Escola de Redes

O Barcelona e a

Nova Ciência das Redes

Augusto de Franco

Draft 2 26/04/2012

 

Aqui onde moro atualmente, nos Jardins, em São Paulo, ouvi ontem (24/04/12) ao final da partida Barcelona x Chelsea, gritos enfurecidos: "Chupa Barcelona Filho da Puta!". A partida empatou (2 x 2), mas o Barcelona foi eliminado da Champions League porque precisava vencer por dois gols et coetera.

Fiquei pensando se Albert Camus, prêmio Nobel de literatura, não tinha razão quando dizia que de todas as suas experiências na vida a que maior conhecimento lhe proporcionou sobre os homens foi o futebol. Aquele buzinaço que se seguiu à partida, comemorando o não-futebol do Chelsea, me disse muita coisa desagradável. Revelou, por um lado, as entranhas da intolerância com o que foge dos padrões. Mais do que isso, entretanto, soou, por outro lado, como um lamento desesperado de seres aprisionados que gostariam de se libertar mas não o fazem porque acham que não é possível, porque imaginam que a sua prisão é universal.

Quem viu o jogo pôde perceber que o Chelsea, a partir de certo momento (coincidente com o início da partida), praticamente não jogou bola. Matou o tempo. Matou o futebol. Mesmo assim, contou com o entusiasmo de fervorosos torcedores. Mais do que isso, contou com hard feelings de uma multidão que mais parecia estar se vingando da arte.

Arte? Como é possível? Parem com isso! O que queremos é a guerra. Não queremos um lírico Iniesta fazendo firulas no meio campo. Queremos a força, a garra, o vale-tudo orientado pelo resultado do gigante Drogbah. Fora Iniesta, seu anão imprestável! Drogbah é o nosso herói!

Bem, devo dizer que meu interesse no assunto não é propriamente futebolístico e sim investigativo e decorre de minhas explorações na nova ciência das redes. Há bastante tempo venho observando como a topologia da rede “produz” o comportamento coletivo. É claro – não vou negar – que prefiro me deleitar assistindo o novo futebol criativo do Barcelona do que o futebol de resultados dos times ingleses e italianos que envelheceram-mal e que só sabem dar chutão prá frente para tentar surpreender a defesa desarmada do oponente. Ainda não me deformei a ponto de gostar da realpolitik: para isso não preciso de futebol: bastaria acompanhar as guerras, a luta política pervertida como arte da guerra ou a concorrência adversarial praticada pelas empresas hierárquicas.

Mas isso agora talvez não venha ao caso.

Diz-se que o Barcelona perdeu porque ficou vulnerável. Concordo. Acho que o futebol do Barcelona é extremamente vulnerável mesmo, não a um ou outro adversário que tenha estudado suas fraquezas e sim às regras do futebol, que não acompanharam a evolução do futebol.

O velho futebol do século 20 é – como observou argutamente George Orwell no artigo “The Sporting Spirit” (London: Tribune, December 1945) – uma espécie de guerra sem mortes (“It is war minus the shooting”, escreveu ele textualmente). Não é bem um jogo, uma atividade lúdica da qual se possa tirar fruição, admirada em si mesma ou por si mesma, uma coreografia estrutural coletiva onde as coordenações de coordenações comportamentais se encaixem sinergicamente (a essência da dança e daí a arte), mas um vale-tudo no qual se exalça as capacidades dos indivíduos de obter por qualquer meio a vitória, seja dando uma joelhada desleal nas costas do jogador adversário, seja falsificando abertamente as regras (pois, afinal, “guerra é guerra” e na guerra, como se sabe, é necessário que a primeira vítima seja a verdade).

Parece óbvio que o futebol one-touch oriented do Barcelona exigiria novas regras no-touch oriented. Por exemplo, as regras atuais do futebol deixam um jogador tirar outro fisicamente da jogada com um encontrão (que se for feito com o ombro, com o quadril ou com o tronco, na maior parte dos casos não é falta e sim “disputa normal” do jogo). Ora, nessas condições, quem se prepara melhor para o vale-tudo (quem se prepara para a guerra) tende a prevalecer.

