Escola de Redes

CONVERSANDO SOBRE A MOVIMENTAÇÃO DOS "OCUPA" E UMA NOVA POLÍTICA EM REDE

Resolvi abrir aqui este fórum a partir de uma conversação com o Sergio Kienteca em um post do Sergio Venuto, lá no Facebook, acerca da movimentação dos "Ocupa". O tema desse post foi um artigo do Bruno Cava sobre a OcupaRio. Transcrevo tudo para cá e depois vamos ver o que rola.

Começou assim...

Pessoal, o Bruno Cava digita alma e não letras no seu teclado ao escrever seus textos, suas crônicas. Nesta, ele interpreta o que é o ocupario no seu décimo dia. Vale cada segundo da leitura! Desfrutem!


OcupaRio é muitos

by Bruno Cava em Quadrado dos Loucos

Nascimento de Macunaíma, interpretado por Grande Otelo

A acampada da Cinelândia completou 10 dias e continua gerando perplexidade. A grande imprensa, os meios de esquerda, os transeuntes, todos repetem as perguntas: do que se trata? quem participa? o que pretendem? até quando?

Aqui, como nas milhares de ocupações do 15-O pelo mundo, se exasperam ao não obter respostas. E não é porque não existam respostas. É que as questões estão sendo mal formuladas. Se o OcupaRio é um movimento, não é do tipo orgânico, não tem líderes ou bandeiras, nem assume uma pauta fechada e definitiva. Não consiste num movimento no sentido de um grupo reivindicatório, cuja dinâmica culminará num bombardeio de demandas ante o estado e a sociedade. As ocupações pelo mundo coordenam um movimento simplesmente porque colocam em marcha outra forma de fazer política e outra organização das relações sociais de produção. Ajudam a recompor outro sujeito político, à altura de nossa geração.

Daí o slogan anticapitalismo ser pouco e até dê cartaz demais ao capitalismo. As acampadas já são um esboço da alternativa, já são um evento constituinte de outro mundo, além do mercado e do estado.

No fundo, o OcupaRio não precisa se explicar para existir. Precisa, sim, se processar para que se explique na medida que uma nova realidade seja mais discernível. Uma nova política, um novo direito e uma nova mídia se tornem mais visíveis e vivenciáveis, à luz dos novos pensamentos e práticas, que esse tipo de movimento produz por si mesmo. A gramática da esquerda partidária e no governo é incapaz sequer de enxergar a sua potência. Daí continuar demandando, junto com a grande imprensa, por uma resposta inequívoca e sem delongas. Assim, como escreveu Slavoj Zizek, exercem o papel da autoridade masculina, que interroga a mulher histérica para lhe dizer o que, afinal, ela quer. “Você só sabe reclamar!” É o chefe que exige uma resposta objetiva: “Responda em língua que eu entenda, ou cale a boca!” O senso comum opera conservador e moralista. E é fácil se aliar a ele para ridicularizar o diferente, o que inova ante o previsível.

Mas quem são os indignados acampados por um outro mundo?

No centro do Rio, com 10 dias, o movimento vem conseguindo se amalgamar com a experiência das ruas, embora o tema seja polêmico. De qualquer forma, definitivamente, não se resume a (mais) uma manifestação da classe-média branca ilustrada da Zona Sul. Não se compõe simplesmente de estudantes, internautas e acadêmicos. Nem somente de jovens militantes, artistas ou  trabalhadores da cultura. Também isso, mas muito mais.

Com 10 dias, o OcupaRio foi atravessado pelo cotidiano urbano no seu nível mais molecular, no nível do habitar. Agora, a praça ocupada não vive apenas relações superficiais e passageiras. Tornou-se um teatro espontâneo, onde as pessoas são atores e espectadores. Foram montadas tendas fixas para reuniões, música e artesanato, um centro de mídia independente, uma casbá que lembra cada vez mais, guardadas as proporções, a Praça Tahrir. Aos poucos, muitos elementos da metrópole convergem no espaço produtivo e se misturam e se intensificam. As pessoas tomam desordenadamente a palavra e ela se inscreve nos concretos, nos cartazes, nas tendas, no centro das rodas.

Essa desordem vive. Macunaímica. Isso também é a acampada da Cinelândia.

