Escola de Redes

Trago essa discussão que surgiu em outra trilha: a de "Processos inteligentes". Acho que ela poderá ter um ciclo de vida autônomo, descolado daquela onde surgiu.
O Augusto nos trouxe um trecho luminoso de Maturana, que coloca a natureza biológica do amor como fundante do que é o social, inclusive da linguagem.
Eu me senti desconfortável na leitura com um sentimento, que eu gostaria de compartilhar.
Vejam o seguinte trecho:

"Quando Maturana fala que “o amor é o fundamento do social”, ele está se referindo àquela “pegajosidade biológica” (cuja origem é associal) que funda o social, porquanto se manifesta como abertura e conservação de espaços de convivência que englobam vários indivíduos numa mesma proximidade, a partir do prazer da companhia, da simpatia, do afeto, da preferência, mas, fundamentalmente, pela aceitação do outro. "

O meu desconforto: senti que essa "pegajosidade" e a decorrente aceitação do outro é um dos lados de um yin/yang de opostos. Senti falta dos correspondentes "repulsa" e não-aceitação, que coexistem com os primeiros em qualquer agrupamento social. Ou seja, acho que o social deve ser caracterizado de forma a comportar também o conflito e a rejeição.


“A emoção que funda o social, como a emoção que constitui o domínio de ações no qual o outro é aceito como um legítimo outro na convivência, é o amor” (Maturana, 1988c: 27). Destarte, “relações humanas que não estejam fundadas no amor... não são relações sociais. Portanto, nem todas as relações humanas são sociais, tampouco o são todas as comunidades humanas, porque nem todas se fundam na operacionalidade da aceitação mútua. Distintas emoções especificam distintos domínios de ações. Conseqüentemente, comunidades humanas fundadas em outras emoções, distintas do amor, estarão constituídas em outros domínios de ações que não serão o da colaboração e do compartilhamento em coordenações de ações que implicam a aceitação do outro como um legítimo outro na convivência, e não serão comunidades sociais” (Idem: 27-8).

ou seja, Augusto/Maturana consideram que a emoção que funda o social, ou seja, a base para a colaboração, é o amor. Meu desconforto está no uso desse termo, que tem conotações apenas positivas, para uma coisa contraditória como me parece ser essa emoção fundante, e que, na minha percepção, tem naturalmente os dois opostos: a atração-rejeição. Sinto não ser apropriado utilizar o termo "amor" para querer dizer "aceitação", "respeito" etc. Podemos sentir repulsa, ou seja, não-amor, e ao mesmo tempo termos atitude de aceitação e respeito. Em meu caso pessoal, é frequente eu sentir repulsa, o que me leva a buscar a distância, que é uma reação a meu ver civilizada, nada me levando a crer que não amar aquela pessoa esteja em desacordo com a minha ética pessoal.

Para Maturana, portanto, “os seres humanos não somos todo o tempo sociais; o somos somente na dinâmica das relações de aceitação mútua. Sem ações de aceitação mútua não somos sociais. Com efeito, na biologia humana, o social é tão fundamental que aparece a cada instante e por todas as partes” (Maturana, 1988d: 77).

Novamente Maturana vincula o ser social à dinâmica de aceitação mútua. Penso eu que o ser social é a dinâmica de aceitação-rejeição no nível individual, mas a de aceitação no nível coletivo, ou seja, aceito o outro de quem sinto repulsa, embora não o deseje perto de mim. Para isso crio modos de me conectar a ele, através de outras pessoas que eu aceite e que o aceitem.

Penso que essa discussão tem importância para o reconhecimento da estrutura das redes sociais, de modo a integrar nela a dimensão do indivíduo. Pela natureza complexa do indivíduo, ele sempre rejeitará alguns outros indivíduos. Nem por isso deve deixar de ter acesso a eles, o que poderá ocorrer através de outros indivíduos que façam a conexão, e que sejam caminhos de passagem de um para o outro. Isso não necessariamente cria pontos de obstrução ou de concentração de poder, desde que haja multiplicidade de caminhos entre esses dois indivíduos que não são capazes de se conectar diretamente.

O que vocês acham dessas reflexões? Em que vertentes teóricas elas podem se encaixar? Quem já explorou essa natureza contraditória a que me refiro? Como o próprio Maturana responde a essas percepções?

Como sei que estou a 2 graus de distância do Maturana (via Augusto, Algarra, Lia, Fernanda e outros), adoraria aprender do Maturana através de vocês :-)

Um abração amoroso:-)

Exibições: 2450

Responder esta

Respostas a este tópico

É outra discussão mesmo a que você propõe, Sérgio. Ou, no fundo, é a mesma, mas a partir de outro approach. Citei o Maturana apenas para dizer que ao reconceitualizar de maneira radical o 'social', ele resolveu o problema a que me referi na discussão com a Vivianne, no fórum intitulado Processos inteligentes e redes sociais. Meu ponto ali não era propriamente o amor (na acepção de Maturana) e sim a idéia de que "relações hierárquicas não são relações sociais" (nesse particularíssimo sentido que Maturana atribui ao termo 'social', repito).