Nessa espécie de variação de baixa intensidade do rugby, o futebol vai assim se rendendo aos atributos físicos individuais dos jogadores e à chamada “tática”, traçada de antemão por algum chefe-técnico que monta seus ardis com base no comando-e-controle. Não é por acaso o deslizamento de categorias próprias da guerra para o futebol: tática, estratégia, ofensiva, defensiva, espírito de corpo ou coesão e aplicação tática (quer dizer, subordinação a um esquema pré-determinado). Faz sentido. E a utilização desses conceitos só corrobora a hipótese de George Orwell. Mas o problema é que tudo isso favorece o ânimo adversarial e diminui as nossas oportunidades de sentir aquele prazer tipicamente humano de contemplar as interações sociais (quer dizer... aquelas interações tipicamente humanas).

O Chelsea é uma remanescência do futebol do século passado. No entanto, como as regras do jogo continuam no passado, já se sabia, antes da partida, que tudo poderia acontecer. Quer dizer: que o não-futebol poderia vencer o futebol. Como venceu, pelas regras. Não apenas o Chelsea, mas qualquer outro time poderia (e poderá) vencer o Barcelona, sem violar as regras. Porque é fácil derrotar o Barcelona. Basta, para tanto, derrubar seus jogadores. Se o jogador não está em pé ele não pode jogar. Ponto.

No entanto, o futebol do Barcelona não foi derrotado pelo futebol de outros times. Nem poderá sê-lo. Mesmo que o Barcelona venha a perder todas as próximas partidas que disputar, parece óbvio que um número maior de caminhos (mais passes por unidade de tempo) significa a configuração de uma topologia de rede mais distribuída do que centralizada. E que quanto mais distribuída for a topologia da rede, mais conectividade e mais interatividade haverá. E que, assim, mais possibilidades surgirão de fazer a bola chegar ao gol adversário (a regra suprema do jogo). É matemático. O que não quer dizer que ocorrerá sempre.

Eis os diagramas ilustrativos (publicados originalmente por Paulo Ganns, na Escola-de-Redes) do jogo Barcelona x Santos em dezembro de 2011. Veja-se a diferença das topologias (caricaturadas na imagem para evidenciar a diferença).

 

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E eis agora minhas variações do diagrama do Paulo Ganns, comparando a rede distribuída configurada pelos passes do Barcelona com a representação de um emaranhado quântico (imediatamente abaixo) e a rede centralizada do Santos Futebol Club com o organograma de uma organização centralizada (mais abaixo).

 

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Pois bem. O mais importante, do ponto de vista das redes, vem agora.

O campo social gerado pela alta interatividade do Barcelona (o time mais highly connected que já foi formado) enseja a manifestação daqueles fenômenos acompanhantes da auto-organização e da inteligência coletiva: seus jogadores se aglomeram (clustering) e desaglomeram de acordo com os fluxos da partida, jogam a maior parte do tempo sem a bola, mudando de lugar continuamente (o time é realmente mobile), praticam o imitamento ou cloning (clonagem variacional dos movimentos dos outros jogadores do mesmo time e, às vezes, do time adversário – coisa que pouquíssima gente nota, sobretudo os experts no assunto), eventualmente enxameiam (swarming) impedindo que a bola saia do campo adversário e diminuem o espaço-tempo para os movimentos do oponente, quer dizer, contraem o tamanho social do mundo composto pelos vinte e dois players (o Barcelona provoca o efeito Small-World). Basta observar: seus jogadores são pequenos (não precisam de corpo avantajado), seus passes são pequenos (curtos)... O Barcelona – provavelmente sem ter a menor consciência disso – causa esse amassamento (crunching) e talvez esta seja sua principal virtude e vantagem comparativa: o Barcelona é a prova viva de que small is powerful!

Por tudo isso, não tenho receio de afirmar que há mais inteligência coletiva embutida num jogo do Barcelona do que em todas as partidas travadas pelo Real Madrid, ainda que este último possa ter craques com mais assertividade e mais combatividade e sejam mais – como direi? – results-oriented do que os jogadores do Barcelona.

Bem... aqui começa minha investigação. O jogo aparentemente bobo do Barcelona, de ficar trocando passes redundantemente na intermediária é em geral censurado pelos comentaristas futebolísticos (e por outros metidos a profundos conhecedores de futebol) como sintoma de falta de objetividade. Mas a contração de redundância (repetição de caminhos) com distribuição (multiplicação de caminhos) é o que compõe a resiliência, uma das características principais da sustentabilidade (ou do que chamamos de vida). O tempo de posse de bola é um indicador indireto dessa resiliência quando revela, entre outras coisas, a frequência da mudança de trajetória da bola e a repetição de caminhos (não é raro ver um jogador do Barcelona trocar passes com outro jogador mantendo os dois praticamente as mesmas posições; ou então progredindo no terreno como em um movimento solidário de dois corpos, como se fosse um haltere se deslocando ou Plutão e Caronte em translação ao redor do Sol).