É a moradora de rua que se esparrama no meio das rodas e regurgita a opressão cotidiana, com raiva e irresignação. É o mendicante que quer rasgar os cartazes de 1968. São as brigas de hippies furiosos, esses que viajaram o Brasil inteiro três vezes, com notícias de Altamira, de Jirau, do Jalapão, do Rio Xapuri. São as ameaças, as rixas, os sururus à ponta de faca, momentos essenciais, que põem à prova o desejo de autonomia e produção em comum. São as discussões ríspidas e os desgastes na fila da comida. São os desconhecidos pretos de tão pobres, que se aconchegam em barracas vazias à noite, e conversam, e brincam, e furtam, e arrumam confusão, e simpatizam. É o punk estradeiro que não respeita convenções de assembléia e grita porque veio pra gritar. São os udigrúdis funkeiros do Alto Lapa nas noitadas molhadas. São os secundaristas que matam a aula da tarde e se iniciam na milenar arte, entre lonas clandestinas.

São os guardas municipais, quase todos pretos, mas brancos de cassetete na mão, caras feias e fixação fálica. São os saltimbancos, os palhaços fardados em performance, a milícia dos Anonymous, o comitê dos babalorixás, o alegre argentino que megafone à mão chama “compañeros! compañeros!”, o monge filipino zen-budista, as umbandistas e seus pontos de Iansã. São os pures et dures, esses fanáticos morais do Teatro de Operações, e os anarco-queers, e os roqueiros de preto do Rio Grande do Sul, e os intelectuais de praça e de pirraça, e os deleuzianos psis, e os exércitos de um homem só. São  os loucos de toda espécie multiplamente classificáveis por uma psiquiatria repressora, os drogaditos e bêbados que passam e resolvem dar algum recado ou sinceramente espezinhar. É só chegar!

São indignados, inadaptados, enjeitados, rebeldes vermelhos e pretos e coloridos, malucos beleza ou treteiros, hippies e punks e beatniks e hip hops, — loucos o suficiente para ousar saber e ousar mudar o mundo e que, eventualmente, mudam o mundo. São os únicos que mudam. Tão ingênuos quanto, de fato, o mundo realmente muda de tempos em tempos.

E é também a menina de rua, em trapos, suja e semianalfabeta, prostituída, cuja salvação ela encontra na cola, no loló, no crack. Que o capitalismo fracassou salta aos olhos, mas as meninas de rua mostram como esse fracasso se naturalizou, — não escandaliza mais.

O OcupaRio não é bonitinho, não é harmônico, não é um acampamento de verão, não é um desfile de cansados e recalcados. E é bom que não seja. Porque a sociedade não é. Saturado de determinações e qualidades, da potência da cultura das margens, ele vai se construindo como mais um quilombo insubmisso, da insubmissa cidade do Rio de Janeiro. É zona autônoma de confluência das redes e os fluxos sociais antagonistas, da divisão de classe, da segregação racial, onde os preconceitos, apartheids e intolerâncias emergem e oprimem e são problematizados e enfrentados. O Um se faz Dois.

Afinal, o OcupaRio assume a sua estética da fome, a vergonha nacional sem romantizações. Seu caldeirão profundamente diferencial e mutante comunica a verdadeira miséria ao “civilizado” e não como mero dado antropológico para a academia. Convoca à recomposição da esquerda, do sujeito político, do discurso e da práxis.

É preciso resistir e é preciso cantar. Como dizia o baiano Gláuber Rocha em tempos de tropicalismo cangaceiro, eis aqui uma experimentação radical para os novos e os velhos: “um titânico e autodevastador esforço de superar a própria impotência“.

 

Daí surgiram os seguintes comentários:

Augusto de Franco Belo texto do Bruno Cava. No entanto, lá no final, há um sinal equívoco, pelo menos para mim, quando ele afirma que o movimento "convoca à recomposição da esquerda, do sujeito político, do discurso e da práxis".

Claro não fica, pelo menos para mim, se se trata de percepção de intenções manifestadas dos manifestantes ou de interpretação de um significado objetivo feita pelo autor. De qualquer modo, porém, será sempre interpretação do sujeito (o autor). Mas por que mesmo precisamos "recompor a esquerda"? Se reeditarmos a política como questão-de-lado, reeditamos a velha política,conquanto sob novas, inusitadas e surpreendentes formas agggiornadas, adaptadas à contemporaneidade da emergente sociedade-em-rede. Mas se se trata de recompor, reconstruir, ressignificar, o que seja, UM LADO, trata-se, então, decombater UM OUTRO LADO, de validar um combate ou uma contraposição, ou uma demarcação topográfica (ainda que no espaço-tempo dos fluxos). Pelo contrário, entretanto, o que me anima nos Ocupa é a apreensão e a manifestação da política como questão-de-modo. Não é o resultado do movimento o essencial e sim o modo de se movimentar. Não há um porto, um ponto de chegada e sim um perpétuo navegar.