Mas volto ao problema. A mesma palavra (hierarquia) está sendo empregada para designar conceitos distintos e provocando confusão, às vezes propositalmente, por quem argumenta mais ou menos assim: "Tá vendo só! Tem hierarquia nas redes naturais ou físicas, aqui e ali, assim e assado. Logo, é natural que elas também existam nas redes sociais". Se a ciência não tivesse desmascarado os embustes, até hoje estaríamos alegando que os formigueiros têm chefes, que as abelhas têm rainhas (que se comportam como a realeza absolutista se comportava nas sociedades humanas), que os pássaros que voam em bando são sempre liderados por um deles, que é mais capaz do que os outros (a quele que vai lá na frente, numa formação delta, por exemplo), que os humanos são mais evoluídos do que as outras espécies (até a genial Lynn Margulis nos mostrar que todas as espécies são igualmente evoluídas).

Agora, para entrar nesta discussão que você propôs aqui é necessário, primeiramente, considerar que Maturana não está falando de sentimentos. O amor para ele não é um sentimento. É uma emoção, quer dizer, uma disposição (biológica) para a ação. Quando você diz: podemos sentir... (repulsa ou atração) você está falando de sentimento. Bem...

Para não perder o fio da meada sugiro que você comece pelo próprio Maturana, em primeira mão mesmo. Uma abordagem conceitual, a meu ver, seria começar pelo texto O arcabouço teórico da biologia do fenômeno social. Esqueça as minhas "costuras" no texto e vá direto às citações.
Caro Augusto
Agora vc me encurralou, e me atingiu em outro ponto, que até mereceria ser discutido em outro lugar também: o da honestidade intelectual. É o seguinte: não lerei Maturana no original, e sim através de você, do Algarra, da Fernanda e outros amigos. Por que? Não dá tempo. Fiz minha escolha do grau de profundidade até onde quero chegar no conhecimento de cada tema e cada autor. E escolho pessoas que são as pontes que utilizo para chegar a outras, pois acredito no número de Dunbar, os 150 que a gente consegue manter numa relação de qualidade (aprendi contigo, reforçado pelo Tipping Point, e não com o Dunbar). Portanto, preciso de intermediários.
Quando eu citar Maturana, será justo que eu cite também os canais que uso como acesso ao Maturana. Vale dizer que para mim e como referência para outros, talvez valham mais esses canais do que o próprio Maturana. É situação análoga à do Newton, que se viu grande porque estava sombre os ombros de gigantes.
Agora, questões sobre integridade intelectual, para discutirmos em algum outro tópico (veja a falta do wiki):
- tenho legitimidade para citar o Maturana sem ter lido a sua obra? Posso pinçar frases do Maturana (ou do Einstein etc) e usá-las fora de contexto?
- indo mais longe, e me referindo a algo que já ocorreu aqui em nosso espaço (amor-ódio): tenho legitimidade em falar sobre ARS sem ter feito diretamente nenhum trabalho com ARS?

E um outro questionamento, este envolvendo os papéis de atores numa rede-escola como a nossa: todos devem ser intelectuais, ou seja, estudarem os textos em profundidade? podem ter status outros papéis que não sejam o de intelectual? que sejam por exemplo o de netweaver?

Coloco isso como caso específico para estudo no nosso presente, tendo em vista o aprendizado sobre e para as organizações em rede, num tópico que merece com certeza um espaço próprio: o da diversidade de papéis numa organização em rede: o gardener, o organizador de conteúdos, o netweaver propriamente dito, o thought leader (onde acho que se aplicam as reflexões sobre a liderança contingente) etc.

De novo o hipertexto, hehehe!
É... Mas ainda não dá Sérgio. Se você abre um fórum intitulado "Discutindo o conceito de amor em Maturana" não pode deixar de ler Maturana. Abraços.
Sim, concordo com Augusto para Maturana Amor não é um "sentimento".
Sentimentos estão em um campo subjetivo e qualitativo de nosso viver: Sinto isso ou aquilo e qualifico esses sentimentos de agradáveis ou desagradáveis...
Acho que Maturana não descarta sentimentos do seu conceito de amor, mas os engloba dentro de uma dinâmica mais ampla.
Se, somos construídos pelo mundo ao mesmo tempo em que nos construímos, nesse processo entram as outras pessoas:
A construção da realidade é necessariamente compartilhada.
Maturana chama de biologia do Amor um aprofundamento da biologia do conhecimento sob a luz da alteridade e chama isso de Matriz Biológica da Existência Humana!