Sim, o Barcelona imita a vida. Ao contrário do que se pensa, a vida nunca trabalha com economia de esforços e sim com repetição intermitente (iteração) de ações similares. E a vida não economiza esforços simplesmente porque não precisa fazer isso, porque multiplicação de caminhos gera abundância e não escassez.

Mas não é só isso. O Barcelona clona o funcionamento do formigueiro. Como as formigas, seus jogadores não têm posição fixa, mas podem mudar de função várias vezes em uma mesma partida. Como nos mostrou a cientista Deborah Gordon (1999), em “Formigas em ação”, ao contrário do que se acreditava, as formigas mudam de função (dependendo das necessidades coletivas do formigueiro, uma forrageira pode virar “soldado”, por exemplo). Os jogadores do Barcelona também não têm dificuldade de mudar de posição (ou de função). Usando as antigas denominações (no caso, merecidas): o ponta esquerda pode virar ponta direita, o meio-campista pode virar beque ou centroavante, qual o problema?

O problema é que se pensava em produtividade a partir da especialização, do desempenho ótimo de funções fixas: como na produção fordista, um indivíduo que repetiu milhares de vezes a mesma função tem mais chances de ser mais rápido e menos chances de errar no exercício daquela função determinada. Isso é válido, por certo, para a reprodução mecânica das mesmas ações. Aplicado ao futebol, porém, contribui para eliminar a criatividade, sobretudo a criatividade coletiva, quer dizer, o ambiente favorável à criação ou à inovação. Instaura-se assim o futebol reprodutivo, a fábrica de jogar bola da sociedade industrial.

Nesse ambiente reprodutivo o que se destaca é o craque (o indivíduo), não o time (a rede social composta pelos jogadores interagindo segundo determinado padrão). Porque, em tais circunstâncias estruturais da rede centralizada só a genialidade individual pode romper o esquema, surpreender, sair fora da caixa. Tudo então passa a depender dos craques, dos indivíduos. É o futebol-burro com a sobressaliência dos pontos fora da curva, daqueles indivíduos inteligentes capazes, como se diz, de fazer a diferença e definir a partida com um lance magistral.

E é por isso que se atribui, não raro, o sucesso do Barcelona à genialidade do craque Messi. Sim, Messi é de fato um jogador excepcional, mas o futebol do Barcelona não depende de suas jogadas excepcionais. Com toda certeza as interações do dipolo Xavi Hernándes – Andrés Iniesta e deles com o restante do time (com Lionel Messi inclusive e deste último com Daniel Alves) são mais decisivas para o excelente comportamento do time do que os lances geniais individuais do fabuloso artilheiro argentino. Essas bobagens são ditas porque ainda é bastante generalizada a crença de que o comportamento coletivo pode ser explicado a partir dos atributos dos indivíduos, de que a inteligência coletiva é a soma das inteligências dos indivíduos e não uma nova qualidade que emerge das relações entre eles.

Os gritos enraivecidos de ontem, comemorando a eliminação do Barcelona (sim, porque o time não perdeu o jogo, foi desclassificado pela tabela), revelam que existe base social para legitimar mais um retrocesso no futebol. Dir-se-á que o “estilo-barsa” esgotou-se, que o “futebol-arte” não pode resistir ao “futebol-de-resultados”, que “Messi entrou numa fase ruim”, que o futebol é assim mesmo (as modas, os estilos, vêm e vão) e outras besteiras semelhantes. Já se dá até como certa a derrota do Barcelona para o Real Madrid no campeonato espanhol (e isso pode acontecer mesmo).

Assistiremos, provavelmente, a mais uma daquelas tristes revoltas de escravos que introjetaram a escravidão a tal ponto que, em vez de lutarem para se libertar dessa condição, não suportam ver que existem pessoas livres e querem torná-las também escravas como eles. Assim interpretei os gritos de “Chupa Barcelona Filho da Puta” no final da tarde de 24 de abril de 2012.