Sergio Kienteca Augusto, esta dúvida constante está presente nas pessoas, na gente. Contradição que, na minha opinião, faz parte da aprendizagem por querer algo que não isso que tá aí. Por isso os bugs e os erros grosseiros que acontecem nesta busca. Pode ser um pouco de tudo do que vc disse. Diria que, pra este momento, equívocos quase inevitáveis. O que me inspira em tudo o que está acontecendo é a discussão, a permissão de cada um 'a descoberta, a tentar eliminar de si os vícios que carrega. E são muitos. Por isso acho importante suas intervenções (e também a de todos). A da galera que tem tentado resolver estas contradições ao longo deste tempo nas discussões da Escola em Rede.

Bem, é isso. Só posso dizer que nas discussões diárias que estamos realizando em função do ocupario me faz sentir como se estivesse num constante 3o Simpósio de Redes em Campos do Jordão.... Abraços!

 

Gabriel Faria Magalhães Otimo texto Sergio Kienteca! To achando que vc nao é mais o Aladin, e sim o Genio!

 

Augusto de Franco Também vejo tudo isso do Ocupa com grande interesse Sergio Kienteca. No entanto, o que chamamos aqui de contradições, creio que não sejam propriamente vícios (de indivíduos) e sim a resiliência de um velho programa que continua rodando na nuvem social que chamamos de mente. Fiz o mesmo comentário (que fiz acima) lá no blog do Bruno Cava e veja o que ele me respondeu:

"Concordo com o eterno navegar e a demarcação fluida no "espaço-tempo dos fluxos". Mas, se existem 99%, existe o 1%. Você não acredita em esquerda e direita, em luta de classe? (com todos os seus considerandos). A própria forma-rede põe em questão as relações de poder e é atravessada por tentativas de hierarquizar, comandar e explorar economicamente".

O problema é que não existe uma "forma-rede" como um novo tipo de organização que seria vulnerável à manifestação do poder etc. Existe a rede social que são as pessoas interagindo e o que chamamos de poder é uma configuração (topológica) dessa rede que se replica, vamos dizer assim, "automaticamente", enquanto não desinstalarmos o software. Mas não há como desinstalá-lo a não ser mudando o hardware (a configuração da rede). Então, arrebanhamentos, assembleiamentos e outras configurações que induzam procedimentos que produzam artificialmente escassez (como votações, construção administrada de consensos etc) e formação de contingentes para enfrentar outros contingentes (a tal "luta") - tudo isso mantém o velho programa. Creio que esta conversação poderia ser continuada e ampliada em uma plataforma com recursos mais cômodos do que o Facebook. Vou propô-la lá na E=R, topas?

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Respostas a este tópico

Eu gosto da ideia dos 99% e do 1%. Entendo que ela é melhor e atualizada em relação aos lados esquerda e direita. E concordo que ela ainda não é os 100% que defendes sutilmente, tratando de ser uma questão de modo e não de lado.

 

Mas os 99% é uma percepção necessária para os 99%. Dizer que não somos mais uma metade ou um terço e sim a ampla maioria. Incluir nessa maioria a Zuleika e o seu Adamastor. A puta e o contador. O jovem, a cabeleireira, o empregado, o desempregado, o punk e o carola. Eu acho que caminharmos para esse 99% é um bom "modo" de chegarmos nos 100%.

Power Laws, populismo e institucionalidad 1


Repasar este video todas las veces que sea necesario. Fijémosnos en este gráfico sobre la cantidad de fotos por fotógrafo sobre la guerra de Irak

image

Lo que describe el gráfico es un Paretto perfecto donde el 80% de los fotógrafos han tenido igual colaboración (en cantidad de fotos) que el 20% restante. La tesis de Clay Shirky es que si intentáramos institucionalizar el trabajo del universo de fotógrafos que aparecen en Flikr, el costo de esta estructura sería inabordable a partir de un determinado punto de la curva, pongamos por caso el promedio (Average).

"Las masas obreras que no han sido organizadas presentan un panorama peligroso, porque la masa más peligrosa, sin duda, es la inorgánica (...)