Com relação ao surgimento do ser humano, Maturana o associa à manutenção de um modo de vida centrado:
- no ato de recolher e compartilhar alimentos
- na colaboração entre machos e fêmeas no cuidado da prole
- na convivência sensual (expansão sensorial)
- na sexualidade das fêmeas vinculadas ao seu próprio interesse e disposição e não a períodos espaçados de cios
- tudo isso no âmbito de um pequeno grupo de indivíduos.

Sérgio, esse amor que surge na validação do outro como legítimo outro tem a ver com uma relação fundante de nossa espécie, o cuidado. Somos seres cuidadores, e todos fomos cuidados. O inseto que bota o ovo e vai embora gera uma linhagem de seres não sociais. O inseto que bota o ovo e fica para cuidar do ovo, protegê-lo, lambê-lo, manipulá-lo, deste teremos uma linhagem social. Grosso modo, claro. O inseto cuida do ovo na realização de si mesmo enquanto ser vivo. A mãe cuida do fiolho enquanto alguém tão válido como ela mesma. Diferente do tubarão, que não tem filhote, gera outro tubarão, só que pequeno.
Os humanos nascem na predestinação biológica de serem cuidados. Nosso sistema nervoso, nossas dinâmicas emocionais surgem neste contexto. Estamos preparados apenas para sermos aceitos como válidos, percebe? Tem sido assim a milhares de anos.
Somente a poucos milhares de anos, quando nossas linhagens derivaram para um padrão civilizatório que conserva a exigência, o patriarcado, como dinâmica recorrente, é que nossos filhotes passaram a experimentar algo que é um não-amor. Tão desconfortável é esta situação para a nossa corporalidade que desenvolvemos critérios de validação para operarmos distinções entre o que é uma experiência no amar e o que não é! Estes critérios são individuais e subjetivos, não temos acesso a eles no outro, e geralmente nem os percebemos em nós mesmos. Essa dinâmica é explicada por Ximena Dávila como uma traição cultural, origem de todo sofrimento humano.

Estes argumentos sobre amor e repulsa que você traz pertencem a um outro domínio de conhecimento, numa outra instância do viver humano. Somos seres constitutivamente amorosos, isto é o que diz Maturana ao explicar nosso desenvolvimento cognitivo enquanto seres humanos. Se não fosse a aceitação do outro enquanto um outro válido, não seríamos o que somos hoje, apenas isso.

Respeito sua decisão de não leu o Maturana porque entendo que conhecimento é uma operação de conversação que surge no diálogo de um observador com outro que pode ser ele ou ela mesma. Maturana conserva uma conversação em suas perambulagens pelo mundo. Sugiro que você se inscreva numa delas. Busque através da Escuela de Santiago o calendário de encontros no Chile e até mesmo no Brasil onde, através da UNINDUS temos uma Certificação em Biologia Cultural que dura três anos, com três semanas presenciais de imersão com Maturana por ano. Aproveite, ele tem 81 anos, ok?

