Escola de Redes

Comunidades de Prática - Análise das interações

Olá a todos...

 

Necessito da v/ ajuda....

 

Estou a desenvolver um projeto de investigação que consiste na criação de uma CoP para dinamização da Educação para o Desenvolvimento Sustentável. Neste momento, preciso de avaliar as interações estabelecidas. Alguém me pode dizer qual o modelo mais adequado ao público-alvo - professores?

 

Obrigada

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Olá Claudia

Provavelmente não saberei ajudar. Contudo permite-me perguntar qual é o objectivo, a preocupação, que está subjacente a "avaliar as interações" dessa CoP? E, já agora, que previsões fazes quanto à dimensão, grau de proximidade e formas de interacção dessa comunidade?

Saudações

Pedro Ferrão

Não sei bem seu objetivo, mas o que acha de aplicar um Sociograma?

Olá Pedro e Angela.

 

O meu objetivo foi (por traços gerais) conceber e desenvolver uma CoP para sensibilizar os professores para a necessidade e pertinência da implementação da Educação para o Desenvolvimento Sustentável nas suas práticas letivas. Ou seja, foram adotadas estratégias de ensino e de aprendizagem inovadoras, ativas, promotoras da inter/transdisciplinaridade.

 

O meu problema é saber da existência de vários esquemas para análise de conteúdo de interações, como: Henri (1992) , Newman et al. (1995); Gunawaedena et al (1997), Garison et al (2001), Murphy....etc, etc... e não saber qual o mais adequado para a análise de uma CoP utilizada em formação continuada com professores:(

 

Angela desconheço em que consiste um Sociograma:(

 

Obrigada 

Dps de uma pesquisa fiquei a saber em que consiste um sociograma:

"o investigador que necessite de conhecer a rede de relações informais pode recorrer ao sociograma para conhecer:1. as relações que existem entre os indivíduos, assim como a intensidade das mesmas;2. o grau de coesão do grupo;3. a posição de cada membro em ralação com os demais;4. a estrutura informal do grupo e a existência de subgrupos;5. o nível de conflito ou de repulsa entre os membros de um grupo;6. o grau de sociabilidade dos indivíduos do grupo". inhttp://repositorioaberto.univ-b.pt/bitstream/10400.2/624/1/LC37.pdf

Não é o que pretendo.....:)

A minha curiosidade, Claudia, não era sobre o objectivo da criação da CoP mas sim sobre o objectivo da avaliação das suas interacções...

Pois...acho que é mesmo aí a minha dúvida..........porque consegui atingir os meus objetivos (enunciei anteriormente) e agora não sei como analisar a CoP.....o que pode ser interessante de analisar?

Por exemplo, questionou anteriormente: que previsões fazes quanto à dimensão, grau de proximidade e formas de interacção dessa comunidade?

E eu pergunto, porquê preocupar-me com esses pormenores?

 

Por exemplo, hoje vi este blog http://luismiguel-digital.blogspot.com/2010_02_01_archive.html

e que aborda este modelo, que embora não possa ser reproduzido no meu contexto, considerei muito interessante.......porque vai ao encontro do meu trabalho........Mas, mesmo que o adptasse ao meu contexto, bastaria na análise, provar quais as interações que provam que por exemplo existem intervenções críticas 

Mehlecke (2006)
Este modelo foi criado para a identificação das estratégias de interacção utilizadas pelos professores para a comunicação online com os alunos(cf. Ibidem, p. 5789) e apresenta as seguintes categorias:

Critério Actitudinal
1. Crítico/reflexivo: intervenções críticas, promove reflexões e promove questionamentos;
2. Explicativo: explica, orienta, responde a questionamentos;
3. Fáctico/Incentivo: faz-se presente no ambiente, incentiva a participação.

Estratégias Interaccional
1. Enunciativa Directiva: informações gerais sobre a temática em estudo;
2. Responsiva e de carácter restricto; pergunta/resposta: em resposta às questões feitas pelos alunos; monólogo;
3. Dialógica: quando acontece troca de ideias, discussões, reflexões entre professores e alunos.

:(

Obrigada

Cara Claudia,

Tentando compreender e interpretar a tua preocupação...

Penso que seria útil recorrer à conceptualização do criador do conceito de CoP, Etienn Wenger, em particular no livro "Cultivating communities of practice", e usar essa conceptualização para, possivelmente através da observação participante, analisar qualitativamente o equilíbrio dos três constituintes das CoP (domínio, comunidade e prática) e o desenvolvimento quanto ao ciclo de vida da CoP (descoberta, agregação, maturação, capitalização de conhecimento, e transformação).

Por exemplo, num caso que pude observar pessoalmente de uma comunidade de professores, verifiquei, observando reuniões, que o sentido de comunidade era muito forte enquanto que o domínio - ou assunto da CoP - era um tanto vago e, por último, apesar do convívio regular e da organização de debates, era muito escassa a partilha de práticas (no sentido de Wenger). Expliquei a escassez de partilha de práticas pelos receios de exposição pública, uma eventual insegurança face à 'avaliação' externa, ainda que informal e ainda que pelos pares, que julgo existir na cultura profissional dos professores - há um estudo sobre esta cultura publicado pela Gulbenkian - o que, a ser confirmado, permite equacionar estratégias de estímulo (de desbloqueio, neste caso).

Num outro caso de uma comunidade de intervenção social local, de que tive conhecimento através de dois participantes, a CoP teria já percorrido as principais fases e colocava-se então a alternativa de transformar-se, possivelmente redefinindo o seu domínio, ou desaparecer.

Sugiro a consulta desta página: http://colaboracomwiki.wikispaces.com/CoP.

Quanto à fonte que referes, considero que qualquer conjunto de professores e alunos dificilmente constitui uma CoP e concordo que o modelo de análise que referiste poderá não ser o mais adequado para o teu caso. 

Saudações,

PF

Curiosamente tenho o livro em casa.

 

Só mais uma questão, a abordagem que refere é descritiva? Ou tenho que usar as regras da análise de conteúdo, criar categorias, subcategorias, etc...?

Obrigada.

 

Não tenho experiência de metodologias de investigação, e, além disso, pessoalmente, apreendo melhor uma realidade através da intuição e da observação numa perspetiva holistica - até costumo ter dificuldade em explicar porque motivo tiro esta ou aquela conclusão - pelo que me sinto pouco confortável com regras de análise mais ou menos formais.

Contudo, parece-me que o comportamento de uma CoP poderá ser difícil de apreender a partir de metodologias - como dizer? - dirigidas/restritas/formais. Pelo contrário, a "imersão" no contexto proporcionada por uma abordagem de tipo etnográfico talvez permita dar melhor conta da complexidade comportamental de uma CoP.

Que achas?

No caso que referi, foi a observação directa (o que via acontecer) e participante (intervi para experimentar com base na minha perceção) que me permitiu tirar a conclusão que tirei. Logo, foi uma abordagem descritiva.

Obrigada pela excelente ajuda!

 

Irei seguir o seu conselho. 

 

Irei também estudar com mais detalhe o modelo de Garrison, Anderson e Archer (2000).

 

;)

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