"Por cada huelga producida naturalmente, hay cinco producidas artificialmente, y ellas lo son por masas heteróditas, que tienen dirigentes que no responden a la propia masa. En permitir y aun en obligar a los gremios a formar sindicatos, radica la posibilidad de que los audaces que medran a sus expensas puedan apoderarse de la masa y obren en su nombre en defensa de intereses siempre inconfesables (…). Discurso de Juan D Perón citado por Fernando Russo

El punto es cómo se organiza una sociedad para que sea contenida y deje de ser peligrosa, léase reaccione contra si misma.

El gráfico de las Pawer Laws si bien muestra fácilmente lo costoso ambos totalidades, tanto la institucionalidad total como la organización colaborativa total, no especifica la forma de articulación entre ambas formas de organización social.

Tanto el republicanismo como paradigma institucional, como el populismo como representante de la autoorganización colaborativa, solos por si mismo no pueden dar respuesta a la totalidad del universo, queda claro que si nos ocupamos solamente de la porción izquierda de la curva descartando el 80% restante o si pretendemos equiparar los colaboradores que aportan una sola foto con aquellos que realizan la gran parte del aporte, los sistemas simplificados entrarán en colapso. Unos por asesinato categorial, otros por desbalance en las contribuciones.

Power Laws, populismo e institucionalidad 2

Llamaremos clase a todo agrupamiento de personas que establezca paridad, un núcleo fraterno en cuyo interior todos se traten como pares, establezcan una identidad colectiva e instituyan una diferencia con el entorno. Estas clases definen internamente una ética de funcionamiento, una ley de morada, una moral que permita articular la convivencia del conjunto. Esta paridad debe establecerse no solo en la calidad de las aportaciones sino en la cantidad que también debe ser pareja.

Hacia el exterior la clase establece una estética desde donde dialoga con otras clases. También puede ser reconocida por esa estética, la estética hace referencia directa a la identidad de clase, le da al grupo pertenencia .

El  conjunto de clases dialogando entre si forman un sistema siendo la interacción interclase mucho mas fluida y frecuente que la artuiculación intersistema.

Figura. La jerarquía de tres niveles de la distribución de Pareto-Zipf-Mand... PZM: unidades procesamiento locales (pequeños puntos), clases de unidades de procesamiento (círculos punteados) y sistema de interacción global (círculo grueso).

Laclau

Curiosamente Laclau establece la jerarquía de tres niveles para definir el populismo. Al igual que Winiwarter diferencia actores sociales con identidades distintas conformados en grupos sociales perfectamente distinguidos y disimiles (unidades procesamiento locales), que en un determinado momento encuentran equivalencias con otros grupos encadenando una cadena equivalencial, que los conforma como pares (clases de unidades de procesamiento), luego todos en conjunto conforman el sistema que establece la diferencia (sistema de interacción global)

Sin embargo estos modelos el de Clay Shirky, el de Laclau o el del republicanismo, en un punto se vuelven totalitarios y ostentan pretensiones de verdades universales.

Lo que queda claro a partir del gráfico de la Power Laws es que ni uno ni otro pueden ser totalidades, ni una clase puede ser la totalidad del sistema ni una jerarquía institucional puede individuar al conjunto en pequeñas islas humanas jerarquizadas.

Deberá existir una tensión entre ambas, en donde en la medida que  las clases se agranden de tamaño ( sus integrantes se vuelvan mas pares) las diferencias interclase deberán incrementarse a fin de posibilitar la creatividad y la posibilidad de resiliencia del sistema. Por el otro lado en la medida que el sistema se jerarquice despreciando largas colas de diversidad, estas mediante un mecanismo populista pueden articular paridad para establecer hegemonía para discutirle de igual a igual a las jerarquías institucionalizadas en base al número.

Si las jerarquías representan al liberalismo, la paridad intra clase representa al populismo, en dónde queda la premisa socialista de la igualdad de clase. Ésta quedará representada por la diferencia inter clase, las jerarquías que establece la puja se clases deberá achatarse para que la sociedad no se estratifique.

De esta forma la tríada republicana quedaría representada por este sistema de jerarquías de tres niveles, una Power Law que se reproduce en la naturaleza hasta el infinito.

Todo sistema que gane en potencialidad, deberá en consecuencia restringirse en diversidad, como resultante perderá  resiliencia. Contrariamente todo sistema que gane en resiliencia será mas resistente respecto a fallos pero no podrá resolver situaciones como en las que se necesita optimizar los recurso por escasos. Una le permitirá la afirmación, la otra le garantizará permanencia.

Link muy recomendado

O ano de 2011 marca o fim do Fim da História

Hehe, Boyle! Gostei das suas considerações, mas achei este último link recomendado por você muito ruim. O tal Jérôme E. Roos parece ter lá um problema com o Fukuyama. Acho que eles devem resolver isso lá entre eles. Não dou a mínima para essa polêmica demodé sobre o fim da história contra o fim do fim da história. Em geral ela interessa aos que querem ressuscitar a política de lado, o combate, a luta, a liderança das massas rumo a um futuro pavimentado pela crença e outras perversões.

Mas quero dizer que meu interesse em trazer para cá essa conversação (que começou no Facebook, com o Kienteca) não está em discutir ideologias (nem as ditas neoliberais, nem, muito menos, as contraliberais). A história desta conversação nasceu da nossa procura pelo novo, por uma nova política possível em sociedades altamente conectadas. Tem a ver, portanto, diretamente, com as redes. Penso mesmo que tudo que não for isso, vai acabar nos dando alguma dor de cabeça, reeditando discussões político-ideológicas adversariais. Não foi o caso dos seus comentários, que sempre acrescentam conhecimento novo às nossas reflexões na E=R.

Queremos - como você - entender, não tomar partido, mesmo porque a E=R se desconstituiria no momento mesmo em que começássemos a fazer isso. Cairíamos na luta, na esgrima, na interação adversarial e, inevitavelmente nos seus bad feelings acompanhantes. E nós - não porque sejamos velhos, mas justamente pelo contrário, porque somos jovens, quer dizer, porque temos muito tempo pela frente - já estamos cansados das tentativas impossíveis de moldar um mundo possível alternativo quando do que se trata agora é de navegar nos intermundos que são os Highly Connected Worlds.

Acho que quando se fala em esquerda, apesar de sua origem não ser esta, está se pensando em ética. A produção da escassez cria barreira reais a articulação das redes. É aquele exemplo, o cara faz um trabalho tipo agricultura, mas ele não tem como viabilizar a produção dele por não estar conectado em redes, ou por não ser conectado o suficiente para viabilizar sua produção. A interveção em guetos, obviamente para quem gosta de fazer isso, pode trazer experiências transformadoras. O Milton Santos falava muito sobre a possibilidade de conhecer outras experiências, outros dramas, outro projetos bem sucedidos, e como isso pode ser transformador. Acho que a questão passa pela ética e pela generosidade.

Publiqué la versión en español en mi blog y tuve la misma respuesta de mis lectores, por uno u otro motivo me lo criticaron por ruin, sin embargo hay algo interesante en el y es el planteo que la historia sigue a partir de las asimetrías que traducido a redes podríamos decir centralidades.

Los fragmentos anteriorres constituyen efectívamente un post que publique con el título original Power Laws, Peronismo e institucionalidad donde trataba de refutar la política de lado justamente en línea con lo que está pasando sobre todo en Europa. Aquí en Latinoamérica estamos acostumbrados a los populismos como el peronismo de mi pais, pero en Europa no. Allí, como en EEUU la política siempre ha sido de izquierdas y derecha. De allí el fin del Fin de la historia.


Ahora bien el gráfico de Clay Shirky muestra algo distinto que surge del estudio de las redes sociales y son los aglomeramientos (swarmings) tanto visibles ocom invisibles que se producen. Si la campana de Gauss establece una distribución "NORMAL" a partir de que la media se encuentra justo en su punto medio, en las Powers Laws esto no ocurre. Las luchas adversariales entre izquierda y derecha se han dado dentro de la campana de Gauss, los movimientos Occupy se dan dentro de las Powers Laws en donde la média se establece en el 80-20 del Pareto que de por sí es asimétrica.

Trato de ir mas allá (trataré de explicar esto en mi próximo post) mi planteo es que hoy las luchas se darán entre populismos y órdenes jerárquicos (institucionalidad). LA tecnología que se ha puesto en favor del desarrollo de las redes sociales ha permitido que aquello que se llama "pueblo" (el no-actor) político adquiera visibilidad a travéz de tecnologías electrónicas, informáticas y sociales. De allí que el popilismo puede convertir en actor político a esa gran masa de la población que antes no lo era.Laclau describe este procedimiento que solo es posible mediatizado por las trecnologías mecionadas. En este caso el populismo puede ser de derecha o de izquierda, no importa, lo que importa es la eficiencia del mismo como herramienta de movilización social. En esto Laclau coincide con Shirky y no conmigo.