Agora, se não quiser isto também, bom, então posso fazer ou indicar alguém para fazer um coaching de Biologia Cultural prá você e equipe. Se não quiser isto também, então não se surpreenda se a gente te deixar falando sózinho às vêzes, certo? Brincadeirinha. Hehehehe...
Sergio, me alegra que bajes esta conversa a la tierra. La insistencia de Maturana y (de alguno de sus seguidores) sobre el término amor para definir un línk primario de lo social humano no lleva a poucos errores, por lo pornto confunde por la concepción del término amor que tenemos todos y sobre todo porque para él el amor es una emoción primaria que posibilita un interlink infrarracional ( software de base) con características tales que favorece la prevalencia de la unión entre dos nosdos humanos. De allí que el erotismo esa una espece de amor donde está involucrado lo sexual, la conservación de la especie y sobre todo la filogenia
Pero como contraposición al amor hay otra emoción que produce el efecto contrario, es la rabia, la ira, si la primera tenía connotaciones "positivas" ( aunque tanto Maturana como otros seguidores se empeñen en sacar de estas categorías a las emociones) la ira es destructora de vínculo social y es tan natural y arcaica como el amor. Luego, Freud mediante, ambas pasan a ser un River - Boca de nuestros sistemas sociales, interpretadas estas como decinencias eróticas o tanáticas de nuestro cinconciente.
Susana Bloch describe perfectamente este fenómeno emocional al que nosotros hacímaos referencia aquí como base de la igualitariedad para un sistema político republ...
Pero de vuelta nada nos dice de por qué el amor junta, une, pegajosea y el odio rechaza, despegagosea.
Entonces en este punto nos debemos apartar necesariamente del sustento emocional de la unión y ubicarnos en un nuevo software, una nueva generación, mas evolucionada que las emociones de la compleja red de computadoras de lo social.
Ese concepto es el de "fraternidad", que al igual que el del amor son tan arcaicos que se desvirtúa a medida de que evoluciona lo social. Fraternidad no es otra cosa que un sistema de intercambio de flujos materiales e informáticos tal que permita la libre y ergódica (que le llegue a todos) circulación de los flujos, ¿entre quienes?, entre los que se "aman".
Pero de la fraternidad tb se apoderaron las religiones, las masonerías, los clubes, los universitarios como algo con connotaciones absolutamente positivas en donde una capa de softwarte moral o religioso, imposibilitaba o inhibía sus reales connotaciones negativas. De hecho el término, al querer "universalizarlo" entra en desuso y queda como una expresión naivf de lo que realmente es: una verdadera topografía de red mucho mas distribuida que centralizada.
Entonce llegamos por fin a lo que vos preguntás que pasaba con la repulsa.
Para que se entienda es preciso discriminar que toda fraternidad donde circula el amor es , si no cerrada fhechada, bastante cerrada, como cualquier germandad de una familia, donde se puede ver circular lo matrístico mas que los patriarcal todavía. Sin embargo esto no invalida que la pequeña sociedad fraternal no se relacione como grupo con el afuera, tb con un intercambio de flujos, esta vez no internos, no metabólicos sino de demanda grupal. Entonces tenemos una circulación interna de distribución y una circulación con el entorno de demanda. Esto cierra un contorno, (del que no vamos a hablar hoy para que no se confunda el eje de la cuestión que planteas.) Dentro de ese dominio y solo dentro de ese contorno son válidas tanto las acepción de amor de Maturana y Bloch y la mía de fraternidad.
Pero ahí se plantea el probelma de quienes "pertenecen al dominio y quiene no, hasta que punto, una sociedad fraternal puede aceptar un integrante nuevo y cuando no. Cuan cerrado es ese contorno a la incorporación de nuevos nodos y cuan abierto es, o cómo se permite el ingreso o egreso de los nodos de la topografía de la red distribuida. Porque si acá hay un pelmazo, un troll que ingresa en esta Escola e redes, siempre hay alguien "que lo invite a retirarse".
Por qué no aceptamos los trolls, y la figura del Troll creo que pinta exactamente la emoción de la rabia , del odio, del Yang del amor; no aceptamos los Trolls porque ponen en riesgo la filogenia de la red. El troll tieno como función la de romper redes constituidas, el grano de cizania, que provoca la discorda y rompe el estado idílico del amor maturanez.
Pues bien, si definimos perfectamente lo que NO queremos como grupo y expuldsamos los trolls, los que no califican como trolls pero que tienen posicione s disonante son tolerados, ¿aceptados? El bardo que toca la lira en la aldea de Asterix.
Entonce cuanto odio emocional nos debe producir un agente en particular para que decidamos expulsarlo, cuando el yang del amor convierte en Troll a algún agente. La respuesta creo haberla encontrado hace muy poquito, citábamos aquí:
“A partir de la obra de Schmitt, pero contra Schmitt, Chantal Mouffe esboza una concepción agonística y no antagónica de la política, que logre mantener la relación adversarial sin que ésta se transforme en una relación amigo-enemigo radical como en el autor alemán.”
También citábamos a Juan Urrutia en ese post “Saquemos pues esto de la fraternidad de ese contexto religioso y veamos que queda.” Se anima Juan “Algo anterior y previo a la solidaridad. ¿Qué es eso? He aquí la pregunta que, bien respondida, podría dar la réplica a los planteamientos Schmittianos más allá de los agonismos o las escenificaciones.”
Y a partir de la teoría de juegos Juan concluye que es una cuestión de distribución de información a nivel red distribuida:
"La solución de la paradoja se encuentra, no en las estipulaciones que parecerían obvias, sino justamente en que no hay conocimiento común de la matriz de pagos y del hecho de que los contendientes prefieren más a menos. Si el conocimiento de esas dos piezas de información es solo conocimiento mutuo de orden N, N finito, cabe la posibilidad de que yo piense que igual tu no eres un hijo de mala madre sino un hermano y me atreva a jugar cooperativamente. Si además tu piensas lo mismo aterrizamos en el equilibrio cooperativo por obra y gracia, he ahí la bello de esta solución a la paradoja, de algo que solo se puede denominar fraternidad."
Por lo tanto lo agonal no quiere decir antagónico, sino la posibilidad de aceptar la diferencia del otro y convivir "fraternalmente" en una Fraternidad laica, con un amor laico y un odio tb laico.
Sobre discriminación creatividad y aceptación de la diferencia teníamos este otro post

Cheguem as próprias conclusões após assistir a este vídeo:

http://www.ted.com/talks/lang/eng/susan_savage_rumbaugh_on_apes_tha...

Responder à discussão

RSS

© 2019   Criado por Augusto de Franco.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço