABE=R, em São Paulo, no dia 23 de fevereiro de 2015, a partir das 19h30. Acesse o evento no Facebook no link abaixo:

https://www.facebook.com/events/1543559555895780/?fref=ts

Se você, por algum motivo, não conseguir entrar no link acima, não tem grande importância. O conteúdo que está lá é o mesmo que está aqui (perderá apenas a conversação que está rolando no evento do Facebook, mas poderá participar da conversação aqui). E pode comparecer ao evento assim mesmo. O LABE=R fica na Rua dos Cariris 388, Pinheiros, São Paulo, SP.

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Respostas a este tópico

CARAMBA!!!!   Acho que tenho que fazer um bom curso para entender o que vocês estão falando.

Oi !    Alguém na escuta?

Esse tal de NEXT tem alguma coisa com a NET.   Se tem Eu tô fora!    Me aborreci muito com eles e agora tô na GVT!

Bom Carnaval Proces!!!

NEXT, para quem acompanha (inclusive por aqui na E=R) é um programa de investigação-aprendizagem sobre a transição de hierarquia para rede, que começou em 5 de agosto de 2013 e a partir de novembro de 2014 se transformou em NEXT do NEXT.

Caso se possa participar a partir de Portugal, importa-se de me inscrever por favor, Augusto.

Augusto de Franco disse:

Pessoal, vocês não estão conseguindo acessar o link por um ou dois dos seguintes motivos: 1) não estão registrados no Facebook ou 2) Não estão convidados para o evento (não é um evento público, mas apenas para convidados). Quem está no Facebook, por favor me mande uma mensagem e eu incluo no evento. Quem não está no Facebook, por favor, é só se registrar. Se não quiser se registrar perderá apenas a conversação que está rolando lá pois o conteúdo é o mesmo que está aqui. Abraços.

Uma vez três morceguinhos fizeram uma aposta para ver quem chupava mais sangue.

O primeiro saiu voando e depois de 3 min voltou com os dentes pingando sangue.

Os outros dois perguntaram como tinha acontecido?

Tá vendo aquela vaca seu pescoço está com dois buraquinhos.

Ai, o segundo saiu voando bem animado e depois de 5 min voltou com os dentes pingando sangue.

Os outros dois perguntaram como tinha acontecido?

Tá vendo aquele cavalo seu pescoço está com dois buraquinhos.

Ai, o terceiro saiu voando feito louco e voltou meia uma depois com a cara toda pingando sangue.

Os outros dois perguntaram como tinha acontecido?

Tá vendo aquele muro que tá faltando dois tijolos.



Giovanni Gigliozzi Bianco disse:

Que pena não poder estar no encontro, contatos presenciais são sempre muito bons! Moro em Curitiba e nesta data não poderei ir a Sampa! Mas Augusto me inclua no grupo do FB para poder participar do grupo meu Face é Ana Procopiak! Grata!

Querido Augusto e colegas,

Vou me agendar para estar no evento - vivo há tempos este tema da migração e do neo-rural; bom saber que tem mais gente sonhando alto.

abraço,

Gianmarco Bisaglia

MIGRAÇÃO DE COMPORTAMENTOS

Se existem pessoas interagindo, existem necessariamente múltiplas oportunidades. De tudo. De convivência, aprendizagem, trabalho, prazer, criação e realização. A questão é: por que não vemos isto? Por que construímos cercados ou muros separando de outras pessoas, que interagem conosco, nossos espaços de convivência, aprendizagem, trabalho, prazer, criação e realização? Por que achamos que manter relacionamentos abertos, vá-lá, até aí tudo bem, mas quando o assunto é trabalho (ganhar a vida), não podemos compartilhar iniciativas, sob pena de faltar para nós os recursos necessários, acreditando que - em razão de uma suposta escassez natural e universal (quer dizer, uma escassez de tudo quanto há) - "não vai dar para todos"?

É fato. Quando organizamos uma iniciativa qualquer para gerar receita, nossa primeira preocupação é separar bem o nosso negócio das nossas amizades (na base do "amigos, amigos, negócios à parte"). Mas em boa parte dos casos poderíamos encontrar sinergias entre nossas atividades e as atividades de outras pessoas que interagem conosco, multiplicando os resultados para todos. Novas conexões são sempre novos caminhos, novas oportunidades, novos mercados, novos clientes e novas habilidades e capacidades inéditas acrescentadas às nossas.