Yo sigo siendo un institucionalista crítico por las razones que expliqué enmis intervenciones anteriores, no puede haber "sociedad" sin institución, tampoco puede haberla con solo instituciones. Creo que la respuesta es un equilibrio dinámico entre ámbas.

Despues sigo


Augusto de Franco disse:

Hehe, Boyle! Gostei das suas considerações, mas achei este último link recomendado por você muito ruim. O tal Jérôme E. Roos parece ter lá um problema com o Fukuyama. Acho que eles devem resolver isso lá entre eles. Não dou a mínima para essa polêmica demodé sobre o fim da história contra o fim do fim da história. Em geral ela interessa aos que querem ressuscitar a política de lado, o combate, a luta, a liderança das massas rumo a um futuro pavimentado pela crença e outras perversões.

Mas quero dizer que meu interesse em trazer para cá essa conversação (que começou no Facebook, com o Kienteca) não está em discutir ideologias (nem as ditas neoliberais, nem, muito menos, as contraliberais). A história desta conversação nasceu da nossa procura pelo novo, por uma nova política possível em sociedades altamente conectadas. Tem a ver, portanto, diretamente, com as redes. Penso mesmo que tudo que não for isso, vai acabar nos dando alguma dor de cabeça, reeditando discussões político-ideológicas adversariais. Não foi o caso dos seus comentários, que sempre acrescentam conhecimento novo às nossas reflexões na E=R.

Queremos - como você - entender, não tomar partido, mesmo porque a E=R se desconstituiria no momento mesmo em que começássemos a fazer isso. Cairíamos na luta, na esgrima, na interação adversarial e, inevitavelmente nos seus bad feelings acompanhantes. E nós - não porque sejamos velhos, mas justamente pelo contrário, porque somos jovens, quer dizer, porque temos muito tempo pela frente - já estamos cansados das tentativas impossíveis de moldar um mundo possível alternativo quando do que se trata agora é de navegar nos intermundos que são os Highly Connected Worlds.

Augusto, retirei um trecho do que vc escreveu para o Carlos num dos comentários:
"Queremos - como você - entender, não tomar partido"
Partindo daí, dá pra usar estas experiências das ocupações pra termos mais elementos nas discussões e ações em busca do entendimento.
Acho q não é o momento ainda pra nos preocuparmos com resultados, com "pra onde vai o movimento", com bandeiras e seja lá o que for. Esta preocupação faz parte das discussões que temos tido no ocupario com algumas pessoas.
Não temos referências de um "outro modelo" (agora que sabemos se tratar de REDES). Então, ficamos perdidos. Nossa percepção/intuição/experiência/insatifação nos leva a perceber que tudo isso aí está ruim. Mas o que fazer?  Como fazer?
imagine que experiência fantástica pessoas se agruparem numa praça, de diferentes origens, perfis, necessidades e seja lá o que houver de rótulos, em busca de fazer algo melhor. E como interagir? Como organizar? Como decidir? Como resolver conflitos? Como criar infraestrutura? Como resolver os conflitos ideológicos? Como lidar com o ego?  Como lidar com o Estado e sua polícia?  E com os moradores qeu lá estavam ("morador de rua")?
E que ferramentas usar pra lidar com tudo isso?
Democracia? Assembléia? Consenso? Votação?
E como concluir se estamos ou não usando as ferramentas adequadas para as situações que ocorrem? E o que é adequado?  E o que é certo?  E como entender que neste processo de mudança muita coisas vai provocar ruído e ruir?
Muita coisa acontecendo...  O que vejo é que este movimento está nos fazendo avançar como nunca imaginei.  Seria o "beta" da movimentação de pessoas em busca de algo "melhor". E esta busca, invevitavelmente, levará ao aprendizado dos conceitos e das práticas de Redes Sociais. Empiricamente, as insatisfações com o sistema nos leva a soluções que, vira-e-mexe, contém elementos de REDE.
Discussões teóricas 'a parte (sou péssimo com elas), gostaria muito de que pudéssemos também vivenciar este momento. Interagir, presenciar, discutir, trazer questões 'a tona (como vc fez , Augusto, colocando aqui os comentários do face).
Finalizo com a certeza de que a convivência com este processo de ocupação (que é muito maior e mais alastrado do que a praça em si, embora o presencial na praça seja sempre interessante/importante) nos fará mais maduro com os conceitos de rede. Bjs

 

Hoy, por pura casualidad, me crucé con un post de George Siemens con un título desafiante y que me resultó sumamente interesante:  Why #Occupy will fail

Creo que contempla parte de las inquietudes de Sergio en cuanto a los "como", al proceso.