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por Fernando Barrichelo

Garrincha e a Teoria dos Jogos

Ele não sabia, mas estava raciocinando com a Teoria dos Jogos

Conta a lenda que na Copa de 1958, durante a preleção antes do jogo contra a antiga União Soviética, o técnico brasileiro Vicente Feola reuniu os jogadores e combinou a estratégia da partida. Segundo Nelson Correa, foi algo assim:

"No meio de campo – dizia Feola – Nilson Santos, Zito e Didi trocariam passes curtos para atrair a atenção dos russos… Vavá puxaria a marcação da defesa deles caindo para o lado esquerdo do campo… Depois da troca de passes no meio do campo, repentinamente a bola seria lançada por Nilton Santos nas costas do marcador de Garrincha. Garrincha venceria facilmente seu marcador na corrida e com a bola dominada iria até à área do adversário, sempre pela direita, e ao chegar à linha de fundo cruzaria a bola na direção da marca de pênalti; Mazzola viria de frente em grande velocidade já sabendo onde a bola seria lançada… e faria o gol! Garrincha com a camisa jogada no ombro, ouvia sem muito interesse a preleção, entre divertido e distraído, e em sua natural simplicidade perguntou ao técnico: “Tá legal, ‘seu’ Feola!… Mas o senhor já combinou tudo isso com os russos?”

Luis Nassif lembrou bem que "uma das características de qualquer ser humano racional, cartesiano, é a capacidade de prever as consequências de um lance jogado. Até Garrincha, gênio do futebol e escasso em raciocínio, entendia que não existe tática eficiente se não se prever qual será a reação do adversário. O famoso “já combinaram com os russos” é um monumento à boa lógica".

Teoria dos Jogos é bem isso. Garrincha não foi nada ingênuo. Combinar uma estratégia significa pensar todas as suas opções considerando todas as reações do seu adversário. A ciência e arte da Teoria dos Jogos está em oferecer algumas ferramentas formais para antecipar o movimento do outro jogador. Um das principais dicas é "coloque-se na posição do adversário e veja o que você faria se fosse ele". Apenas após essa análise você deve pensar como agir e rever sua posição

Apareceu na minha TL do facebook hoje de madrugada:

O "Abstract"

Quantitative analysis is increasingly being used in team sports to better understand performance
in these stylized, delineated, complex social systems. Here we provide a first step toward understanding the pattern-forming dynamics that emerge from collective offensive and defensive behavior
in team sports. We propose a novel method of analysis that captures how teams occupy sub-areas
of the field as the ball changes location. We used the method to analyze a game of association
football (soccer) based upon a hypothesis that local player numerical dominance is key to defensive
stability and offensive opportunity. We found that the teams consistently allocated more players
than their opponents in sub-areas of play closer to their own goal. This is consistent with a predominantly defensive strategy intended to prevent yielding even a single goal. We also find differences
between the two teams’ strategies: while both adopted the same distribution of defensive, midfield,
and attacking players (a 4 : 3 : 3 system of play), one team was significantly more effective both
in maintaining defensive and offensive numerical dominance for defensive stability and offensive
opportunity. That team indeed won the match with an advantage of one goal (2 to 1) but the analysis shows the advantage in play was more pervasive than the single goal victory would indicate.
Our focus on the local dynamics of team collective behavior is distinct from the traditional focus
on individual player capability. It supports a broader view in which specific player abilities contribute within the context of the dynamics of multiplayer team coordination and coaching strategy.
By applying this complex system analysis to association football, we can understand how players’
and teams’ strategies result in successful and unsuccessful relationships between teammates and
opponents in the area of play.

Link: http://necsi.edu/research/social/soccer/

PDF: http://necsi.edu/research/social/soccer/soccer.pdf

 

E olha o ferramental usado:

 

Depois de ver isso, entendi porque o Neymar muda de penteado a cada 2 jogos! :>)

Vejam aí o que ando dizendo...

PageRank Algorithm Reveals Soccer Teams' Strategies

Using network theory to analyse the performance of soccer teams and players produces unique insights into the strategy of the world's best team

1 comment

Many readers will have watched the final of the Euro 2012 soccer championships on Sunday in which Spain demolished a tired Italian team by 4 goals to nil. The result, Spain's third major championship in a row, confirms the team as the best in the world and one of the greatest in history.

So what makes Spain so good? Fans, pundits and sports journalists all point to Spain's famous strategy of accurate quick-fire passing, known as the tiki-taka style. It's easy to spot and fabulous to watch, as the game on Sunday proved. But it's much harder to describe and define.  

That looks set to change. Today, Javier Lopez Pena at University College London and Hugo Touchette at Queen Mary University of London reveal an entirely new way to analyse and characterise the performance of soccer teams and players using network theory. 