Mas, não! Nossas cabecinhas foram tão estragadas pela programação da Matrix (sim, é um software que modifica fisicamente o hardware) que acreditamos que nada disso é possível. Mesmo declarando muitas vezes o contrário, acreditamos que as pessoas sempre se comportarão de modo egoísta e que, se bobearmos, elas avançarão sobre nosso terreno, se aproveitarão de nossos recursos, tomarão nossos empregos,. nossos financiadores ou nossos clientes, conquistarão nossos parceiros e... no limite, nos roubarão deixando-nos na miséria. Não percebemos que em geral isso não acontece a não ser enquanto também nós nos comportamos assim. Os ditados populares via de regra expressam subrotinas dessa programação memética. Um deles, muito conhecido no Nordeste do Brasil, diz assim: "Somos quatro camaradas e só temos três sardinhas, cada um pegue na sua que eu tô pegado na minha". Ou seja, não percebemos que nosso comportamento faz parte da produção artificial de escassez (e a reproduz).

É possível fazer uma migração desse tipo de comportamento para outro tipo de comportamento? Parece que sim. Mas não fazendo discursos sobre isso e sim mudando mesmo de comportamento. Como? Talvez não seja tão difícil quanto parece:

Vai fazer uma empresa fechada? Não faça. Faça uma coligação de empresas pessoais e compartilhe com as pessoas que interagem com você e estiverem dispostas a se dedicar ao mesmo tipo de atividade: os relacionamentos, os mercados, as habilidades, as competências e os resultados das atividades conjuntas (cada qual, é claro, ganhando sempre pelo seu próprio trabalho e não pelo trabalho alheio). Sim, você pode trabalhar COM alguém e não apenas trabalhar PARA alguém (ou colocar alguém trabalhando para você).

Vai montar um grupo proprietário para realizar qualquer atividade? Não monte. Articule uma rede de pessoas que queiram se dedicar à essa atividade. Não defina uma identidade antes da interação, exigindo que os diversos outros eus assumam um mesmo nós organizacional para serem aceitos. Não há nenhuma razão pela qual um grupo fechado funcione melhor (e sobretudo mais prazeirosamente) do que uma rede aberta, a não ser o preconceito (fundeado lá no subsolo da sua consciência) de que uma coisa assim não pode funcionar, de que sem um mínimo de hierarquia não é possível, de que vai virar uma zona, de que as pessoas, abandonadas e sujeitas às suas livres opções, logo desistirão do que foi combinado e, no limite, se aproveitarão das suas iniciativas em proveito próprio.

Você não está lutando contra o mundo. Se você não lutar, não há luta (não, pelo menos, nos ambientes que você configurou de modo colaborativo). É óbvio que se você se organizou de modo competitivo, se você montou um bunker para se proteger do mundo exterior (visto como campo de concorrência) haverá luta. Todo potencial parceiro virará um provável inimigo. É aí você terá que se armar contra o outro que, por sua vez, também se armará contra você. O nome disso é defesa, quer dizer, guerra. Todavia, grande parte da dinâmica adversarial instalada pela preparação para a competição, se dissolveria se você procurasse ver o que ambos (você e seu concorrente) poderiam fazer juntos. Comportamentos geram comportamentos, gentileza gera gentileza, colaboração gera mais colaboração, sinergias aproveitadas geram mais sinergias.

É possível fazer uma migração de comportamentos? Em campos sociais fortemente deformados, isso é difícil. A hierarquia é um padrão de organização adequado à reprodução de dinâmicas competitivas. É por isso que achamos que não dá certo. Porque quando tentamos fazer isso colhemos decepções (na verdade mais achamos que tentamos do que de fato tentamos). Às vezes, para migrar comportamentos, é preciso migrar também fisicamente, abandonando certos ambientes onde os fluxos interativos da convivência social estão continuamente perturbados pela presença de entidades com alta gravitatem (uma burocracia, um líder). Às vezes, porém, isso não é necessário, bastando mudar a configuração dos clusters em que estamos emaranhados (se for possível). E às vezes, ainda, as duas coisas são necessárias.

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