El inglés no es un idioma que manejo a fondo y es posible que algo se me halla escapado o comprendido mal en el post de Siemens. Si así fue, ya habrán de aclarármelo ustedes. Este fragmento del post es el que me lleva a compartirlo aquí

I see this from a learning perspective: Learning is about coherence-forming…we connect concepts into some type of structure and coherent whole that enables action and guidance in our thinking. When language isn’t clear or when concepts can’t be cognitively apprehended because of too much specialization of language and protocol, coherence is simply not possible.

#Occupy can be leaderless and diverse and still succeed. It can be distributed and networked and still succeed. However, if its message doesn’t resonate with a significant portion of society, due to lack of coherence or limited capability of individuals to form personal coherence around numerous voices, it will fail. Over the last few days, for me at least, the message has stopped to resonate.

Sé que estoy hablando un poco desde fuera y con prudencia, pues aquí, en Argentina, no hay tal movilización y, lo que alcancé a vislumbrar en grupos que se sumaban a la movilización mundial de Octubre fue motivo de lo que hoy me trae por aquí y que me alejó de la versión local en esos días.

Desde ese vislumbrar, el post hizo eco de la cuestión de las posibilidades reales de que un movimiento que se inicia con un sentido claro y para nada ingenuo por parte de un grupo, termine siendo cooptado a causa de que los actores no encuentren como expresar la novedad emergente de una manera que pueda quebrar el programa que todavía está rolando (como dice Augusto) entre todos nosotros.

Y lo confirmo también en mi experiencia cotidiana, porque encuentro barreras muy fuertes entre las personas que me rodean para poder reflexionar sobre el movimiento desde un lugar que no sea el de las antiguas experiencias de partidos, lados o como queramos llamarlas o el de una resistencia profunda a abandonar las perspectivas ideológicas sobre las que cada quién se ha asegurado por años. Encuentro un falso sentido de fortaleza alrededor de la defensa rígida de aquello en lo que se ha creído por años.

Lo que Siemens denomina sentido de coherencia está fuertemente arraigado al sistema de creencias. Y el sistema de creencias está atado, lingüísticamente, a nuestro sentido de identidad, a la historia que contamos sobre nosotros mismos, lo que decimos acerca de quienes somos.

Abç,

Lía

 

Caro Boyle, isso que você disse é muito promissor como caminho investigativo:

Las luchas adversariales entre izquierda y derecha se han dado dentro de la campana de Gauss, los movimientos Occupy se dan dentro de las Powers Laws en donde la média se establece en el 80-20 del Pareto que de por sí es asimétrica.

 

Gostei Lia:

Y el sistema de creencias está atado, lingüísticamente, a nuestro sentido de identidad, a la historia que contamos sobre nosotros mismos, lo que decimos acerca de quienes somos.

Trazendo uma questão que pode ou não (dependendo do ponto de vista) ter conexão com este tema.  Temos conversado bastante sobre "emprego", organizações, trabalho, exploração do ser humano, liberdade, enganação do sistema dizendo que precisamos de um "emprego", pouco apoio ao empreendedorismo, presença forte do Estado dificultando a ação individual de cada um, etc.
Bem, estou chegando cada vez mais ao ponto de não fazer nada (ou próximo a nada) com estas grandes corporações (seja prestando serviços, comprando produtos, etc).  É claro que pessoas que lá trabalham continuam fazendo parte das minhas interações.  Mas continuarei em busca de modelos alternativos a este sistema apropriador de mentes, tempo, vida...
Vou por aqui um diálogo que tivemos pelo face com uma jovem que trabalhou nas Lojas Americanas. Não é surpresa pra quase ninguém mas, no dia-a-dia, entre correrias e números que nos afogam, não damos o devido valor a cada pessoa que passa por isso.
Aqui vai

 

" É absurdo o que permitimos hoje no mercado de trabalho, em troca de alguns trocados, eles podem definir o que faremos, que horas vamos almoçar, quais são nossas metas, qual nosso horário, quando sairemos de férias, quando teremos filhos e muitas outras coisas inacreditáveis " Sergio Venuto — com Alexandre Heringer e outras 3 pessoas.
 