They say their approach produces a quantifiable representation of a team's style, identifies key individuals and highlights potential weaknesses.

Their idea is to think of each player as a node in a network and each pass as an edge that connects nodes. They then distribute the nodes in a way that reflects the playing position of each player on the pitch.  

The image above shows the resulting networks for the Netherlands (left) and Spain using data from the knockout stages of the 2010 World Cup in South Africa.  These teams contested the final which Spain won. 

A visual inspection of these networks immediately reveals some interesting insights into the match. The thickness of the arrows represents the number of passes between nodes and it is immediately clear that the Spanish team pass more often. This image captures 417 passes by the Spanish team versus 266 for the Netherlands.   

Key players also stand out by the number of passes they make and receive, such as 16 (Sergio Busquets) and 8 (Xavi).

However, this representation also allows a much more sophisticated analysis using the standard tools of network science. 

For example, closeness centrality measures how easy it is to reach a given node in the network. In footballing terms, it measures how well connected a player is in the team. 

Busquets and Xavi have the highest scores in the Spanish team. Both are better connected than the best connected Dutch player, 1 (Steckelenberg) the goal keeper. That the goal keeper was the Netherland's best connected player itself speaks volumes.

Another notion is betweenness centrality, which measures the extent to which a node lies on a path to other nodes. In footballing terms, betweenness centrality measures how the ball flow between players depends on another player. Players with a high betweenness centrality are crucial for keeping the momentum of the game going. 

These players are important because removing them has a huge impact on the structure of the network.  So a single player with a high betweenness centrality is also a weakness, since the entire team is vulnerable to an injury to this player or a red card. 

Spain's number 11 Joan Capdevilla is the player with by far the highest betweenness centrality in this match. He is clearly a target for passes from many players, which he feeds mainly to 14 (Xabi Alonso).

Then there is the famous PageRank algorithm which measure's a player's popularity, as judged by the number of passes he receives from other popular players. It gives a rough idea of who is most likely to end up with the ball after a suitably large number of passes. In this game it is Xavi.

Seven members the starting team that won the 2010 World Cup also started the Euro 2012 final. It'll be interesting to see Pena and Touchette's analysis of this tournament and how it varied from the earlier one.

There are clearly limitations to this approach. The data is an average over several games so it fails to capture the dynamics of specific games. And the positions of the nodes are also a vast generalisation and taken only from a player's nominal starting position. 

Pena and Touchette say there are various ways in which this approach could be improved. They suggest adding another node to represent the opponents goal and would record the number of shots. They also imagine using a similar approach to measure the accuracy of passes by taking into account the probability of pass from one player to another being successful. 

"The defensive strength of a team could also be incorporated in the model by tracking passing interceptions and recovered balls," say Pena and Touchette.

Perhaps more fascinating would be a way of collecting and analysing the data in real time to produce a network-based analysis of a game as it happens. 

In terms of data analysis, football has always lagged behind more statistically-friendly games such as American football, baseball and cricket, because it lacks the long pauses during which data can be gathered and analysed. That looks set to change.

Ref: arxiv.org/abs/1206.6904: A Network Theory Analysis Of Football Strategies 

TRSF: Read the Best New Science Fiction inspired by today’s emergin...

Vejam o paper em PDF

Anexos

Bibliografia do A network theory analysis of football strategies (quem encontrar as versões digitais, por favor, pendure aqui):

T. G. Lewis. Network Science: Theory and Practice.
John Wiley and Sons, 2009.

M. E. J. Newman. Networks: An Introduction. Oxford
University Press, 2010.

S. Boccaletti, V. Latora, Y. Moreno, M. Chavez, and
D.-U. Hwang. Complex networks: Structure and dynamics. Phys. Rep., 424:175–308, 2006.

Duch, J. S. Waitzman, and L. A. N. Amaral. Quantifying the performance of individual players in a team
activity. PloS One, 5(6):e10937, 2010.

D. R. Brillinger. A potential function approach to the
flow of play in soccer. J. Quant. Analys. Sports, 3(1),
2007.

M. Hughes and I. Franks. Analysis of passing sequences, shots and goals in soccer. J. Sports Sci.,
23(5):509–14, 2005.

A. Joseph, N. E. Fenton, and M. Neil. Predicting
football results using Bayesian nets and other machine learning techniques. Knowledge-Based Sys.,
19(7):544–553, 2006.