    • Stephanie Paixão E ainda decidem o q vamos comer...
      há 8 horas ·
    • Sergio Venuto
      Stephanie, bem lembrado; Estamos aqui discutindo isso e percebemos coisas mais absurdas (das quais nos afastamos,,,por sorte):
      1- Em muitas grandes empresas/indústrias, o restaurante define o que vc vai comer, a hora em que comerá e pior, vc não tem pra onde ir nem no horário do almoço. Supondo que estas empresas fiquem afastadas dos centros urbanos (ou das moradias dos trabalhadores), fizemos a seguinte conta:
      A- Horário normal de trabalho: 44h/semana dividido por 5 dias = 9h trabalho dia
      B- 1,5h pra ir e 1,5h pra voltar do trabalho: = 3h/dia
      C- 1,5h de almoço no trabalho
      Logo, pode-se ficar 13,5h por dia em função deste trabalho. Isso é inacreditável!!!! E muitos salários não passam de R$ 1.000/mês!!! E ainda nos fazem acreditar que precisamos deste "emprego" e que eles são tão "bons" por gerarem empregos para os pobres coitados de nós, trabalhadores, incapazes de empreender em algo que remunere melhor, com menos trabalho e mais prazer. Está na hora de rompermos isso.... Podemos fazer muito mais, nos apropriar da vida, da liberdade do tempo que nos é precioso.
      D- E ainda nos lembramos dos cursos de atualização para o emprego: várias pessoas tem que fazer curso técnico, faculdade, pós-gradução, só pra trabalhar melhor para a empresa. Normalmente o curso é "fora do horário de trabalho". Logo, vai-se 'a noite, chega-se em casa quase de madrugada pra levantar cedo no dia seguinte!!! E ainda achamos que isso vale a pena!!!!
      É isso!
      Valeu. Bjs

      há 2 horas ·
    • Stephanie Paixão Kra, meu primeiro emprego foi nas lojas americanas ralei mto, me pagavam 4 reais por dia p come! Eu so pudia comer em uma lanchonete, ond ou eu comia ou eu bebia! Em um shopping c 4 reais e dps do expediente ainda dobrava toalhas! Passava mta fome, fiquei na forma do esqueleto! Absurdo
      há 37 minutos ·

Visão de David de Ugarte sobre a origem em 15 de maio de 2011 em Madri:

Quincemismo

El quincemismo es la ideología aglutinante del movimiento asambleario surgido a partir de la conversión en acampada asamblearia de la manifestación que el 15 de mayo de 2011 convocan «Nolesvotes»[1] y «Democracia Real Ya!»[2] en Madrid.

La unión del movimientismo antiglobi y del activismo contra la Ley Sinde que había recibido fuerte atención mediática atraen a los medios en plena campaña electoral[3]. El deseo de capitalizar el «éxito» se convierte en acampada y la acampada en asambleas abiertas (que a partir de junio se trasladarán a los barrios). Todo este proceso será alimentado por una muy cariñosa cobertura mediática desde la televisión pública y algunos medios escritos, en especial «El País»[4]- que amplia la base del movimiento, la expande por el territorio y le abre la cobertura internacional.

En unos meses, los medios y la reacción de los partidos políticos -que se preparan para elecciones generales en un ambiente de crisis- han convertido el «quincemismo» en un movimiento político legítimo e instalado en la realidad española.

Características

  • Ausencia de una deliberación previa, el movimiento «expresa» un malestar pero no parte de consensos previos (cultura de la adhesión)
  • Incapacidad para transformar la deliberación en programa ante la exigencia de unanimidad en asambleas abiertas (una unión de participacionismo y rechazo al compromiso de las minorías, que implicitamente reconoce la ausencia de demos) y por tanto, se celebrará a si mismo y se justificará permanentemente en el «se están moviendo»
Ver también: El quincemismo y la deliberación (julio 2011)
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Es de constatar desde los primeros momentos una ausencia total de ética hacker. No aparece un espacio deliberativo virtual ni siquiera meses después[5]

La base aportada por la cobertura mediática será extremadamente naif, no sólo ajena a la cultura de red. Eslóganes cursis, discursos pajarú... y sobre todo la falta de memoria política[6] desde la que interpretar lo histórico y dotarse de un análisis de lo que les estaba pasando (al extremo de no entender que el estado empleara en algún momento las cargas policiales).

Eslóganes como «No nos representan!», que corean a los recien electos alcaldes y diputados autonómicos, parecen dibujar un movimientismo que toma tintes populistas con el consenso sobre la «dación» de las hipotecas y un nebuloso «anticapitalismo» que es en realidad un antimercatismo apenas estructurado.

Ver también: El estado de la descomposición en Europa Sur (julio de 2011)
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