J. Luzuriaga. Mean free path in soccer and gases. Eur.
J. Phys., 31(5):1071–1076, 2010.

Y. Yamamoto and K. Yokoyama. Common and
unique network dynamics in football games. PloS
One, 6(12), 2011.

T. Opsahl, F. Agneessens, and J. Skvoretz. Node
centrality in weighted networks: Generalizing degree
and shortest paths. Social Networks, 32(3):245–251,
2010.

S. Brin and L. Page. The anatomy of a large-scale hypertextual Web search engine. Comp. Net. and ISDN
Sys., 30(1-7):107–117, 1998.

A. Barrat, M. Barthelemy, R. Pastor-Satorras, and ´
A. Vespignani. The architecture of complex weighted networks. Proc. Nat. Acad. Sci. (USA),
101(11):3747–52, 2004.

J. Saramaki, M. Kivel ¨ a, J.-P. Onnela, Kimmo Kaski, ¨
and J. Kertesz. Generalizations of the clustering coef- ´
ficient to weighted complex networks. Phys. Rev. E,
75(2), 2007.

W. A. Stein et. al. Sage Mathematics Software (Version 5.0.1). 2012. http://www.sagemath.org.

A. A. Hagberg, D. A. Schult, and P. J. Swart. Exploring network structure, dynamics, and function using NetworkX. In Proceedings of the 7th Python
in Science Conference (SciPy2008), pages 11–15,
Pasadena, CA USA, 2008.

Na final, Itália 0 X Espanha 4, quando o jogo ainda estava no 2 X 0, o comentarista soltou uma, mais ou menos assim:

Eu não gosto do jogo da Espanha. Ela fica tocando essa bola, de forma excessiva, sem o propósito claro de fazer o gol, e com isso perde a chance de decidir a partida logo, de forma decisiva.

Confesso que lá pelos 30 minutos do 2o tempo, eu também achava aquela trocação de passes uma anomalia irritante. Parecia que todos os espanhóis em campo tinham feito doutorado em chatear o touro, antes do golpe final. Mas, o que é intuição, nem sempre é a verdade, pois sistemas complexos são quase sempre contraintuitivos.


Mas, para o Brasil, pela análise parcial da copa de 2010, pelos dados inferidos, parece que o time tinha um potencial de enredamento (quantitativo) melhor do que a da Holanda, se considerado só o número de passes. Qualitativamente não foi o mais representativo. 

REGRAS NO-TOUCH INDUZIRÃO O FUTEBOL ONE-TOUCH

Não é o tempo de posse de bola o indicador relevante e sim o número de conexões (ou caminhos percorridos pela bola). Isso significa que deveríamos observar não o tempo em que a bola fica com um time e sim o número de passes bem-sucedidos efetivados por unidade de tempo. O futebol one-touch otimiza tal indicador. Mas as regras atuais do futebol, lenientes com o deslocamento físico do adversário a partir do choque de corpos (e até certo ponto coniventes com as faltas, sobretudo quando cometidas com o tronco e os quadris) diminuem este indicador. Novas regras sugeridas pela diretriz ideal no-touch são, portanto, necessárias para um novo futebol que persegue o ideal one-touch. Isso poderia começar a ser resolvido, por exemplo, com a introdução de um novo cartão (laranja) a ser mostrado em qualquer deslocamento do adversário com ombro, costas, peito ou quadril. Dois cartões laranja corresponderiam a um cartão amarelo. Qualquer deslocamento que derrubasse o adversário com os pés, pernas, mãos, braços ou cabeça receberia cartão amarelo. Simulações seriam punidas com cartão vermelho (havendo consenso entre os juízes). Sim, o comando unipessoal da arbitragem deveria ser abolido. O mais adequado seria um colegiado de juízes interconectados em tempo real (com o fim dos bandeirinhas): juiz de campo, dois juízes de linha e juiz de tela (com imagens em tempo real fornecidas por várias câmeras). Quando houvesse dissenso de pelo menos dois desses árbitros decidiria o juiz de vídeo.

Ou Multi-Touch:

Com 3 bolas: Uma azul, uma vermelha e outra amarela! Com a vermelha valeria até o gol-contra, que no caso, seria a favor. Acho que ficaria mais próximo da netfutebol! :>)



Augusto de Franco disse:

REGRAS NO-TOUCH INDUZIRÃO O FUTEBOL ONE-TOUCH


Amigos

Me gustaría que me ayuden a pensar el problema planteado, que creo que viene muy bien encaminado, de la siguiente manera: Pensemos en el balón como la "materia escasa" por la que dos parcialidades disputan, luchan, porque el sentido es vencer, o sea la disputa es un planteo agonal, esa es la regla base.

Esta lucha se divide en dos como toda guerra, una es un problema del campo, ganar el territorio, luego hacer el gol. Si fuéramos cazadores o recolectores, la presa es el balón, y la disputa es por quién se "come" el balón, quién hace el gol. El juego termina con quién se ha comido mas balones,  quien hace mas goles.

Por eso quiero que se centren en el balón que es lo que está en disputa y que se imaginen todo visto desde la pelota, en vez de ser observadores cenitales que "lo ven todo" imagínense que miran desde dentro de la pelota, como si la pelota fuera un porco, que dos equipos se pelean por comer.  Eesto ya cambia la perspectiva, los diagramas de las redes parciales que configuran los equipos estarán siempre de alguna manera alineadas con nuestro objeto centro, la pelota. Por que que si fijamos  la pelota y todo el resto se mueve, incluido el campo de juego (coordenadas intrínsecas a la pelota) nuestra apreciación del juego cambia y ahora, (recién ahora) luego de hacer todas estas salvedades, podemos ir a la Ley constructal para analizar

El fenómeno nuevo es de cómo cada cosa adquiere arquitectura en la dirección del tiempo: las configuraciones existentes sobreviven cuando su cambio en el tiempo se hace hacia configuraciones de flujo más fácil (la ley constructal).”

“La ley constructal también establece que si el sistema cambia su morfología libremente, entonces va a evolucionar, (por ejemplo, como una secuencia constante de estados), tal que su configuración se desarrolle y que sus corrientes fluyan más y más fácilmente. ¿Qué cambia en las propiedades y en los flujos del sistema de una configuración a otra? Depende de lo que está fijo, por ejemplo: lo que impulsa los flujos a través del sistema. En cualquier caso, fluir más y más fácil quiere decir que a nivel global la configuración del sistema posee cada vez menos y menos resistencia, y que la tasa de generación de entropía tiende en una sola dirección: hacia abajo o arriba, dependiendo de qué tipo de forzamiento se fija"

"Todos los ejemplos, desde la alometría los animales a leyes de escala geofísicas, obedecen a lo conocidos y aceptados principios de la física. El hecho de que todos ellos exhiban "desdideño" es el "algo más", que no está cubierto por los conocidos y aceptados principios."

Como "fijamos la pelota" lo que fluyen son los equipos, y son estos los que cambian su topografía en función al punto fijo, el otro equipo y los límites del campo. Si liberamos la pelota y hacemos fijo el campo el problema se vuelve tan complejo que es casi imposible estudiar.

Recuerdo cuando era un niño y jugábamos "a la pelota", todos seguíamos el balón, dos triángulos isóceles cuyo vértice mas agudo estaba en la pelota, solo los arqueros escapaban a esa configuración primitiva. De allí a la evolución del Barsa, hay un trecho, pero siempre las topografías de los equipos serán relativas a la posición del balón.

Pero tampoco se puede simplificar su complejidad aislando todo a equipos unitarios corriendo tras la pelota, la configuración de uno afecta al otro. Si un equipo posee el balón lo debe conducir dentro de un tunel de jugadores del equipo contrario hasta el gol. Estos ejercen "resistencia" a su paso. Analizar esos procesos complejos es la cuestión, la "economía" do jogo.

Una estructura piramidal ofrece mejor llegada si la defensa es débil, pero mantener jugadores "arriba" en el campo contrario tiene el costo de debilitar la propia defensa. El BArsa resuelve esto haciendo todo dinámico, ataque y defensa, Ahí viene todo lo que dice Augusto en su dica. Esto NO quiere decir que una estructura jerarquizada no pueda ganarle, simplemente, un diagrama distribuido, es mejor adaptable a la ley constructal del juego "en general".

Muito boas as suas considerações, Boyle. Gostei demais!

Sim, estruturas hierarquizadas podem ganhar um jogo épico. Em certo sentido são até mais adequadas para vencê-lo pois o jogo é épico mesmo, o que se reflete nas suas regras. O que disse é que se introduzirmos regas mais líricas (baseadas no prazer do fluir, no ato de se comprazer com a "arte" da bola), aumentam enormemente as chances das estruturas mais distribuídas. Isso já ocorre em parte. Houve uma "evolução" das regras do futebol que coibiram o que é incorretamente chamado de "espírito animal". Por exemplo, agora carrinhos (sobretudo aplicados por trás) são proibidos e recebem cartão amarelo (mas antes eram válidos e plenamente aceitos por todos).

O Barcelona, na prática, está adaptando sua estrutura a um novo estilo de jogo para o qual as velhas regras não são adequadas. Tanto é assim que é possível vencê-lo com o auxílio das velhas regras: basta, para tanto, deslocar ou derrubar os seus jogadores por meio do contato físico ainda aceito (com ombro, tronco e quadris). Mas, mesmo assim, o número de possibilidades abertas com uma topologia mais distribuída é tão grande que seu novo futebol acaba vencendo a despeito das velhas regras (como tem mostrado o selecionado espanhol, basicamente composto pelo Barcelona e inspirado por seu estilo de jogo).

Continuando minhas livres reflexões... 

FUNDAMENTOS DO NOVO FUTEBOL EMERGENTE NA SOCIEDADE-EM-REDE

O objetivo do futebol não é o gol: o gol é uma obrigação (para ganhar o jogo e, assim, viabilizar a continuidade do time).

Mas futebol é um jogo, não uma guerra. Seu objetivo, portanto, deve ser lírico: realizar as evoluções mais perfeitas (esteticamente agradáveis para recompensar emocionalmente os players e os torcedores, permitindo que se comprazam na fruição da arte) ficando com a bola (no time e não nos pés de um ou outro jogador) o maior tempo possível; ou melhor, com o maior número de passes certos, impedindo que o adversário a recupere: as chances de efetivar o gol aumentarão consideravelmente nessas circunstâncias e o gol será sempre resultado de um processo coletivo (o gol é sempre do time e não de um ou outro jogador), será uma consequência social da topologia da rede configurada pelos jogadores (nodos) e pelos passes (conexões) e não um golpe de sorte ou o resultado épico da ação de um herói (craque) que, em virtude de suas características individuais distintivas, com o apoio subordinado de outros jogadores que o servem, foi capaz de derrubar os muros da cidadela adversária (o que evoca a perspectiva da guerra).

No novo futebol do século 21, o gol deve ser encarado como um tipo especial de passe, o único “passe” que não tem outro jogador como destinatário e sim o espaço desocupado nos limites da baliza adversária.

Para tanto, é necessário observar os seguintes fundamentos:

 

1 – Jogar sem a bola (ficar sempre em movimento, não esperar o passe, mas posicionar-se de modo a recebê-lo; estar sempre atento para aglomerar e dispersar; preparar-se para enxamear quando a situação exigir, aglomerando-se vários jogadores – como se fossem formigas – em torno de um único adversário que está com a bola ou ocupando os espaços vazios ao lado, atrás ou à frente do ponto em que está a bola em cada momento).

 

2 – Passar a bola de preferência one-touch – este é o principal fundamento –, conduzindo a bola o mínimo possível e não se livrar da bola com chutes para frente, para o alto ou para os lados (qualquer chute, mesmo longo, deve ser um passe, com endereço certo).

 

3 – Evoluir em conjunto, mas não conduzindo a bola e sim por meio de passes one-touch (aperfeiçoando o que foi chamado de “carrossel holandês”), deslocando-se no terreno organicamente ou como um corpo único. Evoluir não significa somente avançar, mas também lateralizar e recuar (jogar em todas as direções é mais produtivo do que jogar apenas para frente, ao contrário do que reza a crença do velho futebol instrumental over-results-oriented).

 

4 – Ocupar qualquer posição (com exceção da posição de goleiro, cada jogador deve poder exercer todas as funções tradicionalmente consideradas, seja na defesa ou no ataque, não mantendo posições fixas senão trocando várias vezes de posição vertical ou lateral durante uma mesma partida).

 

5 – Marcar no próprio campo e no campo adversário (não por zona, mas por assédio – sem falta – ao jogador que está com a bola e aos jogadores que se posicionaram para recebê-la, de forma a poder tomar a bola, interromper ou desviar o passe e destruir a jogada). Reduzir o espaço livre do contendor (quando ele estiver com a bola) à sua pequena área (e olhe lá!).

Acho que o Augusto está sendo muito oportuno ao captar exemplos de conhecimento comum e analisá-los de acordo com seu olhar "clínico" social: a vantagem do exemplo é que podemos ver de maneira compartilhada e pensar cada um com a sua cabeça. E repensar a posição do torcedor no "novo futebol" das relações humanas!

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